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Allen Halloween escolhe uma banda sonora alternativa para o Natal

[TEXTO] Gonçalo Oliveira [FOTO] Pedro Soares

O espírito punk acompanha a carreira de Halloween desde o seu registo discográfico de estreia, lançado em 2006. É provavelmente essa a directriz mais presente no conceito por detrás de Projecto Mary Witch. As rimas sem censura, a mistura que soa a lo-fi, o caos de pensamentos vertidos directamente sobre o microfone – qualquer uma dessas marcas de identidade pode ler-se como resultado directo de uma assumida paixão pelo lado mais electrificado da música. Desde os seus “velhos All Stars” até às distorções e feedbacks de “O Exorcismo de Mary Witch”, há muitos sinais no universo musical de Allen Halloween para o entendermos também como um punk.

 


 

[THE ANIMALS] “The House Of The Rising Sun”

 

 

[NIRVANA] “Lithium”

 

As primeiras escolhas que apresentamos do rapper de Odivelas recaem para dois temas clássicos da história do rock. “The House Of The Rising Sun” é uma peça cuja sonoridade facilmente detectamos em Halloween, como em “Debaixo Da Ponte”, que busca um riff aliciante de guitarra em modo de balada vadia. “Lithium” não segue o mesmo caso. Ainda assim conseguimos ver a ligação entre Allen e Kurt Cobain. As letras do falecido cantor americano eram carregadas de emoção das mais variadas formas. Amor, critica, auto-retrato, paranóia. Tudo temas que podemos encontrar pelo repertório de Halloween, num tom mais “kriminal”. O desespero da voz de Kurt também ajuda a entender algumas das performances de Allen no seu mais recente álbum: “Bairro Black” pode ser um dos exemplos.

 


 

[PUBLIC ENEMY] “Hazy Shade Of Criminal”

 

 

[THE PRODIGY] “Firestarter”

 

Estas duas canções retratam dois casos distintos da influência do punk nos subgéneros da electrónica. No tema dos norte-americanos Public Enemy vemos claramente a herança da força das palavras que têm como objectivo mover as massas. Numa sonoridade que busca a dureza do rock aplicada aos samplers e caixas de ritmos. É provavelmente o tema que mais facilmente se conecta em semelhanças com o som que Halloween assina, até porque provém da mesma escola, o hip hop.

“Firestarter” é uma fonte de energia, tal como qualquer outro single dos britânicos The Prodigy, e Keith Flint parece ter a habilidade de realmente pegar fogo às palavras. É este o elo de ligação à música do rapper português. As palavras a transbordar de raiva, ditas de forma directa e crua. “Mr. Bullying” é um desses casos, em que parece que todas as energias negativas se apoderam da caneta para dar asas às mais bizarras histórias de crime e violência.

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