BENNY THE BUTCHER // Tana Talk 3

[TEXTO] Moisés Regalado

Já é certo que a Griselda veio para ficar, sobretudo graças ao conjunto de talentos emergentes que vai apresentando, mas a saudável solidez com que esta malta vai trabalhando — sempre com os alicerces em Daringer, produtor da casa — não é o seu único ponto de interesse: a regularidade tem andado de mãos dadas com as barras de Conway, Westside Gunn ou, agora, Benny The Butcher, sem que nunca acusem a pressão que normalmente bate à porta dos artistas em ascensão.

As mixtapes que Westide lança a um ritmo frenético ou os cada vez mais constantes featurings do seu irmão Conway provam sem margem para dúvidas que a superação lhes está no sangue, e, ao que parece, o gene também foi encontrado em Benny The Butcher, nome que se segue na lista da label. A identidade mantém-se: quase não há samples para lá do essencial — e todos foram escolhidos a dedo — e a arena pertence quase em exclusivo ao homem das palavras. Só que é cada vez mais complicado não virar os holofotes para Daringer, que vai moldando o som de Buffalo — ou o rap –, revelando-se cada vez mais como um digno companheiro para Alchemist, produtor que o acompanha cada vez mais nestas aventuras da Griselda.

É fácil perceber o que Conway e Westside Gunn viram em Benny, e é fácil perceber desde o início que Tana Talk 3 é mais uma aposta ganha. A caneta é ainda mais afiada do que a dos dois irmãos, ou, pelo menos, flui de outra maneira. O flow é incrível e os esquemas rimáticos podem seguir o mesmo fio condutor durante 16 ou 32 barras sem dificuldade. A segurança com que o MC se entrega aos beats é precisamente a de quem nasceu em 1984 e representa, segundo Gunn, o Jay-Z de 1996.

 



As letras parecem escritas à primeira só que não há nada que ficasse bem de outra maneira. A entrega de Benny The Butcher tem um equilíbrio quase indecifrável, tão linear mas tão pouco monótono quanto possível. Por outro lado, a criatividade fica aquém e surpreende menos que a dos seus camaradas da Griselda, principalmente agora que o imaginário e a estética da label já foram completamente descortinados, e até se comparado com Conway e Gunn, mais dado a pequenas pérolas e malabarismos tão discretos quanto geniais.

Ainda assim, este é outro passo de gigante para que a editora afiliada da Shady Records marque, cada vez mais, o seu nome e o da região de Buffalo no circuito norte-americano. Tana Talk 3 bate de frente com qualquer álbum independente (ou mais ou menos independente…) que tenha saído este ano e confirmou Benny, de uma vez por todas, como mais uma promessa que, de repente, tem tudo para ficar na história como veterano.

 


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