A banda sonora natalícia de Allen Halloween #3

[TEXTO] Gonçalo Oliveira [FOTO] Direitos Reservados

Já aqui deciframos os temas que inspiraram o lado punk e gangster de Halloween. Esta terceira e última lista não segue nenhuma directriz sónica em especial. Há rap, trap, soul, reggae e até mesmo pop. O objectivo é destacar a versatilidade sonora que passou/passa pelos ouvidos do MC de Odivelas e que, mesmo que toque em áreas dificeis de identificar com o seu repertório, faz parte da sua vida e, por isso mesmo, alguma marca há-de ter deixado na sua identidade – diz-me o que ouves, dir-te-ei quem és.

 


 

[RACIONAIS MCs] “Vida Loka Pt. 2”

 

 

[CHIEF KEEF] “I Don’t Know Dem”

 

As duas primeiras referências são claramente gangsta. Não foram mencionados no segundo capitulo de modo a não se misturarem com a sonoridade típica das costas este e oeste americanas, zonas pioneiras desta vertente com estilos muito próprios provenientes das respectivas áreas.

O tema dos Racionais MCs é, provavelmente, aquele que mais se aproxima das criações de Halloween. Beat e flow lentos, a tal ‘vida loka’ retratada em áudio, a vida do bairro, a procura pelo dinheiro rápido.

Chief Keef tem fundamentos semelhantes mas olha para outras paragens no que toca às ambições. Os números que ele procura para a sua conta bancária têm mais dígitos. E claro, a sonoridade do trap em nada se assemelha ao trabalho de Halloween, que navega por águas bem diferentes. Haverá, ainda assim, pontos de contacto no tom sombrio que tanto algum trap como as produções da Bruxa conseguem impôr.

 


 

 

[2PAC] “Keep Ya Head Up”

 

 

[THE NOTORIOUS B.I.G.] “Juicy”

 

Figuras máximas da cena West Coast vs. East Coast, também eles com um trajecto bastante vincado por uma postura gangster. Curiosamente, os temas que Halloween escolhe destas duas lendas são ambos singles com uma conotação mais pop, radio friendly.

Na discografia da Bruxa podemos encontrar algumas semelhanças, principalmente ao nível da letra. Existe uma mensagem a passar. “A toda mulher grávida eu mando flores (…) / Bring the love to the streets de Sto António e Barruncho”, canta Allen em “Procriar”. Uma mensagem positiva, como se nos estivesse a dizer “Keep Ya Head Up” mas em português e de uma forma mais poética. Afinal de contas, “por cada nigga que cai hão-de nascer dez ou mais”.

 


 

[AMY WINEHOUSE] “Valerie”

 

 

[BOB MARLEY] “Natural Mystic”

A soul e o reggae são géneros musicais quase que obrigatórios para qualquer admirador do hip hop, dado o facto de todos eles, directa ou indirectamente, nascerem a partir das bases do blues e do jazz. Não é de espantar que nomes como Amy Winehouse e Bob Marley façam parte das escolhas de Allen. Ao mesmo tempo são também figuras bastante simbólicas dos géneros que representaram em vida, tal como Halloween o é no panorama do rap nacional, e ambos tinham uma forma bastante fácil e singular em expressar o que sentem. Os problemas que enfrentaram, o gosto pelo uso recreativo de substâncias psicotrópicas e até mesmo o amor. Tudo temáticas que também encontramos com frequência nos discos do rapper de ODC.

 


 

[NEL MONTEIRO] “Azar Na Praia”

 

Apesar das suas raízes africanas, Allen não deixa de prestar atenção até mesmo à música popular portuguesa. Neste último exemplo podemos puxar pela cabeça e pela imaginação para encontrar um ponto de ligação entre Halloween e Nel Monteiro. À primeira vista, nenhum. Logicamente que tudo aquilo que um músico ouve e gosta acaba por fazer parte da sua formação enquanto artista. Mas será que também o MC de Odivelas teve o seu próprio azar na praia? Ou trata-se apenas de uma provocação final? Uma vez punk…

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