7 Dias, 7 Vídeos

[TEXTO] Gonçalo Oliveira [FOTO] Direitos Reservados

Era digital, informação à velocidade da luz. Vídeos e músicas a soçobrar pelas plataformas virtuais. Novidades emaranhadas entre si, confusão sónica, sentidos desorientados. Quem nos guia? Por onde vamos? Para onde vamos?

7 Dias, 7 Vídeos é o resgate audiovisual semanal nos terrenos do hip hop e electrónica. Filtragem de qualidade, barreira contra a poeira que nos cega com tanto de novo, com tanto para espreitar e escutar.

 


[Childish Gambino] “Feels Like Summer”

Donald Glover não deixou passar o Verão em branco e ofereceu-nos dois temas novos durante o mês de Julho, carinhosamente embalados num Summer Pack. “Feels Like Summer” não teve o mesmo impacto que “Summertime Magic” nas plataformas de stream mas a vibe parece ser aquela que melhor preenche os requisitos para um tema à la Childish Gambino, com o respectivo videoclipe a surgir entre os destaques do último fim-de-semana. Realizado por Ivan Dixon, Greg Sharp e com ajuda do próprio Donald, um dos mais versáteis e dotados artistas da sua geração, “Feels Like Summer” mostra uma radiografia do momento actual no panorama do hip hop e da cultura afro-americana: Drake, Kanye West, Pusha T, A$AP Rocky Trippie Redd, Solange, Migos, Chance The Rapper e até Will Smith ou Michelle Obama cruzam-se com Childish Gambino durante o seu passeio veranil.

 


[King Krule] “Biscuit Town”

Desde o seu aparecimento que o WeTransfer promove e ajuda os mais variados de projectos de arte visual contemporânea. Gilles Peterson têm feito a ponte entre diversos artistas da emergente cena jazz britânica e a plataforma. SEVDALIZA, Kamasi Washington e Björk têm trabalhos gráficos em parceria com a empresa fundada em Amesterdão e que actualmente também opera em Los Angeles.

King Krule é a mais recente entrada no catálogo apresentado pela WePresent, a ramificação para as artes do WeTransfer, com o videoclipe de “Biscuit Town” a servir de arranque para uma série de três edições em parceria com a plataforma, esta primeira com realização da dupla cc Wade. King Krule regressou aos discos no ano passado, com o aguardado The OOZ, através da XL Recordings.

 


[Black Eyed Peas] “Constant Part 1 & 2”

Se deixaram de sentir aquela ansiedade que antecipa a edição de um novo projecto dos Black Eyed Peas, este pode muito bem ser o ano em que o formigueiro volta a atacar. Os quatro temas lançados este ano por will.i.am, Taboo e Apl.de.ap são de escuta obrigatória, com o grupo a regressar às origens.

 


[Redman] “1990 Now”

Tal como os BEP, também Redman recua até à década de 90 para relembrar que o hip hop se faz de skills — “I ain’t talking Lambos and F1’s, more like Rakim and KRS-One’s”. Este é o terceiro single a solo editado este ano pelo rapper de Nova Jérsia, que está neste momento a preparar um novo álbum: Muddy Waters Too será a sequela de Muddy Waters, de 1996.

 


[Blood Orange] “Saint”

Numa semana em que a máquina do tempo foi bastante requisitada, Devonté Hynes foi o artista desta listagem que mais viajou no tempo. “Saint” leva-nos de volta à sonoridade da pop descontraída dos 80s neste que é o terceiro videoclipe a sair de Negro Swan, o fresquíssimo novo álbum assinado por Blood Orange.

 


[Boogie] “Deja Vu”

Em Julho, Boogie deu a conhecer a tracklist para o seu disco de estreia, que está a ser apontado nas redes sociais para Outubro, e surge depois de ter sido convidado por Eminem a juntar-se à sua Shady Records. “Deja Vu” sucede a “Self Destruction” na lista de singles de SELF.

 


[Summer Walker] “Girls Need Love”

A Love Renaissance está num óptimo momento de forma. Depois de ter anunciado discos de 6LACK e Boogie — este último em parceria com a Shady Records — também Summer Walker teve direito a estrear o videoclipe para “Girls Need Love”, um tema que chegou às plataformas de stream há um mês. Apesar da cantora não ter ainda nenhum projecto em agenda, é no arranque do Outono que se vai fazer à estrada juntamente com 6BLACK na sua East Atlanta Love Letter Tour.

Gonçalo Oliveira

Gonçalo Oliveira

Filho bastardo do jazz e da soul que encontrou no hip hop uma nova forma de abordar linguagens musicais perdidas no tempo. Não tem uma música favorita porque Jimi Hendrix e J Dilla nunca trabalharam juntos.
Gonçalo Oliveira