Era digital, informação à velocidade da luz. Vídeos e músicas a soçobrar pelas plataformas virtuais. Novidades emaranhadas entre si, confusão sónica, sentidos desorientados. Quem nos guia? Por onde vamos? Para onde vamos?
7 Dias, 7 Vídeos é o resgate audiovisual semanal nos terrenos do hip hop e electrónica. Filtragem de qualidade, barreira contra a poeira que nos cega com tanto de novo, com tanto para espreitar e escutar.
[$UICIDEBOY$] “BLOODSWEAT”
Single principal do álbum surpresa de Natal THY WILL BE DONE, “BLOODSWEAT” é uma poderosa declaração dos $UICIDEBOY$ que funde a agressividade característica do duo com uma introspecção crua sobre identidade, fama e sobrevivência. Feito de versos repletos de um imaginário de guerrilha e disputas territoriais a entrelaçarem-se com reflexões sobre paranoia, legado e militância contínua, o tema serve como um testemunho intenso do som inconfundível do par de New Orleans e da lealdade à zona que os viu crescer.
[French Montana & Max B] “Whippin That Wave”
Parece 2009 novamente. Beat a fazer lembrar os tempos mais áureos (e endiabrados) de Eminem e French Montana e Max B a elevar o braggadocious de rua a patamares de descontração raramente vistos, interpolando rimas incisivas com as habituais cantorias que não se importam com falhas no tom, aqui a recuperar o refrão do clássico “Daydream” dos Wallace Collection. Depois de “Make America Wavy Again (MAWA)”, “Whippin That Wave” é o segundo single a juntar os dois rappers desde que Max B regressou à liberdade e é também a segunda amostra da aguardada mixtape que os vai voltar a unir em disco, Coke Wave 3.5: Narcos, já esta sexta-feira, 9 de Janeiro.
[FERG] “FOCUS ON ME” feat. Denzel Curry
Uma das faixas mais explosivas de FLIP PHONE SHORTY – STRCKLY FOR DA STREETZ Vol. 1 é interpretada a duas vozes. Denzel Curry viu o seu nome creditado por duas vezes no mais recente trabalho de FERG e “FOCUS ON ME” é o resultado mais aplaudido dessa colaboração entre os dois MCs, agora a ganhar ainda mais destaque no formato de vídeo. Admiradores confessos da estética rap que brotou a partir do sul dos Estados Unidos da América, o par consegue aqui alcançar um banger que nos remete para as eras do crunk e do Memphis rap.
[redveil] “stupid prizes”
Há que dar as respectivas flores àqueles que primam pela ousadia. redveil mergulhou nos arquivos históricos do hip hop de vanguarda para, no derradeiro dia de 2025, nos oferecer a sua própria abordagem a um beat de J Dilla, recuperado do icónico Donuts, que este ano vai completar duas décadas de existência. Em “stupid prizes”, o jovem artista de Maryland aproveita para coroar um ano que lhe gerou mais um disco, sankofa, e mostra ser dono e senhor do seu destino numa altura em que o hip hop independente respira de boa saúde.
[Natanya] “On Ur Time”
Em 2025, Natanya voltou aos lançamentos com o duplo Feline’s Return, onde mora este “On Ur Time”, uma exploração em torno do R&B do início do milénio e adoçado com condimentos de UK garage conduzida por JKARRI, produtor que temos visto frequentemente ligado a vozes da nova geração como PinkPantheress ou Niko B. Aqui a cantora inglesa pinta-nos um retrato cru e introspectivo do desequilíbrio emocional e da dor contida num relacionamento dissimétrico que só parece funcionar no tempo do outro.
[Tyler, The Creator] “SAG HARBOR”
Lançado de surpresa no último dia de Natal, o freestyle “SAG HARBOR” actua como uma reflexão audível do monumental ano de Tyler, The Creator, intercalada com vários recortes das suas memórias, sobre uma batida contemplativa e drumless feita a partir de uma pérola soul dos Cobra Heart Band. Dos álbuns que são sucessos de vendas, às nomeações para os Grammys ou até mesmo a sua estreia no cinema: Tyler brinda a um legado que, apesar de ainda em construção, tem deixado grandes marcas na cultura pop global, sempre temperado com a sua habitual e clínica visão humorística e também com as suas referências culturais.
[HUMAN ERROR CLUB & Kenny Segal] HUMAN ERROR CLUB (Short Film)
Errar é humano e até tem já tem um clube próprio. O matemático trio californiano HUMAN ERROR CLUB deu um grande passo no ano passado ao juntar-se a Kenny Segal para esculpir um LP para a Backwoodz Studioz, HUMAN ERROR CLUB AT KENNY’S HOUSE, onde marcaram também presença alguns dos artistas próximos do selo dirigido por billy woods. O resultado foi um conjunto de 14 temas que vão do funk ao krautrock sempre através da via da experimentação, com direito a versos sempre urgentes por parte de liricistas como Moor Mother, E L U C I D, Quelle Chris, Pink Siifu ou o próprio billy woods. Depois da experiência auditiva, o realizador Jackie Radinsky oferece-nos agora a possibilidade de entrar no universo visual que faz parte de HUMAN ERROR CLUB AT KENNY’S HOUSE.