Beautify Junkyards: “Terem convidado uma banda portuguesa para se juntar à família Ghost Box é motivo de orgulho”

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“Aquarius” é o primeiro single de The Invisible World of Beautify Junkyards, terceiro álbum da banda e primeiro trabalho com o selo da mítica Ghost Box.

Atmosférico, nocturno, misterioso e mais rico ritmicamente. Estas são algumas das pistas para o próximo projecto de João Branco Kyron, Rita Vian, João Moreira, Sergue Ra, Antonio Watts e Helena Espvall, o mais recente membro da banda. Com lançamento marcado para o dia 9 de Março, o novo LP dos Beautify Junkyards foi inaugurado com “Aquarius”, avanço que merece vídeo realizado por João Pedro Moreira. O Rimas e Batidas esteve à conversa com Kyron e procurou descortinar o que aí vem.

 



Como é que vês este álbum no conjunto da discografia dos BJ?

Acho que é um álbum mais atmosférico e com uma amplitude emocional mais alargada, mantém alguns trechos mais pastorais e luminosos (ambiente mais transversal no álbum anterior), mas também exploramos ambientes mais nocturnos e caminhos mais misteriosos, mais influenciados por bandas sonoras de filmes Giallo. É também um álbum em que investimos mais colectivamente como banda. O núcleo das músicas partiu de sessões de improviso e a partir daí fomos experimentando os caminhos e possibilidades de cada uma. É um álbum mais rico ritmicamente e a electrónica é mais predominante do que nos álbuns anteriores, mas sempre em torno de uma ideia de canção. Explorámos também bastante a sonoridade e texturas dos instrumentos acústicos e a entrada da Helena Espvall (ex-Espers) veio enriquecer ainda mais essa vertente.

O que sentes ao saberes que o disco vai sair com selo da Ghost Box?

É importante para a banda esse reconhecimento, uma editora que já acompanhamos há muitos anos e que é considerada (quase) hermética em relação ao lote de artistas com que trabalha (ao longo dos seus mais de 10 anos de existência), terem convidado uma banda portuguesa para se juntar à “família Ghost Box” é motivo de orgulho e revela que a afinidade estética é mesmo bastante forte.

O que significa para ti a estética dessa editora?

A estética da Ghost Box é muito mais do que meramente musical e é isso que mais nos atrai. É a forma como incorporamos o nosso passado e as nossas memórias, na nossa percepção do presente e na projecção de possíveis futuros; é a dimensão ficcional e onírica sem tempo e espaço definidos, o que origina que as componentes musical e visual adquiram uma riqueza única em que podemos recorrer a referências multi-temporais de diversas origens estilísticas. O conceito da hauntologia tem sido muito ligado à Ghost Box, e também artistas como os Boards of Canada, o Leyland Kirby ou o Burial, mas estende-se a outras expressões artísticas, como o cinema, BD, a pintura (gosto muito dos quadros do Peter Doig), etc. Essa complementaridade de expressões gera grande ebulição nos circuitos criativos e e desde que ficámos receptivos que nos temos vindo a apaixonar.

As capas são sempre determinantes no catálogo da Ghost Box. Que história nos podes contar da capa deste trabalho?

Sem dúvida, como referi anteriormente, a componente visual na Ghost Box tem a mesma relevância que a componente musical. Toda a criação visual da editora está a cargo do Julian House (também é o “homem” por trás do Focus Group) e foi uma etapa muito interessante do processo. Começámos por trocar imagens e ideias, enviei-lhe alguns vídeos documentais portugueses pós-25 de Abril, alguns filmes antigos como O cerco e também fotografias e colagens que tenho por hábito produzir. A partir daí, ele enviou um conjunto bastante vasto de ideias e iniciámos um processo de mergulho até atingir o resultado final. Foi sempre muito interactivo e gostei da forma com o nosso feedback realmente alimentava a sua criatividade. Um ponto interessante a destacar é que ele queria imagens da banda inseridas no artwork o que para nós foi inédito, tendo acabado por utilizar uma de grupo e mais algumas, de forma um pouco mais “subliminar”.

Com o disco a sair pela Ghost Box o que significa isso em termos de projecção internacional dos Beautify Junkyards? Esperam poder tocar em Inglaterra, por exemplo?

A banda tem vindo a crescer a nível internacional, desde o lançamento do primeiro single pela Fruits de Mer e posteriormente com o lançamento do álbum The Beast Shouted Love pela inglesa Mega Dodo que se verifica um interesse cada vez maior na nossa música. Recebemos regularmente encomendas no Bandcamp de diversos continentes/países, temos tido algum destaque em publicações especializadas da imprensa estrangeira  e a nossa musica tem airplay em inúmeras rádios/programas de autor, incluindo alguns programas da BBC2 e BBC6 e KEXP. Ultimamente, com a ligação à Ghost Box (editámos um single em 2017 no catálogo deles), essa tendência tem-se intensificado, em virtude de se tratar de uma editora com forte carisma e grande penetração entre os melómanos de folk, electrónica, library music.

Em relação a concertos de promoção em Inglaterra é algo que faz todo o sentido, já tivemos algumas propostas soltas e agora estamos a trabalhar para tornar a operação financeiramente viável.

Quais são os vossos planos para os próximos meses?

Agora estamos focados em promover o álbum e em preparar os concertos de promoção, que deverão ocorrer a partir de Abril. Além disso, temos outras ideias relacionadas com cinema, voltar a um projecto semelhante ao que fizemos com o La Planète Sauvage, em que apresentámos um banda sonora ao vivo durante a projecção do filme no Fantasporto, e iniciar algo mais relacionado com as nossas influências na música portuguesa.

 


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