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Fotografia: Direitos Reservados

O sucessor de Brown Sugar saiu no dia 25 de Janeiro de 2000.

Amerigo Gazaway: “O Voodoo é um álbum intemporal”

Fotografia: Direitos Reservados
E já lá vão 20 anos desde que D’Angelo nos enfeitiçou com o seu Voodoo, “o melhor álbum de r&b da era pós-Prince“, palavras do crítico musical Robert Christgau. As celebrações estão a acontecer um pouco por todo o lado (já há textos na NPR e na Stereogum, por exemplo), mas nem só de palavras se fazem as homenagens. Que o diga Amerigo Gazaway, produtor e DJ de Nashville, Tennessee, que decidiu “reimaginar” o clássico com Variations of Voodoo: A Tribute to D’Angelo, um conjunto de abordagens a temas como “Devil’s Pie”, “Left & Right” ou “Spanish Joint”. Reconhecido pelas suas bem-conseguidas combinações de músicas de diferentes artistas (ou “colaborações conceptuais”) com Yasiin Gaye, Fela Soul e A Common Wonder, Amerigo explicou, ao ReB, o que é que torna o segundo longa-duração de Michael Archer tão especial.

Passaram-se 20 anos desde o lançamento do Voodoo. Lembras-te da primeira vez que ouviste o disco? Qual foi a tua primeira reacção? Eu era caloiro na escola secundária quando o Voodoo saiu. Eu lembro-me de ouvi-lo pela primeira vez e ser completamente surpreendido pela coesão daquilo tudo, especialmente a maneira como o D’Angelo usou a sua voz para criar diferentes harmonias. O meu pai toca sopros, por isso gostei especialmente dos arranjos de sopros em canções como “Playa Playa”, “Untitled” e “Spanish Joint”. Além disso, a “Devil’s Pie” tem um dos meus beats favoritos de sempre do DJ Premier. No outro dia encontrei, por mero acaso, o sample original e é, literalmente, um fragmento de um segundo de três notas de baixo. Brilhante. Quando pensaste neste tributo ao álbum, qual é que foi a premissa para a abordagem? Já tinhas a visão do que querias fazer? Eu tinha algumas ideias diferentes na cabeça. Originalmente eu ia juntar o D’Angelo com outro artista (algo que ainda pode acontecer, vamos ver). Tentei algumas combinações no início, mas nenhuma delas resultou. Foi aí que decidi criar as minhas próprias produções usando instrumentos, samples, etc. Ando a tentar desafiar-me mais nos últimos tempos, por isso esta pareceu-me a oportunidade perfeita para fazê-lo enquanto prestava homenagem a um dos meus artistas favoritos. Um dos temas que quis explorar com este projecto foi a influência do gospel, as suas raízes e a sua longa tradição na música negra. O pai do D’Angelo era pregador, e o D falou bastante sobre o impacto que a igreja teve na sua música. Eu quis destacar esta ligação ao fazer o meu take inspirado no gospel em “Devil’s Pie”. Eu tentei fazer parecer que ele estava realmente numa igreja, com a congregação a cantar e a bater palmas ao seu lado. Como é que achas que o álbum envelheceu? Ainda sentes o seu impacto no panorama musical actual? Eu acho que o álbum é intemporal, e a sua influência ainda ressoa na música de hoje. Basicamente, a bateria desse disco lançou as bases para toda uma nova maneira de se pensar sobre o ritmo. Ensinou-me como chegar àquele bounce/swing perfeito, e como dar um sentimento mais “humano” à música. O ?uestlove fala frequentemente da forma como teve que se “reeducar” a tocar bateria depois de sair com o D’Angelo e o J Dilla. Além disso, alguns dos lançamentos que saíram dessas sessões no Electric Lady Studios ajudaram a definir os meus gostos musicais (Like Water For Chocolate, Things Fall Apart e Mama’s Gun). Eu já era fã do trabalho individual de cada artista dos Soulquarians, mas foi um momento realmente especial quando eles se juntaram.

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