A vista do palco

[TEXTO] Mafalda Deylhot (ao centro na fotografia)

 

Quando decidi ficar seis horas no palco ATP para conseguir um bom lugar para Run The Jewels, que apenas actuavam quase às duas da manhã, já sentia que ia valer a pena. Quando me reconheceram como uma fã, talvez um pouco chata, já o dia estava ganho.

Run the Jewels 2, para mim, é um álbum excelente: começa muito bem e acaba da melhor maneira. “Angel Duster” é o meu tema favorito do álbum, talvez até o melhor da banda, e quando me apercebi que no Primavera Sound de Barcelona não a incluiram no alinhamento, decidi passar uma semana a pressionar o duo nas redes sociais para que o fizessem. É uma musica que para mim tem um dos instrumentais mais intensos do álbum e sonhava conseguir sentir a música ao vivo, pois imaginava um jogo de luzes que coincidisse perfeitamente com as batidas da música. Além de tudo isso, tem uma letra bastante inteligente.



O EL-P, no dia do concerto, respondeu-me no Twitter “We get it! you want us to perform angelduster!” e, para mim, o meu objectivo já estava alcançado. Passei o dia com grande esperança que eles cantassem essa só por minha causa. Quando finalmente começou o concerto, uma rapariga ao meu lado tinha um cartaz com “ANGEL DUSTER” escrito e deduzi que eles a fossem confundir comigo. Chamaram-na ao palco, e eu, obviamente, fiquei um pouco chateada. Pedi a pessoas do público que me ajudassem a saltar para lá das grades e quando a “Love Again” acabou gritei que era eu a rapariga das redes sociais que passou a semana a massacrá-los. Eles riram e pediram-me para subir ao palco e foi das experiências mais fantásticas de sempre!


 


Foi super inesperado, nada do género alguma vez me tinha acontecido. Não se podia ir mesmo para o meio do palco, mas o Killer Mike chamou-me e eu esqueci por completo que estava no palco de Run The Jewels, num festival gigantesco. Não conseguia parar de cantar e de dançar e, tanto o El-P como o Killer Mike, foram bastante simpáticos, especialmente quando o Killer Mike me abraçou, talvez por eu estar tão “fora de mim”, o que numa situação destas é compreensível.

Eles cantaram a “A Christmas Fucking Miracle” e saíram do palco e eu pensava que já tinha acabado. Mas eles disseram “esperem 2 minutos” e voltaram a entrar e acabaram o concerto então com a “Angel Duster”. Referiram “this one is because of you girls” e nunca imaginei que, um dia, uma das minhas bandas favoritas fosse dar atenção a um pedido meu, embora tivesse sido um pouco chata a semana toda.

No final eles tiraram uma foto connosco e o Killer Mike até disse “you were fucking persistent, man” e eu achava que ia estar mais nervosa, mas pedi desculpa por ter sido chata e que apenas queria muito ouvir a música ao vivo e eles riram e disseram “no problem, much love“. Foram incríveis. Agora só me resta esperar que voltem cá, pois quem não teve a oportunidade de os ver actuar, não vai entender o quão agressivo foi o concerto. Mas de uma boa maneira, claro.

 

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