Antwon: do underground 2.0 para palcos mundiais

 

[Texto]: Ricardo Miguel Vieira | [Entrevista]: Rui Miguel Abreu[Foto]: Direitos Reservados

 

Antwon transporta consigo um background que, não sendo comum ou tão visível no hip hop, não é de todo um corpo estranho no género. O rapper de San José, Califórnia, provém de referenciais do hardcore e do punk, mas sempre conviveu na presença do boom-bap. Uma mistura de influências que lhe permite caminhar entre fronteiras e distinguir-se de outros actos hip hop. É por essa razão que é peremptório perante a pergunta se o rap o representa: “não, [a maior parte do rap] não me representa de todo”.

O rapper californiano provém de outros territórios, outros ambientes, e adapta-los a um estilo singular que se tornou fácil de distinguir. É de certa forma único, à sua maneira, e a jogar a seu favor está o facto de ser um alternative rap que nasce numa era 2.0, de partilha e disseminação virtual, que em nada retira a legitimidade ao rapper para reclamar um virtuoso lugar entre os destacáveis da West Coast.

Seja como for, a motivação de Antwon reside no entusiasmo com que rima e lança umas músicas para a web. Nos últimos tempos tem surgido frequentemente ao lado de Wiki, rapper do colectivo Ratking, numa colaboração que tem resultado de forma imaculada. Sublinhe-se que Wiki também emergiu da cena punk de Nova Iorque e que pertence a um grupo de puro alt-rap, pelo que as sinergias com Antwon resultam sem sobressaltos – ver/ouvir o low-fied, dreamy “Metro Nome” e o trap minimalista de “Squad Deep“.

No passado mês de Abril, Antwon subiu ao palco do Musicbox, em Lisboa, pela primeira vez – seguiu-se o Maus Hábitos, no Porto. Portugal fez parte de uma tour europeia que o levou a treze diferentes países, espelhando bem a dimensão e força da disseminação da palavra de Antwon via internet desde a costa do Pacífico dos Estados Unidos da América. Numa entrevista de dois minutos, Rui Miguel Abreu traçou um raio-x do rapper californiano e descortinou os planos deste para 2015 – um álbum e dois EPs.

Rui Miguel Abreu

Rui Miguel Abreu

Crítico musical desde 1989, Rui Miguel Abreu escreve atualmente para a Blitz e integra a equipa da Antena 3. De vez em quando também gosta de tirar o pó aos discos e mostrá-los em público.
Rui Miguel Abreu