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Fotografia: Robb Klassen
Publicado a: 29/10/2021

Na última sexta-feira de cada mês, Miguel Santos escreve sobre artistas emergentes que têm tudo para tomar conta do mundo da música.

Abram alas para… Silas Short

Fotografia: Robb Klassen
Publicado a: 29/10/2021

Para toda a arte, há um artista, e para todo o artista há uma origem. Keith Richards recebeu a primeira guitarra do seu avô. Anos depois, encontrou num sonho o estiloso riff de “Satisfaction”. Silas Short estilhaçou um osso na mão esquerda, um acidente que quase o afastou da música. Mas desse infortúnio surgiu uma abordagem mais pessoal à guitarra, que o levou a desenvolver o seu estilo pessoal de tocar. Este “liquidstyle” — como é apelidado pelo próprio — pode ser ouvido em grande destaque na calorosa e convidativa “ROOMS”, uma música escrita em maiúsculas melhor apreciada na companhia de uma caneca de chá quente. Este bonito single antecedeu o seu projecto de estreia, o EP Drawing, e, infelizmente, sabemos pouco sobre a origem do saudoso riff central deste tema. Sobre o artista que o criou, podem continuar a ler para descobrir. 

Silas Short cresceu em Milwaukee, entre a cidade e os seus subúrbios, e actualmente reside em Chicago. Há uma quietude inerente à sua música, transmite calma e conforto, sussurros gentis aos ouvidos dos ouvintes. Essa quietude ressoou a mais de 3200 quilómetros de distância, em Los Angeles, aos ouvidos de Peanut Butter Wolf e da mítica Stones Throw Records, que anunciou a contratação do artista na primeira metade deste ano. “Cloudy June”, o primeiro single de Short sob a alçada desta editora e tema que abre o EP, mostra uma simbiose entre a voz e a guitarra, e o instrumento é tão central quanto as palavras cantadas por si. As seis cordas desvendam melodias para os ouvidos em transições suaves, num papel que ocupam ao longo do curta-duração do artista. 

Drawing surge de um bloqueio criativo, e de como Silas Short saiu desse bloqueio. Pôs as palhetas (e as baquetas) de lado e experimentou as artes visuais. Os seus desenhos deram-lhe uma nova perspectiva em relação à sua música, e permitiram-lhe criar um projecto com influências que vão desde o r&b ao rock alternativo. São cores numa tela maior, que tanto pode encantar com os seus tons de “Queen of Paisley” como provocar inquietação com os seus tons de “BOGUS”, temas tingidos com as experiências e vulnerabilidades do seu autor. O quadro final é um conjunto de ideias interessantes, e ainda que por vezes Drawing faça jus ao gerúndio que lhe dá título, fica a convicção de que é o início de algo maior. 

Após o acidente de Silas Short, um médico disse-lhe que nunca mais voltaria a tocar guitarra. Mas o músico adaptou-se, e juntamente com a sua fiel companheira, inicia agora um percurso musical que podia nunca ter começado. É uma história de perseverança, de luta contra as adversidades, que pode ser ouvida em cada uma das notas de guitarra que Short entoa. É a origem de um artista e da sua arte, conquistando aquilo que parecia impossível.


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