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Fotografia: Direitos Reservados
Publicado a: 22/02/2019

Batida: “Devíamos todos querer ser campeões mundiais de equidade social. Isso é que era um orgulho”

Fotografia: Direitos Reservados
Publicado a: 22/02/2019

“Pele” é o primeiro tema colaborativo dos IKOQWE, projecto que une Batida a Ikonoklasta. O duo actua amanhã no Cine-Teatro Louletano no âmbito do festival DeVIR.

Os primeiros sinais da parceria de Pedro Coquenão com Luaty Beirão chegaram ainda no ano passado: a dupla aceitou o convite para uma estreia em palco na última edição do festival Lisboa Mistura. Numa subversiva missiva enviada para a imprensa, o autor de Dois explicou o que se passa aqui em tópicos: “Iniquidades, Identidades, Migrações, Contas mal feitas, Neo-Colonialismo, Cumplicidades. Amor e a Utopia, como o futuro.”

Fora de Portugal, o nome de Pedro Coquenão está novamente associado ao Africa Express, supergrupo orquestrado pelo britânico Damon Albarn, o “cérebro” dos Gorillaz. “Ser dos primeiros a ser chamado enche-me o coração”, revelou o artista luso-angolano, que teve de “alterar datas de um compromisso com um irmão para poder aceitar”. A nova formação do Africa Express conta com Django Django, Joan As Police Woman, Mista Silva, Rokia Traoré ou The Good, The Bad & The Queen entre os artistas que vão conviver com Batida e Damon, para criar, ensaiar e tocar num espectáculo agendado para o dia 29 de Março, em Londres.



Batida e Ikonoklasta são dois nomes que se têm cruzado musicalmente já por algumas vezes. Em que momento do vosso percurso é que se formou o conceito de IKOQWE?

O Luaty vinha fazer um show a Lisboa que foi cancelado. Eu ia participar nele, na forma em que vez IKOQWE agora. Queimado, entrapado, na ressaca de um burnout. Ele adorou e disse que preferia fazer parte desse planeta do que seguir sozinho na vida dele de Ikonoklasta, que segue e muito bem. Mas aqui, a coisa chama-se IKOQWE.

Hoje lançaram o vosso primeiro single enquanto dupla. O que nos podes adiantar sobre a “Pele”?

Será uma dupla? O “Pele” foi gravado há 9 meses. Fala sobre a dita nas mais diversas formas. Assume preocupação, responsabilidade mas, acima de tudo, o combate firme à iniquidade e falta de amor, com amor. Firme. Sem relativizar. Devíamos todos querer ser campeões mundiais de equidade social. Isso é que era um orgulho.

Será o primeiro de vários temas? Podemos esperar um álbum ou EP para um futuro próximo? O que têm andado a cozinhar no estúdio?

Vem ver o show. Há sempre coisas a serem cozinhadas. A toda a hora. É bom provares primeiro. Para já tens um single com uma intro importante, uma capa bonita e um video. Ao vivo há mais músicas. Gravadas também. Irão saindo naturalmente. Sem ânsias.

Noutro canto mais frio desta “nossa” Europa, foste convidado pelo Damon Albarn para integrar o supergrupo Africa Express. Como encaraste esta chamada por parte de um músico tão influente na indústria à escala global?

Felicidade. Por ter adorado fazer parte até hoje e o meu papel como familiar ser reafirmado. Não tenho muita coisa como garantida. Ser dos primeiros a ser chamado enche-me o coração. A parte da indústria e da escala, na tua pergunta, fingi que não li e substituí por: um artista sortudo em ter tantas ferramentas para fazer o que lhe apetece, nomeadamente fugir à indústria e à escala, que aprecio tanto, com quem já colaborei, celebrei e abracei em palco. É sempre irrecusável. Tive de alterar datas de um compromisso com um irmão para poder aceitar.

Já começaste a trabalhar ou a trocar impressões com os outros artistas envolvidos?

Ela já existe de edições anteriores. Há cúmplices e romances. Espero revivê-los e ter novos. Podes levar esboços e trocas de e-mails, mas tudo acontece no momento. Só acontece o que cada um quiser fazer em conjunto. Há muito por onde escolher.

Como está a ser a experiência ou que expectativas depositas para este intercâmbio tão importante para o desenvolvimento e entrosamento de culturas?

Tenho a cabeça cheia de coisas para tratar até lá. Neste momento preciso de ter água em casa. Quero gravar o meu programa de rádio logo à noite. E conseguir ensaiar bem com o meu irmão Luaty o show de Loulé. A seguir tenho uma peça de dança para ensaiar com a Piny em Montemor. É o primeiro solo dela. Uma das melhores bailarinas do país e b-girl de fora da história do hip hop, onde a dança é secundarizada. Depois tenho uma residência no Brasil. Pelo meio, vou respirando e rio-me de felicidade cada vez que penso no que pode acontecer e nos mails que vou lendo sobre o Africa Express. Por exemplo: o show já esgotou e ainda não se sabe o cartaz todo.

Dia 29 de Março têm um concerto marcado para Londres. O que nos podes antecipar acerca do que se vai passar em palco?

Já houve várias formas do Africa Express acontecer. São todas diferentes. Mantém-se o ambiente familiar e vontade de nos divertirmos. Há entusiasmo e caos total, sempre. Seja no Mali a gravar ou num palco gigante ou evento glamoroso (ler “assustador”) como a Fashion Week de Paris. São dia e meio de ensaio e 5 horas de show. Foi assim em Marselha, foi assim a encerrar o Roskilde. O fim do mundo em cuecas. Os ensaios em simultâneo atrás do palco às vezes são melhores.


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