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BadBadNotGood no EDP Cool Jazz: e agora algo completamente diferente

[TEXTO] Alexandre Ribeiro [FOTOS] Direitos Reservados

Falar de BadBadNotGood é falar de música sem repartições, sem barreiras, sem dogmas e sem medos. Dito isto, a banda canadiana foi escolha mais que acertada para a programação deste ano do EDP Cool Jazz. Sim, o festival aponta declaradamente para um género musical, mas se existe banda que consegue contornar isso com elegância ela responde pelas iniciais BBNG.

Com um cenário irrepreensível, o Parque Marechal Carmona, em Cascais, Alexander Sowinski, Chester Hansen, Leland Whitty e James Hill atiraram-se a vários temas da sua discografia e viajaram dentro e fora deles, arrastando secções e alterando arranjos, tudo isto com virtuosismo e sumptuosidade. Seria impossível imaginar que não fosse desta forma: músicos que trabalham regularmente com nomes MF Doom, Ghostface Killah, Kendrick Lamar, Mary J. Blige, Snoop Dogg, Freddie Gibbs, Daniel Caesar, Denzel Curry, Earl Sweatshirt ou Colin Stetson têm de estar num patamar de excelência. Precisam de “vomitar” ideias novas enquanto passam os olhos por um livro de história que fala de r&b, rock, jazz, hip hop ou soul e absorvem toda a informação disponível.

 



Na geração que procura conforto no hip hop, os BadBadNotGood são uma importante referência para aqueles que ainda olham para instrumentos e para a ponte entre o jazz e o hip hop. Kamasi Washington, Thundercat e Terrace Martin também fazem parte desse grupo, mas nenhum deles compreende tão bem as idiossincrasias geracionais. Dos nomes anteriormente mencionados, os membros dos BBNG são os únicos que ainda não festejaram três décadas de vida.

Depois de passarmos pelo jovial Sumol Summer Fest ou o caótico NOS Alive, o evento de ontem pareceu-nos um mundo à parte: grande parte das pessoas sentadas, telemóveis guardados e pouca conversa de fundo. Um oásis no meio das árvores coloridas pelos holofotes e uma maneira diferente de viver e ouvir a música.

 



A plateia — que incluía ilustres como Mike El Nite, DarkSunn, Da Chick, MMMOOONNNOOO, Maze ou DJ Glue — começou sentada, mas Alexander Sowinsky, o baterista e o mais interventivo do quarteto, aproveitou uma das músicas que criaram em regime colaborativo com o mago Kaytranada para pedir que toda a gente se levantasse, encorajando o movimento ao sabor do groove. Num ambiente descontraído, os BadBadNotGood mostraram que é possível tocar a sério e não se levar (demasiado) a sério. Num dos momentos em que Chester Hansen e James Hill conversavam através dos instrumentos, os restantes membros deram uma espécie de aula de dança livre e a audiência juntou-se à festa, celebrando aquele organismo estranho que premeia a criatividade e o engenho (os solos de cada membro demonstraram que existe um pequeno “monstro” à espera do seu momento — não admira que Matty Tavares tenha saído para procurar o seu próprio caminho).

“Chompy’s Paradise”, “CS60”, “WEIGHT OFF”, “Speaking Gently” ou “Confessions” foram apenas o princípio dos devaneios esotéricos e cinematográficos de um grupo que, a seu tempo, será celebrado como um dos mais importantes e relevantes desta era. Podem anotar.

 


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