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Fotografia: Direitos Reservados
Publicado a: 23/03/2026

Para mais fluxos jazzísticos nas margens do rio Cáster.

A caminho do Ovar em Jazz’26

Fotografia: Direitos Reservados
Publicado a: 23/03/2026

Talvez seja mesmo isso o que o mundo mais precisa, e em Ovar dá-se um empurrão através da música, num “jazz sem fronteiras”. De 8 a 11 de Abril no Centro de Artes de Ovar (CAO), a tradição junta-se à inovação, entre linguagens contemporâneas nos caminhos jazzísticos. Uma casa com três espaços que convidam o público ao próprio palco, ao auditório e ao bar. O Ovar em Jazz mostra-se e afirma-se no mapa de festivais dedicados a esta que é uma das correntes musicais mais livres do mundo.

A presente edição anuncia nomes internacionais (sem fronteiras), ligando o além-oceano, com o quarteto brasileiro de Anna Setton, a terras romenas através de Marius Preda. Num arco espacial onde cabem nomes incontornáveis do panorama luso actual. Entre o quarteto de Carlos Bica, João Martins ou grupos como Mantis e Fourward, caberá também a celebração das formações alargadas, como são as da Orquestra de Jazz do Hot Club à local e estreante Ovar Jazz Collective. O programa estende-se a sessões de DJ e a uma mostra de jazz em rodelas de vinil.   

Caberá a Anne Setton a abertura do festival, uma das vozes mais chamativas da cena jazz brasileira da actualidade. Setton trará ao Ovar em Jazz’26 (dia 8, 21h30) uma expressão clara dessa música sem fronteiras, contendo bossa nova, MPB e frescura inovadora quanto baste. No dia seguinte (9, 21h30), na mesma caixa se fará ouvir 11:11 pelo Quarteto de Carlos Bica. Um dos melhores registos discográficos de 2024 e um marco temporal na música de Bica ao lado de José Soares no saxofone, Eduardo Cardinho no vibrafone e Gonçalo Neto na guitarra. A noite que convocará para outro quarteto, Mantis, num outro cenário, passando ao bar pelas 23h, e com entrada livre. A banda congrega Beatriz Duarte em flautas e electronica, Raquel Pimpão nos teclados, Francisco Nogueira no baixo e André Abreu na bateria. Vão apresentar o primeiro registo homónimo e farão da sua actuação uma gravação para o Notas Azuis de Rui Miguel Abreu, programa agora como nova casa na frequência da Antena 2. 

O bloco de fim-de-semana do Ovar em Jazz’26 terá na noite de sexta (dia 10, 21h30) um fenómeno em palco. Marius Preda apresentará o celebrado cimbalão como instrumento, menos usual, no jazz. Uma viagem através de Phenomenon, atravessando as sonoridades mirabolantes das cordas horizontais. Festividades que se prolongam até ao bar (23h) e com entrada livre, para Oxímoro do baterista João Martins, projecto que conta com a dupla de saxofones de Fábio Almeida e Gabriel Neves, a guitarra de Nuno Trocado e Laura Rui no sintetizador e voz. A noite perdurará até haver quem dance ao som das escolhas dos gira-discos operados por Rui Miguel Abreu, entre o muito que o jazz tem para fazer dançar.

O último dos quatro dias do Ovar em Jazz’26 (dia 11) desde as 15h fará do CAO um centro nevrálgico. Arranque com a mostra de jazz em vinil (até às 00h) e que às 16h conta com a dupla de serviço, nos pratos partilhados, entre Rui Miguel Abreu e Discoslagens. Eles que farão a abertura sonora do espaço que Fourward habitará mais á frente. O quarteto bracarense de José João Viana em guitarra eléctrica, Gonçalo Cravinho Lopes no contrabaixo, Simão Duque em trompete e Tomás Alvarenga na bateria faz da escuta em palco de Freedom uma “música feita no hoje mas com os ouvidos postos no amanhã”, como notou Gonçalo Oliveira em reportagem para o Rimas e Batidas no ano passado.

A noite desse sábado fará ainda subir ao palco do auditório do CAO (21h30) a Orquestra de Jazz do Hot Clube com o convidado especial John O’Gallagher no saxofone. Uma celebração que liga a cultura do género musical em Portugal com a cena internacional. Outro momento aguardado e de especial significado será a estreia do ensemble Ovar Jazz Collective (no bar do CAO, 23h), propositadamente formado para o festival, e que conta com músicos ovarenses e outros além fronteiras, num processo de criação a cargo de João Martins. O desfecho das festividades virá logo em seguida, servido por outro agente cultural local, Discoslagens, com energia, partilha e muito espírito de solonidade.


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