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Fotografia: Direitos Reservados

13 canções nunca antes ouvidas de uma figura que deixou uma marca indelével.

As experiências de Patrick Cowley, pioneiro da música de dança, vão ser reunidas em álbum e livro

Fotografia: Direitos Reservados

O pico febril da club scene de São Francisco teve mão de Patrick Cowley, pioneiro da música electrónica de dança que faleceu em 1982, com 32 anos. No 69º aniversário do seu nascimento, que se assinala a 19 de Outubro, a editora Dark Entries vai estrear material dos seus arquivos. A editar em CD, vinil duplo e digital, a colecção de 13 faixas inéditas Mechanical Fantasy Box partilha o título com o livro homoerótico de Cowley que será publicado nesta data.

A compilação reúne músicas gravadas entre 1973 e 1980, antes de Cowley se ter feito referência da música de dança hi-NRG, género que o produtor timbrou em estreita relação com o cantor de disco Sylvester, produzindo a maior parte da discografia do ícone gay. Antes de uma sequência de êxitos com Sylvester, como “Do You Wanna Funk” e “You Make Me Feel (Mighty Real)”, ou dos seus próprios singles a solo, Cowley mudou-se de Nova Iorque para São Francisco, onde estudou música e investiu a todo o vapor em tecnologia.

O seu apartamento, dominado por cabos e gravadores de fita (conforme contado ao The Guardian), foi provavelmente o cenário onde nasceram as 13 faixas de Mechanical Fantasy Box. Não só um panorama sobre uma era desprovida das facilidades da gravação digital, este é um documento de “música experimental em todos os sentidos”: do funk ao kraut, do psicadelismo à música ambiente, da influência do teclista japonês Isao Tomita à dos alemães Kraftwerk. Esta fase criativa foi decisiva para a concepção de Megatron Man Mind Warp, os seus dois discos lançados em vida, hoje verdadeiros clássicos incontornáveis na história da música de dança.

Trata-se de mais uma parte da obra de Cowley descoberta e recuperada pela Dark Entries Records, sediada em São Francisco. Os projectos ajudam a compreender a complexidade da visão de Patrick Cowley, e a sua preparação para propulsionar a cena disco de San Francisco.

Suplementada com notas de capa por Maurice Tani (parte da banda de Cowley), a edição física conta com design de Gwenaël Rattke e fotografia de Susan Middleton. A versão de luxo inclui o diário Mechanical Fantasy Box (também disponível separadamente), actualizado por Cowley entre 1974 e 1980, cujo título original resume o conteúdo: “relatos gráficos da vida sexual de um homem” na “libertação gay pós-Stonewall”. De escritos sobre encontros sexuais até momentos introspectivos, com ilustrações da berlinense Gwenaël Rattke, o livro acompanha a sua “lenta ascensão” de técnico de luz em discotecas até gravar a ilustre remistura de “I Feel Love” de Donna Summer com 16 minutos.

As receitas do disco revertem a favor da San Francisco AIDS Foundation, que luta desde 1982 contra o VIH/SIDA, que vitimou Cowley em 1982, e Sylvester em 1988. “Penso que foi isso que parou o som de São Francisco”, dizia o colega John Hedges. “Os donos da Moby Dick Records [uma editora emergente na cidade] foram dos primeiros a partir com SIDA”. Em Mechanical Fantasy Box, recupera-se um tempo em que a utopia e o sonho se viviam pelo corpo e, fundamentalmente, pela música.

No seu livro Tribal Rites: A Forum on the San Francisco Dance Music Phenomenon, David Diebold descreve a importância de Cowley, que “entrou num mundo obscuro de forças proibidas, panoramas musicais deslumbrantes e possibilidades arrojadas, estridentes, esperançosas. Patrick trouxe-nos o futuro e estendeu-o aos nossos pés”.


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