Agir: “Dediquei-me muito mais a fazer em qualidade e não tanto em quantidade”

[TEXTO] Alexandre Ribeiro [FOTO] Arlindo Camacho

“Nevoeiro” é o primeiro single de Silêncio Caviar, o próximo EP de Agir que sairá em Abril ou Maio.

Papillon é o convidado de serviço — o único no novo projecto que sucede a No Fame –, algo que, tal como nos explica por chamada telefónica, também acabou por ser uma surpresa para o próprio cantor e produtor:

“Curiosamente, esta [“Nevoeiro”] foi a última. São aquelas músicas que nós já não estamos à espera. Eu já tinha o EP mais ou menos fechado e estava mais uma vez naquelas noitadas de estar a produzir porque curto, sem grande pressão. Do nada surgiu-me aquele beat, saiu-me aquele refrão e imaginei logo o Papillon ali. Já tínhamos falado muitas vezes, mas nunca se tinha proporcionado juntarmo-nos para fazermos um som, mas desta vez mandei-lhe o beat, o gajo curtiu e eu até fiquei um bocado surpreso porque foi uma coisa de dois dias. Veio ter comigo ao estúdio, estivemos a falar um bocadinho, ouviu o EP todo para perceber em que fase é que eu estava. Foi para casa e passado dois dias tinha a letra pronta. Foi a última e acabou por ser a primeira a sair porque eu achei que foi mesmo a música que mais retrata a fase em que eu estou. E pode ser um bom cartão-de-visita para o resto.”

Com um ambiente declaradamente inspirado no r&b tingido a negro por The Weeknd, nesta primeira amostra, Bernardo Costa abre o jogo sobre o que podemos esperar do resto do projecto:

“A nível de letras, o EP tem muito a ver com este som. A nível de produção, existem coisas que têm a ver com este som e outras que não tanto. Eu quis fazer uma cena de r&b que ainda não vi muita gente — não vou dizer que vou ser o primeiro — a fazer. Um r&b mais dark, mas também tem ali um que volta àquele r&b dos anos 2000. Posso dizer que é a cena mais r&b que já fiz. A nível de letras é, sem dúvida, uma coisa um bocadinho mais introspectiva, nalguns casos mais dark, e aí sim encaixa-se que nem uma luva no meio das outras.

Também posso dizer que é o trabalho onde me dediquei mais, onde se calhar me exponho até um bocadinho mais. Falo de assuntos como possíveis depressões, coisas que não se falam assim tanto no mundo mainstream, que é, aparentemente, muito cor-de-rosa.

Ser um EP tem a ver com isso ou seja, eu sempre fiz muita música, e aqui preferi não fazer muita — só cinco [faixas] — mas garantir que o snare é o certo, que a palavra é a certa… dediquei-me muito mais a fazer em qualidade e não tanto em quantidade.”