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7 Dias, 7 Vídeos

[TEXTO] Gonçalo Oliveira [FOTO] Direitos Reservados

Muitas novidades vindas do outro lado do Atlântico. De Token a Aesop Rock, este segundo com um novo projecto na calha. Com uma demonstração de garra por Joey Bada$$ a não acusar a pressão de improvisar em directo para a rádio ao lado de Sway.

No velho continente dei de caras com um novo grupo: Omerta; do qual Hozay faz parte, MC que já mereceu destaque por estas bandas. E, claro, um novo vídeo de Profjam que se fez seguir do lançamento de uma nova mixtape que merece, e deve, ser ouvida.

Em 7 Dias, 7 Vídeos, há uma vasta pesquisa pelo mais e o menos óbvio, coleccionando o melhor fruto de cada árvore para o dar a conhecer aos nossos leitores. É um resumo semanal onde o conteúdo nem sempre é mediático mas tem sempre elevado interesse.


 

[TOKEN] “Necessary Evil (prod. Nottz)”

Token tem vindo a dar que falar. Depois de uns quantos vídeos bem recebidos pela comunidade cibernauta e uma participação no mais recente álbum, That’s Hip Hop, de Joell Ortiz e Domingo, chega agora até nós mais um potente single, deste jovem de 17 anos de Massachusetts, que conta com a produção de Nottz (Busta Rhymes, M.O.P., Edo G).

O vídeo é bastante bem concebido, a abusar dos efeitos visuais, sem grande preocupação quanto à qualidade da montagem dos mesmos. A condizer com a lírica fora de série de Token num egotrip que o coloca no radar das maiores promessas do hip hop americano. Literalmente, as suas rimas fazem trocar o dia com a noite num piscar de olhos. Criando o caos e a tempestade. Num ambiente bastante underground recheado de tags e grafittis, a condizer com a sua posição no panorama do rap, ainda abaixo do solo.

Apesar das rimas contagiantes e do flow elástico multi-funções, Token recai bastante nas cadências já usadas por Eminem, o que o levou a ser apelidado enquanto o próximo Marshall Mathers. Algo que, para já, não pareça ser grave dada a jovialidade do rapper. Mas para estabelecer enquanto MC terá, eventualmente, de encontrar um flow mais ‘seu’. Inovar.


 

[JOEY BADA$$] “5 Fingers of Death Freestyle”

O talento que costuma cintilar no programa de Sway Calloway raramente passa despercebido nesta rubrica, onde é frequente ver, e ouvir, grandes prestações por parte dos MCs que o apresentador convida. Dos mais consagrados aos mais emergentes militantes do subsolo.

Desta vez a fava calhou à jovem estrela da Beast Coast, Joey Bada$$, que se mostrou preparado para o desafio dos 5 Fingers of Death no programa Sway In The Morning. Nota bastante positiva para este improviso, a destacar a consistência do rap proveniente da boca de Joey que nem com a mudança de beat vacilava. Pelo meio há ainda alguns shots direcionados a Troy Ave que nunca tinha chegado a obter resposta às palavras que proferiu no inicio deste ano apontando Joey como um dos principais motivos da morte do colega e amigo Capital Steez.

 


 

[PROFJAM] “Queq Queres”
(Mixtakes, Think Music)

O rapper de Telheiras, que tem vindo a crescer no panorama do rap nacional nos últimos anos, lançou esta semana o segundo single da sua mixtape, que viria a sair alguns dias depois.

“Tenho a disease again, síndrome de mc, esquizo me num beat e fico a curtir – yeah”. É de facto isto que sentimos ao escutar o novo material de Profjam, que veio com uma fome enorme de microfone nos seus Mixtakes. Meio esquizo, mas sempre com a cabeça no lugar. Permitem dar-lhe uma visão ampla e apurada entre o bom e o mau, sem nunca se esquecer ou desviar do seu caminho. Uma track carregada de sentimento por esta arte que é o hip hop. Dava para citar muitas outras frases catchy que aparecem no desenrolar do beat, mas vou ficar-me apenas por mais uma, a que marca o inicio – em grande estilo – do único verso que intercala os hooks: “O peso da minha caneta partia-te o braço / E a dor de cotovelo impedia que ele dobrasse.”

 


 

[OMERTA] “Blah Blah Blah Blah Blah”

Hozay tem sido destaque por aqui, dentro da cena que vem sendo feita no Reino Unido, e, em Omerta, junta-se a Ese para nos dar um bocado de conversa neste tema. Ou melhor, para nos dizer o quanto estão fartos desse burburinho que são as conversas das más-línguas. Num registo boom bap, como é habitual nestes dois interpretes, exprimem o quão pouco estão interessados pelo que se possa dizer acerca das suas vidas. Estão a 100% no comando das mesmas e esta é a mensagem que deixam aos que vão tecendo comentários aqui e ali.

Omerta é, possivelmente, uma dupla recente. Sendo que praticamente nada se encontra acerca deles na Internet. É provável que este seja o primeiro avanço de um projecto que possa vir a juntar Hozay e Ese.

 


 

[AESOP ROCK] “Blood Sandwich”

Depois de “Rings“, eis o segundo avanço de Aesop Rock para o seu próximo álbum The Impossible Kid. No vídeo interpreta o papel dele próprio que se encontra desaparecido. Talvez num retiro espiritual, meio melancólico, misturado com um rap introspectivo e carregado de malabarismos. Esta é, também, a linha condutora de The Impossible Kid, que vai ficar marcada liricamente pela vida pessoal do rapper, desde a depressão à relação tremida que mantém com a sua família.

Aesop Rock encontra-se afastado das edições desde 2012 – com Skelethon – mas é um dos nomes que mais marca o panorama do rap independente, que faz parte do alinhamento da Rhymesayers desde 2011.

 


 

[BIG GRAMS] “Born To Shine (ft. Run The Jewels)” & “Run For Your Life”
(Big Grams, Epic Records)

O veterano Big Boi juntou-se ao duo indie americano Phantogram e lançaram o ano passado o disco de estreia Big Grams, álbum homónimo do recém-formado trio.

A ligação entre a Adult Swim e o hip hop não é de agora e este vídeo é mais um fruto proveniente dessa parceria. Aqui os Big Grams passam para o formato de animação, com dois temas a serem escolhidos para a banda sonora deste projecto audiovisual. Cores e efeitos psicadélicos, com uma festa à mistura onde a Morte é o DJ de serviço. É lá que os três membros dos Big Grams aparecem como heróis na luta contra os vilões. Um conceito muito trippy e engraçado, com duas boas malhas à mistura que valem a pena escutar.

 


 

[YEETHOVEN] “The Great Music Series”

Este é um dos casos que colocam o hip hop à prova como sendo um dos géneros musicais onde o conceito de fusão não tem limites. A ligação do estilo de música urbano às sonoridades mais antigas sempre foi documentado através da arte de manusear samples. Em YEETHOVEN, é a música clássica que vem ter ao encontro do hip hop, mais concretamente à obra de Kanye West, onde se funde “Blood on the Leaves” com a “Quinta Sinfonia” de Beethoven.

Para já as actuações decorrem apenas nos Estados Unidos da América. Mas, caso corra bem, Portugal parece-me uma passagem credível para receber este tipo de iniciativas.

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