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SBSR: A coroa assenta tão bem a Kendrick Lamar

[TEXTO] Alexandre Ribeiro [FOTOS] Hélder White

 

Confirmaram-se as expectativas que levaram a que 16 de Julho fosse o único dia do Super Bock Super Rock que esgotasse: Kendrick Lamar é O artista desta geração. O MEO Arena esteve cheio para assistir a este momento histórico e K-Dot não desiludiu as dezenas de milhares de pessoas que se juntaram para a celebração do hip hop, mas também do jazz, funk e soul.

 


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“Look both ways before you cross my mind”, pôde-se ler nas costas de Kendrick Lamar durante todo o concerto de ontem. A frase de George Clinton, uma influência gigante no MC de Compton e o principal impulsionador do P-Funk, fez todo o sentido durante o concerto: a magia de Kendrick não vem só das palavras, mas também do controlo total da banda e que faz lembrar outros mestres como James Brown ou Miles Davis.

 


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A música em primeiro lugar com Kendrick Lamar. A banda que o acompanha não deixou dúvidas que parte do sucesso do artista de Compton vem de quem ele escolhe para estar a seu lado e canções de good kid, M.A.A.D City como “Money Trees”, “m.A.A.d city” ou “Backseat Freestyle” ganham uma costela rock que torna ainda mais impressionante toda a performance ao vivo.

 


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E se vivemos numa altura em que podemos assistir à consagração de dois dos melhores jogadores de futebol de sempre, será assim tão descabido começar a pensar em Kendrick Lamar como um dos melhores MCs de sempre? O alien que ontem aterrou no MEO Arena foi fiel ao que é nos seus álbuns: monstruoso a controlar os tempos – e quando acelerou foi inacreditável na forma como nunca falhou nas respirações -, dono de uma panóplia de flows que envergonhariam 90% dos MCs e com sensibilidade musical para colocar a sua voz em instrumentais que vão do jazz – “For Free?” é um dos exemplos do nível de complexidade lírico de K-Dot – ao hip hop que se respira hoje em dia – “Bitch Don’t Kill My Vibe” e “Backseat Freestyle” são dois clássicos que saltam do seu segundo álbum.

 



Se o artista não pode viver sem o público, Kendrick Lamar teve direito à melhor recepção que se poderia antecipar, sendo um dos momentos mais memoráveis da noite  durante um intervalo de cinco minutos onde o público agradeceu o imenso talento de K-Dot – e que deixou o artista visivelmente emocionado. Compton aproximou-se de Lisboa como se fossem um só – a ideia de união e comunhão tem pegadas por todo o seu reportório – e a audiência presente era também um reflexo disso: pobres, ricos, negros e brancos a festejar como se não existissem barreiras. Se a revolução não vai passar na televisão, Kendrick Lamar fá-la cada vez que sobe a palco.

 



O fim trouxe a tríade maravilha: “King Kunta”, “I” e “Alright”, autênticos hinos a saírem de To Pimp a Butterfly – obra que, muito provavelmente, será olhada daqui a alguns anos como um marco na história da música universal. O MEO Arena esteve numa espécie de transe espiritual durante todo o concerto e, de certa forma, parece que ainda não saímos de lá…

 


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