AURORA KATANA volta a fazer estremecer a cena pop electrónica exeperimental com o lançamento de um novo single, “VIDEOGAME”, que antecede a edição do seu próximo álbum KATANA pela Maternidade a 6 de Março — o concerto de apresentação em Lisboa (nas Damas) está marcado para o mesmo dia, faltando ainda confirmar a data e o local para a subida ao Porto.
A artista aproveita a boleia do período que antecede o Dia dos Namorados para nos entregar aquela que aponta como sendo a única faixa do projecto vindouro que dedica ao seu ex-namorado. Ao Rimas e Batidas, AURORA diz que se trata de um “jogo de tesão entre dois nerds que viveram uma paixão obsessiva”. O videoclipe que acompanha o tema foi idealizado por si e captado com a ajuda das amigas Carlota Flor, Yunne Isabella, Maroskas, Elisa, Kyara, Francisca Marvão e Sombria.
A cantora e produtora introduz-nos assim ao próximo capítulo da sua saga editorial, serpenteando entre níveis de euforia e vulnerabilidade numa cama instrumental com molas que rangem a 8-bit. KATANA será a obra mais pessoal e visceral na carreira da artista que tem desafiado as convenções da estética pop tanto em termos sonoros como visuais, alicerçada num catálogo que contempla projectos como RAVE IN A CAVE (2017), UTERUS (2019), FLESH AGAINST FLESH (2021) ou M1XT⦩P3: UND3RW0RLD (2023).
Aproveitando a entrada nesta nova fase criativa, o Rimas e Batidas colocou algumas questões a AURORA KATANA.
Já usas o nome “KATANA” acoplado a “AURORA” em algumas plataformas há bastante tempo. Dado o título do teu próximo disco ser precisamente KATANA, dá-nos aquela ideia de álbum self-titled que alguns artistas lançam apenas quando se sentem no ponto perfeito da sua maturação musical. Este trabalho que se avizinha tem esse peso no teu percurso?
Sim, é o meu trabalho mais sólido. A minha mammy/avó era o meu amuleto da sorte e fonte de maior amor. Depois da morte dela, isolei-me num vortex emocional/espiritual e passei por um período dark light. Gravámos a track “AMÉLIA” juntas e ela nem sequer chegou a ouvir. Tive de reaprender tudo na ausência dela e este disco tornou-se o meu maior refúgio, a única coisa que conseguia sentir, praticar, ou executar. Desta vez demorei bué tempo a produzir este disco, mas achei super necessário ser meticulosa para reencontrar-me, chegar a outra maturação musical e também emocional/espiritual. Sinto que toda a experimentação que tive na música culminou neste disco. Estou super ansiosa e excited para deixar voar as 11 tracks deste special baby. A produção, composição musical, visuais, mistura e masterização foram feitos por mim e conta também com a Filipe Sambado na gravação de voz, spoken word da minha avó Amélia Ferreira, mãe Lídia Pinho e mana Kyara. É, sem dúvida, o projeto musical e artwork mais viscerais que produzi. São bangers!
No texto de apresentação que nos enviaste, referes que este LP está para AURORA como o Blackout está para a Britney Spears. Queres elaborar um pouco mais sobre esta ideia?
O Blackout da Britney nasceu dum período de muita turbulência e instabilidade. No entanto, é o melhor disco dela, pela crueza experimental, intimidade e frontalidade. O meu LP KATANA renasce num processo semelhante de amor/desamor, dor, luto, alienação, empoderamento, reivindicação, e acredito também que é o meu melhor disco.
No teu mais recente videoclipe, voltas a explorar a linha ténue entre uma certa visceralidade lúgubre e a sensualidade. Qual o conceito que tinhas em mente quando delineaste a direcção artística para esta peça que dá início a uma nova fase na tua carreira?
Para mim, este videoclipe era importante registar uma corpa empoderada, multifacetada no seu quotidiano, sublinhando pormenores, diversos looks, coreografia, indoor/outdoor, holofotes/backstage, íntimo/público, Porto/Lisboa, jogar com opostos e trazer uma ideia mais pop da minha persona. O filtro a preto e branco é porque sou obsessed com essa estética. No styling, interessou-me esse push-pop de frutas da nova geração, e atrás da câmera tive as BFF’s que acompanham o meu percurso de perto. Na make-up o meu papi Bragada e mana Maroskas, porque só eles é que conseguem maquilhar-me com maior perfeição.
Musicalmente, “VIDEOGAME” soa a um delírio em plena rave após uma overdose sonora de glitches. O que representa ela no conto geral do teu próximo trabalho? Segue uma linha condutora que encontra semelhanças com os restantes temas ou ficam muitos ingredientes ainda por revelar nas outras faixas do alinhamento?
Uhuhuh amorei! Rave pós-overdose sonora de glitches, é sobre isso, periodt! Escolhi a “VIDEOGAME” para 1º single, porque tá no top das fav tracks do disco, é um manifesto orgástico explícito, faz a ponte com o disco FLESH AGAINST FLESH e fecha esse ciclo de prazer íntimo com o meu ex. É a única música do disco que fala sobre sedução, coito e o jogo de tesão entre dois nerds que viveram uma paixão obsessiva. Todas as tracks do disco têm uma identidade totalmente própria e são autónomas. Múltiplos ingredientes para salivarem em breve!