Bruce Almighty é o novo vice-campeão da Red Bull BC One

[TEXTO/FOTO] Rui Miguel Abreu, em Roma

 

Apenas um voto separou no final os resultados de Victor e Bruce Almighty, com a balança da final da Red Bull BC One de 2015 a pender para o lado do b-boy norte-americano que assim carregará para casa o desejado título de campeão bem como o correspondente cinturão de vitória.

No final, Bruce não escondeu algum desalento, explicando ao Rimas e Batidas que sentia ter tido a vitória na mão. De facto, nomes importantes como Neguin ou RoxRite fizeram questão de sublinhar a qualidade do b-boy da Momentum Crew afirmando publicamente o seu favoritismo durante a transmissão em directo do evento. E mesmo na conferência de imprensa final, o apresentador Sway – da famosa dupla de hip hop Sway & Tech, responsável pelo popular programa The Wake Up Show – em conversa com o b-boy Victor explicou que teve muitas dúvidas e que acreditava até que um par de rondas da última batalha poderiam ter sido ganhas por Bruce Almighty. Victor confirmou a dificuldade e ao Rimas e Batidas não poupou mesmo elogios ao representante das cores portuguesas: “O Bruce não me facilitou a vida e competiu a um nível muito elevado. Ele é um b-boy muito criativo. Portugal deveria ter orgulho nele”.

O show montado pela Red Bull BC One no Palazzo dei Congressi de Roma foi, como sempre, irrepreensível. Abriu com uma sentida homenagem a Paris, com um minuto de silêncio partilhado por todos os artistas e público, e depois prosseguiu com uma evocação dos gladiadores em que o ballet e a dança contemporânea se cruzaram com o b-boying. Houve ainda lugar a incríveis interlúdios, sobretudo a sessão de freestyle do host da noite, o grande MC Supernatural, e a impressionante actuação da dupla de bailarinos franceses Les Twins, altamente electrizantes e criativos, facto que os leva a viajar pelo mundo como parte de espectáculos de estrelas consagradas como Beyoncé ou Missy Elliott.

Com música fornecida pelo DJ francês Marrrtin, os b-boys apresentaram-se todos a um nível muito elevado com Bruce a derrotar o representante da Coreia do Sul, Pocket, e Victor a roubar ao marroquino Lil Zoo a possibilidade de ir à final. E depois, o derradeiro combate que opôs as cores nacionais e as americanas foi decidido por critérios subjectivos. Verdade é que Bruce foi o único b-boy que conseguiu levantar o público das cadeiras e foi o único que, cumpridas as últimas rondas, ouviu o seu nome ser gritado em coro por boa parte da multidão. “Tenho outras batalhas pela frente, sei que hei-de voltar aqui também”, disse-nos Bruce Almighty. 2016, afinal de contas, já se encontra muito perto.

 

Rui Miguel Abreu

Rui Miguel Abreu

Crítico musical desde 1989, Rui Miguel Abreu escreve atualmente para a Blitz e integra a equipa da Antena 3. De vez em quando também gosta de tirar o pó aos discos e mostrá-los em público.
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