Agir: “A fama tem de ser uma consequência e não um objectivo”

[TEXTO] Alexandre Ribeiro [FOTO] Arlindo Camacho

Na passada quinta-feira o Rimas e Batidas esteve à conversa com Agir na esplanada do Fábulas, espaço localizado no Chiado. Depois de editar Leva-me a Sério em 2015, o artista português lança o terceiro álbum no mesmo ano em que actua pela primeira vez no Rock In Rio.

No auge da sua popularidade, Bernardo Costa recorre ao trap para sustentar a estrutura sónica de No Fame, exibindo, mais uma vez, as suas credenciais como compositor e produtor. Para além do próprio, que escreve e produz o longa-duração na íntegra, a lista de créditos tem apenas três outros nomes: Diogo Piçarra (“Até Ao Fim”), Ana Moura (“Manto de Água”) e benji price (“Falas Demais”).

 



Passaram três anos desde o lançamento do teu último álbum, Leva-me a Sério. Achas que na altura não te levavam realmente a sério?

Foi o álbum que posso dizer que explodiu, digamos assim. Mas mesmo na altura da mixtape, que tinha saído antes, eu estava a a ver as coisas a crescer um bocadinho. Eu estava com 26, 27 anos, mas a verdade é que eu já cantava desde os 12 ou 13 anos e eu queria mesmo que me levassem a sério no sentido de: mesmo que não gostem, percebam que isto não é uma coisa que está a acontecer em dois ou três anos, que é passageira. Que me levem a sério ou seja, que vão ouvir as músicas, percebam que são feitas com verdade, que são feitas com as prioridades certas. E que, independentemente depois de gostarem ou não, gostos cada um tem os seus, levem a sério, que não levem isto como uma coisa passageira, de um capricho, que eu agora tenho a mania que faço música.

Sentias isso antes?

Sentia um bocadinho. E acho que pelo menos nesse aspecto acho que a malta já percebeu que vai ter que levar comigo uma vida toda.

Não deixa de ser curioso que dês o título de No Fame quando és um dos nomes mais populares da música portuguesa na actualidade. Porque é que escolheste este título?

No Fame serve para eu exorcizar algumas coisas. Para nós, eu e as pessoas, conseguirmos tentar ter as prioridades certas na cabeça ou seja, eu acho que tudo o que é fama, e tudo o que é inerente à fama, tem de ser uma consequência e não um objectivo, ok? Nós estamos a viver muito o tempo do ficarmos frustrados se uma música em menos de um mês não tem um milhão ou não temos 50 mil likes na foto. Eu quero exorcizar isso. Eu acho que nós não podemos querer chegar do A ao Z no instante. A vida é justamente o B, é o C, é o D. E é o desfrutar desse B, C e D. Eu acho que o que tenho de retirar deste disco e de tudo o que faço são os dias em que eu tive no estúdio, em que me juntei com um amigo a fazer uma música. Se depois por acaso aquilo foi nomeado para um Globo de Ouro, se teve 10 milhões de views, se foi não sei quê, fixe. Mas tem de ser uma consequência e não um objectivo.

A “Vai Madonna!!!” abre o disco e é uma faixa carregada de críticas à sociedade portuguesa. Também falas de uma certa urgência em escrever isto antes de fechar o álbum. O que é que te levou a pegares na caneta para escreveres este tema? 

A cena não foi parar para escrever aquilo ou seja, do nada o disco já estava muito encaminhado, graças a Deus ainda não estava na fábrica, mas já estava naquela onda do “vai para a fábrica daqui a dois ou três dias”, e saiu-me aquela música com coisas de que realmente eu queria falar. Tenho músicas que obviamente são um bocadinho mais interventivas, mas eu não me considero um músico de intervenção. Mas realmente qualquer pessoa que seja minimamente sensível e atenta às coisas que se passam à volta, tem que deitar coisas cá para fora. Agora, eu tento sempre fazê-lo de uma maneira que não seja lame. Eu acho que consegui, pelo menos para mim, obviamente são gostos, fazer aquilo da maneira que eu acho que era a maneira que devia ser certa. Aquilo que sinto ali já sinto há um ano, já sinto há dois, já sinto há dez, mas ainda não me tinha saído. Como eu sinto que não sou um cantor de intervenção quando faço qualquer coisa que possa ter um bocadinho mais a ver com crítica ou faço de uma maneira que para mim não seja lame ou então vou só sentir que estou a mandar recados. Portanto, o que eu queria era ter a certeza que fazia da maneira mais satisfatória possível, e acho que o consegui. Pronto, a música tem realmente a ver com o facto de nós olharmos muito para o lado e lá está: chegar a Madonna e isto é… e eu digo ali as coisas muito directas. A verdade é que há muita gente que está cá e tem que bazar lá para fora porque isto aqui está mau, mas ela chega e consegue logo reunir com uma data de pessoas e ter uma moradia cá. Acho que mais directo do que aquela letra… Acho que nem é preciso eu explicar muito o que é que a letra quer dizer. Não é um ataque pessoal à Madonna. Ela tem mais que fazer do que levar com o meu ataque pessoal. É realmente para nós. É um puxão de orelhas para nós.

Em Portugal também existe a ideia que para ter sucesso é preciso facilitar. Concordas?

Claro. É um bocado transversal ao mundo inteiro, não é só em Portugal, mas eu sinto ainda que Portugal ainda é um bocadinho mais fechado nesse sentido. E eu acho que é cultural. Atenção, isto levava-nos para uma conversa… Para já tivemos numa ditadura até há muito pouco tempo, nós temos uma educação muito cristã que nos Estados Unidos é completamente diferente. Eles são cristãos, mas são protestantes, evangélicos. E eu acho que nós temos muito aquela coisa do coitadinho é que é bom. Enquanto eles lá vêem uma pessoa a ter sucesso e querem imitar. Basta tu veres até a nível de hip hop: qualquer bacano do bairro quer saber como é que o Jay-Z conseguiu. Admira genuinamente o Jay-Z por ele ser um CEO hoje em dia. Aqui ele era bom quando gravava os videoclipes com o telemóvel e não tinha sucesso. Nós até mesmo com o Cristiano Ronaldo queremos é encontrar as fotos de quando ele não tinha dentes e gozar com ele. O gajo conseguiu, trabalha todos os dias… Portanto, acho que é uma coisa que existe no mundo inteiro, mas nós temos um bocadinho mais disso. Só o facto de ter sucesso, e às vezes até ganhar algum dinheiro, é uma coisa que nos faz alguma confusão.

Se não me falha a memória, tu foste dos primeiros artistas a utilizar auto-tune em Portugal. Aliás, hoje em dia só alguns nomes do hip hop nacional é que começaram a recorrer ao auto-tune. Lembras-te quando é que começaste a utilizar essa ferramenta e qual é que foi a razão para o fazeres?

Ouvia e fazia muito dancehall na altura em que comecei a usar auto-tune. E o meu artista de dancehall favorito era o Munga, que usava auto-tune até à quinta casa. Era a imagem de marca dele. E eu curtia muito. Ainda hoje eu curto bué fazer isso. É uma das maneiras, principalmente para coisas mais de hip hop. Não vou fazer numa balada ou assim. Eu adoro. Imagina: pões-me na cabine do estúdio, colocas beats, beats, beats e auto-tune e eu fico-te a fazer melodias a tarde inteira. E curto. E depois se for preciso, pego nessas melodias e naquilo que eu gosto mais e aí assim vou começar a escrever letras por cima. É aquilo que nós meio a gozar chamamos fazer iogurtes, estás a ver? E eu curtia muito fazer isso. Para já, tudo o que é estranho a malta primeiro gosta de embirrar. Mas acho que é um lugar comum, e até um bocado confortável, dizer que não se gosta disso. Agora eu acho que é como tudo: acho que devemos usar as coisas quando não precisamos delas. Eu sei que no dia em que acabar o auto-tune pego no microfone, abro a goela e canto. E a malta acha, com alguma ignorância, que existem milagres. Ou seja, que uma pessoa canta completamente desafinada e depois veio o auto-tune e virou a Maria Callas de um dia para o outro. Tens que saber fazer melodias à mesma, tens que saber escrever, tens que saber cantar.

Os beats são todos teus. Foi tudo feito a partir de 2015 ou tinhas instrumentais mais antigos?

Não, foi tudo feito praticamente quando saiu o Leva-me a Sério. Eu sou o gajo que está sempre com computador e fones a fazer beats. Até já pus no meu carro uma coisa para ligar ao isqueiro para conseguir ligar a fonte de alimentação do computador. Dessa forma vou para os concertos sempre a produzir.

Grande parte dos instrumentais são trap. Isso é um reflexo do que andas a ouvir? 

Imagina: só mesmo aquele fã ferrenho é que ouve os álbuns do início ao fim. A maioria das pessoas ouve os singles, o que passa no rádio. Mas eu sinto, e até com este som “Fala Demais”, que saiu agora, tenho lá malta a dizer, “pronto, agora virou-se para o trap”. Eu faço trap desde o meu álbum em 2010. Lá está: com auto-tunes a fazer estes flows marados. Mas eu tenho noção que há malta que já nasceu em 2009, portanto não sabe. Nem eu fico ofendido. Mas dá-me sempre alguma vontade de rir quando a malta diz “pronto, agora está a imitar porque está na moda”. Eu não os escolhi como singles, mas eu consigo olhar para o meu primeiro álbum, para a mixtape, para o Leva-me a Sério e para este e em todos consigo dizer qual é que é o “Parte-me o Pescoço” deste álbum, qual é o “Fala Demais” do Leva-me a Sério. Eu sempre tive baladas, música pop, trap pesado…

Mas o que é que está na tua playlist?

Obviamente que ando a ouvir tudo o que é esta cena nova. Curto os Lil Uzi Verts, curto Future, que já não é assim tão recente. São vibes que se andam a ouvir agora e que comigo sinto que foi gradual. Não foi aquilo de “epá, descobri o Future ontem”. Dantes não se chamava trap, isto veio do crunk, que era o dirty south, e que eu já fazia, que era aquele estilo de som de snap your fingers, que veio com o Lil Jon e essa malta. Eu sempre ouvi um bocadinho e acho que foi sempre uma evolução: o que eu ouvia há 20 anos não é o que eu oiço agora — tirando aqueles clássicos que eu hei-de gostar a vida toda –, mas eu acho que até foi consistente a evolução do que eu ando a ouvir e do que eu ando a fazer. Agora, eu sou e sempre fui um gajo muito mais de olhar para a frente do que para trás. Ou seja, eu sempre gostei — não vou dizer do que está na moda –, mas há aquela malta do, “mano, bom bom era os anos 70, a Motown”. Eu conheço, também gosto de ouvir, mas é isso: sou zero nostálgico. Sou muito mais do, “quais são as trends agora?” ou tentar perceber, que isto é que é cena engraçada, o que é que poderão ser as trends daqui a dois anos. Tenho muito mais este mindset por aí, mas oiço um bocadinho de tudo.

As três últimas faixas do disco são as mais calmas. Foi propositado?

Sim. Eu gosto de finais felizes [risos]. É a cascar, mas no fim acaba tudo bem.

 



Estavas a falar da “Falas Demais”, o único tema que tem outra pessoa creditada na produção, o benji. Como é que aconteceu esta colaboração?

Imagina: esta música já teve três ou quatro versões. Teve uma versão comigo sozinho, já teve uma versão com uns rappers aí muito da praça, muito conhecidos por aí e que não interessa dizer os nomes, e depois acabámos por não usar. E depois voltou a ter uma versão minha sozinho em que eu só usei o refrão, mandei os versos à vida e fiz um verso novo. Foi daquelas músicas que fiz logo mal acabou o álbum e já não foi para o Leva-me Sério, mas eu começo a ouvir tanto tanto tanto que já preciso depois de alguém para me chegar ali e fazer aquilo a que se chama a pós-produção. Não é uma questão de estar farto, mas parece que embiquei ali e já não saio muito dali. E o benji chegou e realmente foi isso que ele fez, ainda por cima o verso era todo diferente do que eu tinha. “Mano, bora fazer uma paragem aqui, volta a pôr”. Pronto, tem essa pós-produção. Foi aquele extra que eu acho que ele deu, e deu bem.

E já conhecias o trabalho do benji?

Já. Através do ProfJam. Conhecia o trabalho, pessoalmente não. O Prof é de Telheiras, por isso conheço-o desde back in the days. Um dos primeiros sons que ele gravou foi em minha casa, o Mike El Nite a mesma coisa. Portanto é tudo malta dali e que eu vou sempre seguindo, embora a malta não me veja muito associado a eles, mas estou sempre atento ao que é que eles estão a fazer.

Tens um som chamado “Zona T” neste disco…

Ya. E vamos fazer coisas juntos, mais para a cena dele do que para a minha. Eu faço mesmo questão de saber quem é que são os putos porque, a mal ou bem, já há uma geração a seguir à minha. E eu faço questão de saber qual é que é a geração a seguir à minha, que podia chegar aqui e dar um input numa cena qualquer. Sempre gostei de misturar. Às vezes existem coisas mais visíveis — que é fazer featurings com outros artistas –, mas também gosto desta parte do, “mano, bora lá para o estúdio fazer dez beats, mesmo que não saia nenhum”. E foi isso que se passou. Por acaso fez, foi feliz, está feito. Se também não tivesse feito nada de jeito, a gente trabalhava no dia a seguir.

Também reparei que tinhas uma foto com o Estraca no teu Instagram. Ele faz parte da tua agência, certo?

Sim, está na agência também. Cheguei ao contacto com ele através do Madkutz. E o puto anda a fazer cenas que é impossível não se darem por elas. E eu tenho este hábito de, principalmente se tivermos amigos comuns, mesmo sem qualquer tipo de compromisso, dar o toque. Mandei-lhe mesmo mensagem para o Instagram: “parabéns, mano, ganda cena”. Porque senti uma coisa que é: no meio de tudo o que está a acontecer que é branco, ele é o preto. Percebes o que eu estou a dizer? É o diferente. Lá está: no meio de tanto trap, há uma pessoa a fazer um boom bap. E mais interventivo. E decidi convidá-lo para jantar. “Eu não te vou fazer proposta nenhuma, não te vou fazer nada, eu quero ir jantar contigo”. Fomos a um restaurante de um amigo meu, que é essa foto que tu vês, tivemos os dois a jantar. Ele acabou o jantar a dizer uma coisa que gostei: “o que eu mais curti na tua proposta foi não ser uma proposta”. E ele estava numa fase… Estava realmente com muita gente à volta que dizia, “vem para a minha agência, vou fazer de ti…” E eu fui o único gajo que disse, “só quero jantar contigo”. E foi isso que o gajo curtiu em nós. Depois nós também temos um espírito muito familiar. Claro que nos preocupamos com o que é que bate ou o que não bate — não deixamos de ser uma agência e é esse o trabalho –, mas se nós não sentirmos a pessoa… Só pelos números não. E o gajo curtiu. Eu não apareço muito associado a ele porque acho que para ele, nos dias de hoje, para aquilo que ele quer atingir e para as coisas que ele quer fazer, nem é fixe ele aparecer ao lado do Agir. Não faz sentido, são projectos diferentes. Eu gosto de acreditar que sou uma pessoa humilde nesse sentido. Eu não quero nada dizer, “mano, isto do Estraca fui eu que fiz”. O videoclipe todo do Estraca — este último que saiu — fui eu que o realizei. Nem sequer aparece lá o meu nome. Não quero. A seu tempo acho que as pessoas vão saber.

É engraçado: um disco com tantos beats adequados para rappers e os únicos convidados são o Diogo Piçarra e a Ana Moura. 

Os rappers e os trappers estão cheios de medo [risos]. Estou a brincar. É uma provocação. No caso do Diogo foi muito natural. Mais do que gravar comigo ou não, vai a minha casa muitas vezes… 90% das pessoas com quem eu gravei até hoje ou trabalhei são pessoas que eram ou se tornam amigos e tem que haver essa química. No caso da Ana Moura, eu estava a compor a música, e devo ser meio esquizofrénico porque oiço vozes, e quando estava a fazer o refrão soou-me ao timbre dela, meio rouco ainda por cima. Obviamente afadistado, mas rouco. Depois tive a sorte de termos amigos em comum, mostrar-lhe o som e ela ser maluca o suficiente para alinhar. Pronto, e acho que o resultado saiu bem.

Tu és um produtor na verdadeira acepção da palavra. Existe algum artista português a quem gostasses de produzir um disco inteiro?

Eu tenho sido mesmo muito sortudo. Até agora, acho que conto pelos dedos das mãos as pessoas com quem eu gostava de trabalhar e que me disseram que não, ou que não aconteceu.

Falava mesmo de um álbum completo. 

Por razões familiares, que também não é sabido, não é meu padrinho porque não sou baptizado, mas assumiu-se como meu padrinho desde o dia em que eu nasci, gostava mesmo muito de produzir um disco do Carlos do Carmo. Já esteve mais longe [risos].

Tens produzido para nomes como o Valas, Jimmy P ou Carlão. Como é que funcionou o processo de colaboração nessas faixas? Estiveste num estúdio com uns e enviaste pastas de beats para outros?

Para já, uma coisa que eu acho que é importante, e nos dias de hoje as pessoas já sabem que existem diferenças: para mim, há um trabalho de beatmaking e há um trabalho de produção. Um produtor e um beatmaker para mim são coisas diferentes. E há muitos aqui, principalmente a nível de rappers, que é uma coisa mais de beatmaker. Dei ali uma ajuda no Valas com o refrão, mas foi uma coisa muito mais do, “olha, estive a fazer o beat à tua frente, está aqui o beat, muda aqui um kick e um snare, mas tens aqui o beat e vai à tua vida”. No Carlão nem sequer estive com ele. Ele estava à procura de não sei quê para fechar o álbum, eu mandei-lhe dois ou três beats e ele gostou daquele. Depois mandou-me o som completamente fechado e eu, “olha, fixe”. Não tive a parte de composição da coisa. Mas acho que não há processos iguais.

Com o Jimmy P foi diferente?

Com o Jimmy também tivemos mesmo em estúdio. Cada caso é um caso. Nós também, hoje em dia, estamos a viver numa altura em que há necessidade de lançar muito rápido, e muita coisa, se calhar às vezes isso deixa menos tempo para aquela parte de fazer uma música com calma. Já aconteceu tudo, já aconteceu malta que vem mais desafogada de tempo, outro é naquela onda do, “mano, tenho aqui já o beat feito, mas precisava da tua magia no refrão”. Já aconteceram de mil e uma maneiras.

Já tens um grande espectáculo marcado para Junho. O que é que estás a preparar?

Já estou com uma agenda que nos deixa muito satisfeitos, mas realmente estamos a promover muito o Rock In Rio. Para já, é a data mais importante que eu vou ter. Acho que não há nenhum cantor, músico, whatever que não tenha o sonho de pisar o Palco Mundo do Rock In Rio e, como tive essa sorte deste ano ser eu, se eu já ponho um esforço extra em tudo o que faço, aqui vou pôr a dobrar ou a triplicar. A malta pergunta, “mas vais preparar alguma coisa especial?” Especial será sempre, mas calhou bem ser um ano de álbum novo, em que eu estou a preparar um espectáculo novo, portanto não vou ter aquela onda do “bem, já estou a tocar as mesmas coisas há um ou dois anos e agora tenho mesmo que puxar pela cabeça”. Não. Acho que as coisas aqui alinharam-se minimamente e calhou mesmo numa altura em que eu ia já preparar uma coisa nova de qualquer das maneiras.