7 Dias, 7 Vídeos

[TEXTO] Gonçalo Oliveira [FOTO] Direitos Reservados

 

Semana marcada pelo borbulhar do underground inglês e americano, com uma surpresa agradável vinda de Munique. Destaque para Cult Of The Damned que lançaram mais um vídeo do EP de estreia – provavelmente ninguém estaria à espera que o curta-duração merecesse mais um videoclipe tendo em conta os restantes projectos nos quais os membros do colectivo se encontram envolvidos. Um posse cut daqueles longos, como seria de esperar.

Em 7 Dias, 7 Vídeos, há uma vasta pesquisa pelo mais e o menos óbvio, coleccionando o melhor fruto de cada árvore para dar a conhecer aos nossos leitores. É um resumo semanal onde o conteúdo nem sempre é mediático mas é de elevado interesse.

 


 

[CULT OF THE DAMNED] “Part Deux (Prod. Dr. Zygote)”
(Cult Of The Damned, Blah Records)

O super-grupo britânico volta a apostar num vídeo generoso, onde conseguem juntar todos os intervenientes para seis minutos de fita. Falámos de “Cult Of The Damned” na altura em que foi lançado para o YouTube e antecipámos a chegada do EP, que entretanto já se encontra disponível para escuta e venda aqui.

Lee Scott, um nome já incontornável da cena underground britânica, assume aqui um papel importante ao juntar os conceitos de Cult Mountain e Children Of The Damned. Ele que pertence a ambos os colectivos e ainda assume a responsabilidade de debitar os primeiros versos em ambos os singles do EP.

Desta fusão fazem também parte outros nomes com alguma relevância no panorama, como Black Josh ou Stinkin Slumrok, e no concerto de apresentação, juntando também alguns convidados, foram mais de 15 os MCs a pisar o palco.

É um grupo de peso, não só pela quantidade mas também pela qualidade do trabalho que têm vindo a demonstrar no que toca à inovação, com conteúdos fora do comum e uma abordagem mais sombria e lenta ao espirito do boom bap.

 


 

[CURREN$Y] “Boulders (Prod. 808 Mafia)”

Terceiro single do álbum que se aproxima, já com data marcada para 4 de Dezembro, numa semana curiosa e fora do comum para o rapper de New Orleans que já tinha lançado um novo vídeo dois dias antes de este estrear. “Lowriders At The Nightshow” é um tema solto onde o MC explora o instrumental de “Rodeo“, de Travis Scott.

“Boulders” é um tema mais completo, o que seria de se esperar tendo em conta que fará parte do alinhamento do segundo álbum de Curren$y. A abrir com props para os 808 Mafia, que se encarregaram de colocar as frequências no sítio, com graves sonantes e tarolas e pratos capazes de nos embalar neste egotrip.

 


 

[BISHOP NEHRU FEAT. QUE HAMPTON] “MansSin”
(NEHRUVIA: THE NEHRUVIAN EP, self-release)

Aos 19 anos de idade, Bishop Nehru habita já numa posição de sonho. Leva no currículo aberturas de concertos dos Wu-Tang Clan, um projecto a meias com MF Doom e um contrato com a Mass Appeal. A sua música acompanha o estatuto com um rap consciente e uma escolha de beats fora do comum neste último EP, provavelmente arriscada para alguma parte dos MCs.

NEHRUVIA: THE NEHRUVIAN EP é o seu mais recente trabalho e encontra-se disponível gratuitamente no seu blog oficial.

 


 

[THE BLACK OPERA] “Rich Like You (Prod. Slot-A)”

Os The Black Opera são um grupo bastante curioso. No início da introdução no seu site podemos ler: “O grupo é formado por artistas bastante conhecidos que escolheram esconder as suas identidades por uma causa. A arte é tudo o que interessa”. Pondo de lado todas as possíveis distracções que existem no percurso que a música faz desde a sua origem até chegar ao público, não havendo lugar para uma eventual avaliação do músico como pessoa, deixando que seja sempre a música a falar por si. Logicamente que no século em que vivemos isso é impossível a partir do momento em que o assunto chega à internet. Quanto ao tema, pertence a Jamall Bufford e Magestik Legend e conta com a participação de Obie Iyoha nos refrões. Assinam todos com o mesmo nome: o do colectivo.

O mais recente álbum saiu esta semana e está disponível no Bandcamp, sendo que este tema não consta no seu alinhamento.

 


 

[MR KEY & GREENWOOD SHARPS] “Dandelion”
(Yesterday’s Futures, High Focus)

Mais um single dos ingleses Mr Key e Greenwood Sharps, MC e produtor, respectivamente. Tema que vem do álbum no qual os dois se juntam em 14 temas com alguns convidados à mistura. Rap alternativo, com um instrumental a pisar terrenos da música ambiental electrónica. Um registo diferente daquilo a que, provavelmente, estamos habituados a ouvir, com uma letra que viaja em memórias e introspecções, capaz de nos deixar a nós também a viajar por momentos.

O álbum está disponível em formato físico e digital, com direito a stream via Bandcamp.

 


 

[WELTUNTERGÄNG FEAT. ARM & HÄSSLICH] Untitled

Indo directamente ao ponto que nos faz querer assistir a este vídeo: os flows dos MCs e o beat que parece ter sido encomendado dos 90s e entregue ao presente graças a uma máquina do tempo.

Pouco ou nada entendo de francês. Alemão muito menos. Mas ao fim e ao cabo música é música. E mesmo sem entender a letra conseguimos detectar pontos fortes que nos deixam agarrados a um tema com qualidade. Este é um desses casos e, felizmente, chegou-me aos ouvidos através da Sektion Red, mais conhecida pela divulgação de rap feito no Reino Unido. Este não vem de lá, mas encaixa-se no perfil.

 


 

[NONAMES FEAT. RAWKID] “Resurrection Kid”
(Resurrection Kid (single), Par Ex)

O produtor dos Foreign Beggars convidou Rawkid, MC de Sheffield, a cuspir fogo num dos seus bangers de grime. O resultado é bastante agradável, de um género musical que por vezes parece que perdeu o rumo no caminho que é a evolução. Um bom exemplo dos flows que Inglaterra viu nascer bem de perto e uma amostra de que há produtores a surgir com novas ideias e técnicas capazes de reformular esta receita que nasceu da música de garagem britânica, mantendo-a o mais actual possível sem perder aquele toque exótico que nos fez apaixonar pelo grime como da primeira vez.

O single está no Bandcamp juntamente com um remix para os interessados em adquirir a versão digital.

Gonçalo Oliveira

Gonçalo Oliveira

Filho bastardo do jazz e da soul que encontrou no hip hop uma nova forma de abordar linguagens musicais perdidas no tempo. Não tem uma música favorita porque Jimi Hendrix e J Dilla nunca trabalharam juntos.
Gonçalo Oliveira