A ‘realidade’ segundo Vince Staples

[REPORTAGEM/FOTOS] Ricardo Miguel Vieira, em Londres

 

“Não te deixas apanhar pela lama”, alerta Vince Staples. Rosto jovem, expressão frontal. É disferido com com peso e medida pelo rapper de Long Beach, Califórnia, no último aperto de mão à saída da nossa conversa na cafeteria de um hotel discreto e sofisticado no centro de Londres. É intencional. Um carimbo vermelho sobre tudo o que conversámos nos últimos minutos. Uma mensagem para entrevistador e leitores..

Há um contexto para esta nota de rodapé: Vince Staples, 22 anos, está desde há cerca de duas semanas na mira da comunidade hip hop global online por via de uma série de declarações à revista Time sobre a cultura pop dos anos 90. “Os 90s recebem muitos créditos e eu não sei porquê”, terá sido uma das frases-rastilho para todo um incêndio que se alastrou aos media. Sites de publicações especializadas rapidamente embeberam os tweets de Staples em acessas discussões com fãs, e até rappers da velha escola, como N.O.R.E., em artigos-debate sobre a Golden Era. Daqueles com títulos fancy, ainda que reinterpretando as palavras originais de Staples, para instigar os cliques.

A escalada do acontecimento não deixou, porém, o ex-crip de sangue quente. Nem sequer o fez correr para um estúdio para gravar uma faixa diss para os haters. “Eu não quero saber”, repetiu por diversas vezes sobre o assunto. Ainda assim, é uma boa deixa para os seus espectáculos. Staples gosta de interagir continuamente com a audiência, principalmente por via da ironia ou da confrontação saudável. Voltou a fazê-lo no dia seguinte, no Cargo London, espicaçando o público com divagações ironicas sobre a comunidade hip hop dos anos 90. O público, certamente dentro da faixa etário de Staples, sublinhe-se, acolheu o tom com gargalhadas.

E até o seu manager, Corey Smyth, um histórico que já trabalhou, por exemplo, com os De La Soul, gosta de intervir sobre o assunto. Tal como aconteceu na nossa conversa. “Não te deixes apanhar pela lama.”

 


[“NINGUÉM PODE DESAFIAR IDEIAS DE NINGUÉM”]

 

Que razão atribuis para a comunidade e os fãs de hip hop levarem a peito quando alguém questiona a importância dos anos 90 nos dias de hoje?

Não têm mais nada para fazer e simplesmente querem chatear-se. Isso para mim não é um problema porque, a bem da verdade, ninguém vai fazer nada [em relação ao que eu disse]. Então, para quê andar a fingir? Não me interessa o que fazem os fãs de rap. É uma escolha deles [continuar a ouvir e lutar pelo hip dos anos 90], podem fazer o que quiserem.

 

É um pouco aquela situação das pessoas que dizem que gostavam mais de determinado rapper nos seus primeiros álbuns do que nos mais recentes. Ouves muito isso, neste caso sobre as tuas mixtapes?

Sim e não me incomoda, as pessoas gostam disso porque lhes diz alguma coisa, é isso que os liga a esta comunidade. As pessoas levantam as armas quando digo que em miúdo gostava do Lil’ Bow Wow. Então pergunto-lhes: quando eram mais novos não gostavam de Kid ‘n Play? Ou MC Hammer? Ou Kool Moe Dee ou Kurtis Blow? Era tudo rap engraçado e feliz.

 

Onde é que então dirias que a cultura hip hop dos 90 encaixa na nova geração?

Diria que não sei onde a cultura hip hop dos 90 encaixa na nova geração porque não é uma questão que me preocupe. Eu escutei tudo daquela era e nunca disse nada sobre se algo era bom ou não. Só não compreendo toda a nostalgia em torno de uma era. A entrevista [à TIME] foi sobre ‘cultura pop nos anos 90’. Se estamos a falar estritamente sobre ‘cultura pop’, então, convenhamos, a maior das eras para se debater é aquela onde se inserem Lil’ Wayne, Kanye West e Eminem.

 


 


Portanto os anos 2000…

Se descermos uma rua e perguntarmos a um miúdo de 13 anos quem são os rappers dos anos 90, ele não vai conhecer a maioria porque esta não penetrou a cultura pop. Nós podemos fingir que sim, mas isso não aconteceu e essa é que é a verdade. Todos sabem quem é o Eminem. Todos sabem quem é o Snoop Dogg e a maior parte não será por causa de Doggystyle. Todos sabem quem é o Jay-Z, mas a verdade é que a maioria desconhece Reasonable Doubt. Não interessa como as pessoas se sentem em relação a isto, esta é a verdade. Há pessoas de todas as eras que toda a gente conhece, mas se estamos a falar da época em que o hip hop realmente penetrou a cultura pop, então não será necessariamente os 90s. Portanto, podemos todos fingir ou então posso estar errado.

 

E mesmo que estejas errado, como mencionaste antes, nada vai acontecer, foi só um debate hyped pela própria natureza da conexão social dos dias de hoje…

Até DJs [se insurgiram no Twitter], há muitos com certas coisas para dizer [sobre a 90s era]. Então pergunto: quando é que foi a última vez que tocaste uma malha dos 90 na rádio – a uma hora relevante, não é às duas da manhã? Quando é que foi realmente a última vez que empurraste o hip hop para a frente? É que da última vez que consultei, estiveste a passar Fetty Wap o dia todo. Estavas a passar Future, a passar Drake, porque é para isso que te pagam. O meu manager [Corey Smyth] trabalhou com os De La Soul e se eu precisar de alguma opinião ou knowledge, vou perguntar-lhe a ele e não a uma pessoa que não esteve lá ou que não foi relevante para a época, porque muita gente teve opiniões sobre o que eu disse, desde artistas a fãs, mas eles não estiveram lá. Há quem diga, ‘nasci em 1993 e cresci com o hip hop dos anos 90, blá, blá…’. Bom para ele. Mas certamente que essa foi uma conversa bem desconfortável no refeitório da escola. Vão dizer que estavam na 4ª classe e já debatiam Cormega?

 

Todo este incêndio que alastrou das redes sociais para os media é fruto da cultura em que vivemos, de rápido julgamento de headlines, de poucas palavras mas imensos significados…

Há pessoas que me dizem, ‘tu não és um verdadeiro crip por causa disto e daquilo’. Estas pessoas são todas de Nova Jérsia ou sei lá de onde e não sabem nada sobre o sítio de onde venho. Tudo o que sabem aprenderam na televisão. Por isso, as pessoas não compreendem a realidade destas situações. Haver malta a dizer que faz merdas [em gangs] não tem problema algum quando isso é entretenimento, não quando pode mudar e moldar uma cultura por inteiro. Pensa assim: a grande maioria dos rappers de que me recordo desde miúdo – e corrige-me se estiver errado, Corey – eram vendedores de crack. Não me recordo, enquanto miúdo, de praticamente nenhum rapper da minha área que não vendesse crack. Olha para o movimento trap: não digo que seja uma verdade absoluta, mas é um facto que uma grande maioria vende crack e cocaína. Em 2015. Mas eu é que sou o problema porque não gosto de alguma coisa.



Corey Smyth: O jogo está cheio de personas e isso nunca teve qualquer problema. O que ele quer dizer é que não quer fazer parte desse jogo. O que tens são pessoas que têm um problema em serem elas próprias. O Vince está sempre certo? Não. Pode ter a sua opinião pessoal? Claro que sim! Por favor, aos 22 anos, forma uma opinião! A maioria dos miúdos da idade dele com quem me cruzo não tem uma opinião pessoal, baseia-se na cultura pop e no que outros dizem. Todos vestem a mesma roupa, todos calçam Yeezy’s porque o Yeezy anda com uns iguais. Ninguém está a trilhar novos caminhos. Os rappers e os músicos deviam ser esses construtores e não é isso o que acontece hoje em dia.

 

VS: Não acontece mesmo. De modo algum.

 

CS: Esse é que é o problema, e o facto de haver uma repercussão e constante comunicação sobre algo que, mais uma vez, não foi dita. Vamos lá lidar com o que ele realmente disse. Eu vivi aquela era e incomoda-me que as pessoas se atirem ao Vince quando não estiveram lá a lutar para que as coisas realmente seguissem o seu curso. Não estavam lá a lutar para meter malta como os De La Soul, Mos Def, Talib Kweli, Pete Rock em programas como o do Dave Chappelle quando não havia mais plataformas. Portanto, não vale a pena atirarem-se a um rapaz que simplesmente disse que era um miúdo em 1993 e que por isso não pensa numa era sobre a qual não viveu.

 

VS: E repara, eu nem disse nada sobre música: nós estávamos a debater a cultura pop. Ninguém tem uma identidade própria. A tua identidade é o Twitter. Ninguém pode desafiar as ideias de ninguém…

 

CS: Nada! Ele mandou piadas sobre os Backstreet Boys e Spice Girls e N’Sync. Os únicos dois rappers que mencionou foram o Biggie e o Pac e depois assentiu que a seguir a eles não surgiu [na segunda metade dos anos 90] um Kanye, um 50 Cent que se destacasse, o que é verdade. O que as pessoas não se apercebem é que também houve muita cena má de 93 para a frente. Investiguem, o mercado estava cheio de cenas wack.

 

VS: Sejamos honestos: se voltássemos [à conversa do Twitter] e perguntássemos se alguém conseguia recitar os versos de Mobb Deep, quem é que achas que se atreveria contra mim? Eu sei todos os versos daquele álbum [The Infamous]!

 

CS: Os Mobb Deep estavam na frente. Estavam simplesmente a ganhar naquela época.

 


 


[“FUCK NO!”]

A conversa com Vince Staples acontece na véspera do seu espectáculo no Cargo London, mais um entre muitos espaços nocturnos de Londres que opera nas arcadas de um circuito ferroviário. A sala onde o rapper actua – há pelo menos quatro diferentes no club – está pelas costuras. Os bilhetes, limitados, esgotaram há semanas.

O alinhamento percorre essencialmente as duas principais compilações no portfolio de Vince Staples: Summertime ’06, o seu disco de estreia, lançado este Verão; e Hell Can Wait, o EP que editou em finais de 2014.

O EP foi o primeiro lançamento de Staples em nome próprio após ter dado nas vistas em colaborações com membros dos Odd Future. A sua inclusão em três faixas de Doris, de Earl Sweatshirtforam o impulso para que, um ano mais tarde, estivesse no estúdio a rimar para discos da sua autoria, que, por sua vez, abriram portas a colaborações com outros nomes grandes, como Madlib.

A importância de Hell Can Wait para o Summertime ’06 foi, apesar de tudo, pouco destacada. Se o álbum é um longa história sobre a sua vida como um crip, a ver os amigos desaparecer (levados pela morte ou pela justiça) e a vender droga nas esquinas por iniciativa dos pais, o EP é o prólogo dessa narrativa. “65 Hunnid” foi das primeiras a tocar. “Blue Suede“, esse proto-single de estímulo ao neutórico, provocou uma transformação no ambiente. Nem Damon Albarn, figura associada, entre outros, a Gorillaz, ficou indiferente, pulando ao longo dos poucos minutos a que assistiu ao espectáculo.

O que fica para a história é que Hell Can Wait já endereçava com frieza os temas que perturbam Vince Staples. Os mesmos que escutámos em Summertime ’06. Os mesmos que escutamos nas notícias que nos chegam da América. “Hope I outlive them red roses.”

 


Falavas dos males da cultura hip hop…

O problema da cultura hip hop é que se preocupa com todas as coisas erradas. Nós exigimos respeito a uma coisa que literalmente desrespeita as mulheres, modéstia, homossexuais e os seus próximos. Então, exiges respeito ao quê? Querem tomar-me como um problema para a cultura hip hop, mas ninguém diz nada quando esta perpetua a violência, o abuso de drogas na adolescência… Porque é do hip hop que eles apanham estas influências. Podes dizer a um miúdo para tomar drogas e a outros para se matarem uns aos outros, mas que ninguém se atreva a não gostar da música de há duas décadas? O problema não são as armas e a droga? Que sentido é que isso faz?

 

Alguma coisa mudou na tua zona ou na América nos últimos dois anos com tudo o que se tem passado em torno do racismo institucional e do #BlackLivesMatter?

Achas que alguma coisa mudou desde que… Fuck no! Por que raio havia de mudar quando não há necessidade alguma que isso aconteça e queremos é debater sobre o hip hop dos 90… Lembras-te da Sandra Bland?

Sim…

Eu também.

 


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Summertime ’06 sou eu a dizer a verdade porque não vejo muita gente a fazer o mesmo.
– Vince Staples

 


Há uma total descrença de que as coisas mudem algum dia. Não acreditas que venha o dia em que tudo muda?

Lembras-te quando o Kendrick Lamar foi atacado por dizer que temos de ser responsáveis pela nossa própria comunidade e defendermo-nos a nós próprios destas merdas todas? Soa bonito não é…

 

Agora que mencionas o Kendrick Lamar – e tendo em conta que “Alright” se tornou um hino do movimento pelos direitos dos negros nos EUA –, o hip hop tem um papel importante na transformação social norte-americana…

As pessoas têm um papel importante. Não me interessa o que tu fazes. O Martin Luther King não era um rapper. Não me interessa se fazem música ou não. As pessoas têm um papel importante. Existem mais pessoas do que rappers. Se pesarmos na balança, então vais ter 10 rappers a dizerem algo realmente importante e 100 mil pessoas a dizer merda sobre a Million Man March, como aconteceu há pouco tempo. E os media não disseram nada sobre o evento. É o trabalho dos meios de comunicação cobrir estes acontecimentos. Preferem falar sobre a opinião de alguém sobre rap do que reportar sobre um milhão de pessoas a marchar pelas ruas rumo ao capitólio?

 

A partir do momento em que um tweet teu é agora reportável, sempre podes aproveitar isso para ajudar a mudar perspectivas…

Ainda no outro dia sentenciaram um amigo meu a três perpétuas e ainda somaram mais 75 anos em cima por uma primeira ofensa num crime não violento. Isso é algo que me assusta de verdade. Não temos de matar ou magoar alguém para nunca mais vermos a luz do dia. E quantos retweets é que isso teve? – [pergunta a Corey Smyth] – Uns 15? 20? [A vida no Twitter] Não é real, isso não me interessa para nada.

 


 

 


[“ESCAPAR DA FALSA REALIDADE”]

À medida que o concerto avança, Staples revisita os temas mais marcantes de Summertime ’06. “Norf Norf“, “Dopeman”, “Señorita“. Este último provoca uma autêntica explosão de pulos entre o público. O rapaz sabe provocar, gritando “bounce, bounce” para que todos tirem o pé do chão e o acompanhem numa entrega total à performance.

Vince Staples é uma história já conhecida – é um ex-crip como foi referido acima -, mas não apresenta as marcas exteriores que são regularmente visíveis num rapper que emerge desses mesmos territórios de asfalto pintado a sangue e pólvora. Não tem tatuagens com o nome do gang. Não glorifica, nas suas líricas, a vida nas ruas. Não incentiva às armas. Não relata noites brindadas a álcool e drogas.

Nem por isso, contudo, Summertime ’06 censura esses temas. Muito pelo contrário: é um espelho para essa realidade com que Staples se confronta desde miúdo – a família também estava associada a gangs. É um storytelling empírico. É o “real”, a realidade sem filtros, segundo Staples. Aquela que, afirma, já não se ouve contar frequentemente no rap dos dias que correm.

 


Já na entrevista à TIME também deixaste no ar a dúvida sobre o que é real no rap e naquilo que os rappers rimam e contam. Numa época em que todos gritam para fora que são o ‘realest’ do que quer que seja, o que é ‘real’ para ti?

Real é a realidade da situação [nos EUA] e isso é que é importante para mim. Felizmente, cresci com bons pais e avós que compreenderam o que eu teria de ultrapassar mais tarde na vida. O meu pai e a minha mãe atravessaram o inferno para que esta realidade não me afectasse hoje. Real é compreender a influência da música para que os miúdos da comunidade se droguem. Há pouco tempo, um amigo meu morreu por causa de uma droga que ele desconhecia por completo há dois anos. Eu sei disto porque o conhecia desde criança. Ele não fazia ideia o que era Xanax. Isso, combinado com uma realidade fodida que ele teve de enfrentar para conseguir alguma sanidade, matou-o. E onde é que ele aprendeu isso? Num rap. Isso é que é real.

 

Mencionaste numa entrevista que um dos teus maiores conflitos na vida foi ultrapassar certos estereótipos e rumores que te têm perseguido ao longo da vida. Sentes que os ultrapassaste com Summertime ’06?

[Pensa longamente na resposta]. Sim. Quer dizer, há muitas coisas com que já não tenho de lidar. Muitas coisas acontecem fora da minha vida. Depois de lidar com elas, ultrapassei-as. Segui em frente. A minha namorada conduz o meu carro a 80 milhas por hora sem carta de condução e eu é que sou mandado encostar pela polícia por causa do sítio de onde venho. Um dia um polícia em específico lá da zona disse à mãe dele e à namorada de um amigo meu que está detido que ia a um show meu para me matar. Tenho de lidar com a polícia? Não. Mas os meus PR têm. Por isso, não os ultrapassei necessariamente, mas estou bem agora.

 

Summertime ’06 é então algo mais do que apenas a tua vida? É uma fotografia mais abrangente?

Sem dúvida, mas não é necessariamente um grande passo porque nunca podes escapar da realidade. As pessoas estoiram fortunas a tentar escapar da suas próprias realidades. Não querem lidar com a verdade ou com a forma como são olhados como pessoas ou como raça. Então vão comprar uma mansão, um carro novo, sempre em busca de escapar de si próprios. Summertime ’06 sou eu a tentar escapar dessa falsa realidade.


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Ainda no outro dia sentenciaram um amigo meu a três perpétuas e ainda somaram mais 75 anos em cima por uma primeira ofensa num crime não violento. Isso é algo que me assusta de verdade. Não temos de matar ou magoar alguém para nunca mais vermos a luz do dia.
– Vince Staples

 


É um disco que também pretende dar uma outra percepção sobre ti e o sítio de onde vens…

Summertime ’06 sou eu a dizer a verdade porque não vejo muita gente a fazer o mesmo.

 

E quem nos diz que nos contas a verdade, tal como questionaste na entrevista à Time?

A vida é o que é. Se me apetecer sair e fazer uma merda qualquer, eu vou e faço. E escapo.

 


[“POR AÍ A CURTIR”]

O espectáculo no Cargo London durou uma hora, sem direito a encore. Staples pega na mochila e veste o hoodie negro sem marca que lhe é característico. Segue para a porta das traseiras, que dá acesso ao terraço do club, com Corey Smyth. Lá fora já o esperam várias dezenas de pessoas, na habitual procura pela selfie ou uma simples troca de palavras.

Dos subúrbios de Los Angeles para Londres. Ou para outra cidade europeia. Vince Staples tem agora uma nova realidade, sem que a sua história se altere por via das novas e positivas circunstâncias. O importante, contou, é aproveitar ao máximo estes momentos. E quando houver mais para contar, então entra no estúdio e traz nova sabedoria das ruas e da América.

 


Apesar de tudo o que acabas de contar, o que é certo é que agora és um rapper cuja mensagem atravessa o globo e isso certamente será positivo para expores o ‘real’. O que é que significa para ti viajar pelo mundo a espalhar a tua mensagem?

 Não sei como é que conseguiria visitar todos estes lugares se não fosse o rap. É algo muito gratificante para mim. Ainda fico surpreendido, sabes? Mas advém do trabalho árduo. Procuro levar isto o mais sério possível e absorver ao máximo e expor a melhor performance possível. Seja qual for a razão que me leva a algum lugar, vou sempre procurar dar o meu melhor.

 

E a tour pelos EUA com A$AP Rocky, Tyler, The Creator e Danny Brown que recentemente terminaste deixou boas memórias?

Sim, foi fixe. Eles têm o hábito de sair à noite, mas eu sou o cota. Não costumamos sair depois da meia-noite, a essa hora normalmente vou dormir. O Rocky e o Tyler são meus amigos há muito tempo. Nunca tinha conhecido pessoalmente o Danny Brown antes da tour, mas ele é boa pessoa e fico contente por nos termos encontrado.

 

Encontras semelhanças entre a vossa arte? São sensivelmente da mesma faixa etária…

O Rocky é cerca de seis anos mais velho que eu, mas eu e o Tyler temos muito em comum no que toca às coisas que ouvíamos enquanto crescemos. O Rocky é da East Coast, que é muito diferente da West Coast no que toca a influências e à música que ouves. Ficarias surpreendido por ver o quão pouco escutamos o que vem da East Coast, há muita coisa ali que não bate na West Coast. O panorama agora está melhor por causa da internet, é sem dúvida muito importante na partilha de música e se não fosse por aí então não ouviríamos o que sai da East Coast.

 

E vais fazer acontecer alguma coisa da West Coast nos próximos tempos?

Ando por aí agora. Quando faço música, faço música; quando estou em espectáculos, estou em espectáculos. Para além disso, ando por aí a curtir.

 

Ricardo Miguel Vieira

Escrevo umas linhas em revistas e sites. Cultura, música, activismo, DIY, surfing são o meu universo. Se não me encontrarem por aí de headphones entre orelhas é porque estou algures no oceano.