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Alcântara Toca Discos: o que esperar de uma noite especial de concertos

[TEXTO] Ricardo Farinha

 

É já na próxima sexta-feira, 17 de Junho, que arranca o Alcântara Toca Discos, um evento do Village Underground Lisboa organizado em conjunto com a Junta de Freguesia de Alcântara e com curadoria do Rimas e Batidas.

O programa que dura até sábado vai começar no primeiro dia com uma noite muito especial de concertos, onde vão ser apresentados alguns dos melhores trabalhos do ano no panorama do hip-hop português. Antes de a noite ter início, há espaço para uma novata da música nacional, que actua num concerto gratuito não no Village Underground, mas na Capela de Santo Amaro, com uma das mais belas vistas panorâmicas da cidade.

[SURMA]

Falamos de Surma, que cruza de forma muito própria pop com guitarras e música electrónica, e que se afirmou recentemente como um valor promissor quando se estreou com o single “Maasai”, com o selo da Omnichord Records.

Este é um projecto apresentado como um formato one woman band, uma vez que Débora Umbelino cria a solo com samplers, cordas, vozes e loop stations em paisagens “que fogem do jazz para o post-rock, da electrónica para o noise”, lê-se no comunicado de imprensa que apresenta a primeira faixa desta jovem artista. Com actuação marcada para o Super Bock Super Rock, Surma apresenta-se primeiro no Alcântara Toca Discos com a honra de abrir oficialmente o evento.



 

[KESO]

KSX2016 é o muito esperado álbum do “original marginal” Keso, considerado um dos melhores discos do primeiro semestre do ano aqui mesmo, no Rimas e Batidas. Trata-se do primeiro trabalho deste artista nortenho produzido com uma MPC e acaba por ser, nas suas próprias palavras, uma “declaração de ódio ao mundo”.

Ao experimentar tirar partido de um rap mais cantado, Keso construiu um álbum diferente, próprio e profundamente pessoal, em simultâneo cómico e melancólico, com o qual cada um de nós se pode identificar. Foi revisto nesta casa por Francisco Noronha e, depois da apresentação no Porto, chega finalmente a Lisboa para se dar a conhecer aos alfacinhas do hip-hop.



 

[BLASPH & BEWARE JACK]

Os rappers da Margem Sul e Odivelas, respectivamente, são unha com carne. O “rap d’1 gajo” despreocupado, cru e anasalado de Frankie Diluvio complementa-se com o groove, os estrangeirismos e as referências apontadas por Beware Jack; os dois juntos são uma das melhores duplas boom-bap que o hip-hop português já viu nascer.

O disco que editaram em conjunto, OProcesso, com instrumentais do mestre Kilú, é um trabalho delicioso para os mais dedicados ao género e, ao vivo, já mostraram o seu carisma mais do que uma vez. Alcântara recebe-os também na noite de 17 de Junho.



 

[PRO’SEEDS]

O trio que junta o rapper de serviço Berna ao DJ Score e ao produtor Serial uniu-se para criar em sinergia um disco fresco e com características inovadoras apesar da vasta experiência dos três membros nos meandros do hip-hop nacional. Serial não cessa de se reinventar desde 1993, altura em que começou os ainda activos Mind da Gap, e concebeu estas batidas para Berna, outro membro veterano da família do rap nortenho, que traz rimas originais, com um sentido cómico, mas também sobre as problemáticas do quotidiano. A esta receita juntam-se os cortes certeiros do DJ do colectivo Gatos do Beko.

Depois de um showcase intenso na 2º edição do Festival Rimas e Batidas, os três regressam à capital para apresentarem à séria o seu Soft Power Sagrado no Village Underground.



 

[KRONIKO & SP DEVILLE]

Outra dupla que tem muito para apresentar são Kroniko e SP Deville, dois rappers old-school que inovam e estão na vanguarda de um dos principais eixos responsáveis pelo hip-hop com sonoridades trap feito em Portugal. Ambos editaram trabalhos recentemente, Retrxpectiva e Sou Quem Sou, respectivamente, e têm preparado ao detalhe as apresentações ao vivo, em união tal como a FamiliBizno que formam.




 

A noite contará ainda com música a cargo de DJs seleccionados pelo Rimas e Batidas que debitarão algum do melhor hip-hop nacional e internacional: o bilhete custa 10 euros e dá direito a uma cerveja. A isto tudo, junta-se o restante programa do Alcântara Toca Discos: a feira de vinil de Santo Amaro, com discos novos e usados, stands de street food e DJs para garantirem a animação. Todas as informações podem ser encontradas no evento oficial de Facebook.

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