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Fotografia: Direitos Reservados

Amon, Xksitu, Cezar e Rost juntam-se pela primeira vez num EP de originais.

A Missão dos Top Dogs: “Este é o nosso contributo para a cultura que nos viu crescer e nos uniu”

Fotografia: Direitos Reservados

A Missão é o EP de estreia dos Top Dogs. Amon, Xksitu, Cezar e Rost são os MCs que dão voz ao projecto que foi dado a conhecer, faixa a faixa, entre Novembro e Dezembro.

Também conhecido enquanto Groove Synthdrome, Amon fincou também encarregue da produção, mistura e masterização dos seis temas que integram A Missão. A capa do curta-duração é da autoria de João Pereira (aka Xksitu) e há ainda quatro videoclipes associados ao trabalho — “Teaser/Intro”, “Não Dá”, “O Nome É Top Dogs” e “A Missão” foram realizados por Mica L. Recorder e ScissorHands.

Esta é a primeira vez que os Top Dogs “cozinham” um disco inteiro em conjunto, eles que são um dos colectivos com maior impacto na cena rap da Linha da Azambuja. Em 2010 abriram actividade no YouTube com o vídeo de “Contacto” e desde então foram várias as marcas deixadas durante a presente década — dos singles clássicos como “Por Quem Me Tomas” ou “Fucking Cypher” aos trabalhos individuais de cada um dos seus membros, como Tuneis de Cu Chi, Língua Afiada, A Mixtape ou Sempre o Mesmo.

Amon explicou os detalhes desta missão ao ReB e abriu ainda o jogo sobre os planos que o grupo reserva para o futuro.



Que missão é esta para a qual os Top Dogs se alistaram?

A nossa missão é a de continuarmos o nosso legado. Este é o nosso contributo para a cultura que nos viu crescer e nos uniu. Sentimos a vontade e consequente responsabilidade de fazer o estilo de rap que gostamos de ouvir independentemente das modas e tendências que surgem e mesmo do mercado que existe para uma face do hip hop que não consideramos a nossa. Como hip hop heads fazemos músicas para outros hip hop heads e, aparte disso, quem gostar ou se identificar é sempre bem vindo, só não vale a pena estarem a espera de nos ver num espectro mais pop.

Há um par de anos disponibilizaram todo o vosso catálogo no YouTube, uma jogada que facilmente nos deixou a equacionar o regresso do grupo, algo que acabou por se materializar em dois singles — “Summertime” e “Gagá” — e culmina agora com o novo EP. O que vos levou a unir novamente esforços em estúdio enquanto grupo?

Eu estou a morar nas Caldas da Rainha desde 2013 e isso atrasa-nos bastante o nosso trabalho, uma vez que, mesmo com a Internet, é muito importante o trabalho presencial que tens com as pessoas, estejamos a falar sobre aspectos mais técnicos ou de estabelecimento de ideias ou direcções. Posso dizer que este EP levou mais de dois anos a ser feito. Isto para dizer que não é que nos tenhamos voltado a unir, mas que sempre continuámos a trabalhar em conjunto e que as coisas só não aconteceram tão rapidamente como nós gostaríamos. Durante este tempo eu estive a estudar som na ESAD.CR com o objectivo de melhorar os meus skills de mistura, o que fez com que eu estivesse sempre a mexer e a remisturar as músicas. Chegou um momento que eu percebi que teria de “abandonar” o EP no sentido em que é muito difícil tu decidires que o teu projecto está finalizado. Senti-me satisfeito com o resultado final e seguimos para os vídeos, o que mais uma vez, por não estarmos tão próximos, nos levou algum tempo a terminar.

Além de MC vestes também a pele de produtor, um papel que já tens vindo a desempenhar ao lado de outros artistas como ORTEUM, Frizer ou Johny Gumble. Tendo em conta a tua evolução neste capítulo durante estes últimos anos, que cuidados tiveste ou que tipo de sonoridades procuraste para este projecto? 

O meu estilo de produção foca-se principalmente no boom bap e vai beber a influencias de J Dilla, Madlib, Illmind, Easy Mo Bee, DJ Premier, entre muitos outros. Seria hipócrita se não fizesse referência a producers nacionais como o Sam The Kid, Kilu, Skunk… A um nível mais próximo e directo é importante falar no Stone Jones e no Uaimi, que são meus amigos e com os quais faço muitas trocas de informação e algumas técnicas de produção.

Composto por seis faixas, o EP passa por vários momentos diferentes ao nível do conteúdo lírico nele impresso — há rap interventivo no “Não Dá”, versos autobiográficos em “Apogeu” ou uma declaração de amor pela cultura hip hop em “OTPMOFN”. Enquanto criadores, quais foram as preocupações que tiveram ao nível do conceito desta obra e de que forma definem este trabalho no seu todo?

O conceito do EP surgiu de uma forma muito natural. Eu faço beats todos os dias e tento direccioná-los da melhor maneira para este ou aquele projecto. Uma vez que somos todos da mesma zona e crescemos dentro do mesmo grupo de amigos é relativamente fácil partilharmos opiniões e gostos. Estes temas basicamente surgem de acontecimentos ou conversas entre nós que achámos importante traduzir em música e que consideramos como elementos chave para termos a nossa própria identidade e conteúdo nesta era de saturação e homogeneidade tanto nos estilos dos artistas como nos seus temas.

A Missão fecha as vossas contas para 2019. Que outros planos ou metas traçaram para os Top Dogs no ano que se avizinha?

Nós não pensamos muito em termos de “como é que vai ser o próximo ano”. A nossa preocupação está em fazermos músicas que nós gostamos e que nelas estejam reflectidos os nossos ideais. Como referi anteriormente, A Missão durou cerca de dois anos a ser planeada, mas posso avançar que já temos músicas para o próximo projecto. Este EP A Missão tem como capa uma carta de ás de paus, por isso é provável que venham a surgir os restantes naipes mais para a frente. Temos já algumas datas marcadas e estamos a tratar de mais algumas.


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