7 Dias, 7 Vídeos

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Era digital, informação à velocidade da luz. Vídeos e músicas a soçobrar pelas plataformas virtuais. Novidades emaranhadas entre si, confusão sónica, sentidos desorientados. Quem nos guia? Por onde vamos? Para onde vamos?

7 Dias, 7 Vídeos é o resgate audiovisual semanal no terreno do hip hop. Filtragem de qualidade, barreira contra a poeira que nos cega com tanto novo, com tanto por onde espreitar e escutar.

 


 

 

[JAY ROCK FEAT. BLACK HIPPY] “Vice City”

Em 2009, ainda antes de sonharmos, sequer, com a explosão musical e mediática de Kendrick Lamar ou qualquer outro membro TDE, formou-se um supergrupo composto pelo próprio K-Dot, Jay Rock, Ab-Soul e ScHoolboy Q – os Black Hippy. Grupo esse que nunca chegou a editar qualquer tipo de LP mas que surge aqui e agora num modo posse cut para causar estragos e elevar ainda mais o nome da editora e injectar um hype boost em Jay Rock, que se prepara para editar o álbum 90059 no próximo dia 18.

Abraçam a bass music com um flow renovado e falam-nos de Los Angeles (conhecida como Vice City) e todos os seus vícios/pecados aos quais são expostos diariamente. Um registo que soa à paranóia já explorada por Kendrick no seu mais recente projecto e que agora dá ainda mais frutos ao juntar o restante colectivo Black Hippy à receita.

Jay Rock encontra-se afastado do mercado no que toca a registos discográficos e espera-se um regresso em grande forma, não só pelos temas já adiantados com selo de boa qualidade mas também pela forte aposta de Kendrick em ajudar todos os seus dawgs da TDE.

 


 

[SHAQISDOPE] “DWNTWN”

Terceiro single adiantado pelo artesão de rimas canadiano, com dedicatória a todos os que, como ele, cresceram no coração das respectivas cidades e não hesitam em depositar todas as suas vivências em cima de um beat.

Instrumental ao estilo trill, faz contraste com a correria que se vive na cidade e serve de base para Shaq descolar, apontando a voos mais altos. Rap feito de histórias, boas ou más, são elas a munição da arma que é a sua voz e que o mantém vivo nestes jogos de sobrevivência que são as ruas de Toronto.

O próximo longa duração já foi baptizado de Black Frames e espera-se que a edição veja a luz do dia após o Verão.

 


 

https://youtu.be/S5028rvSolE

 

[LITTLE SIMZ FEAT. KENT JAMZ] “Top Down”

De “Crystal Silence” a “How You Feel” vão cerca de três longas décadas. O aparecimento do hip hop fez-nos querer voltar a trás no tempo, manipulá-lo e trazê-lo para o presente numa abordagem diferente. Foi este o pensamento de Nujabes quando em 2004 decidiu samplar Chick Corea. “How You Feel” encontra-se exactamente 11 anos separado no tempo de “Top Down”. Em contas muito rápidas entende-se que Little Simz precisou apenas de recuar um terço do tempo que recuou Nujabes para obter a sua fórmula. Todo este exercício demonstra que a música que já foi em tempos recriada pode servir de base para algo novo, que por sua vez pode vir a ser samplado novamente por outra pessoa e assim sucessivamente. É interessante ver toda esta reciclagem de sons que nos faz crer cada vez mais que a música é intemporal: é possível frasear um tema antigo com um novo vocabulário, assim como é possível utilizar um vocabulário antigo para frasear algo de novo. Tudo isto musicalmente falando. Nujabes transformou um pedaço de música complexo numa jornada chill e fácil de ouvir. Little Simz, por sua vez, aplicou-lhe uma boa dose de coolness com a sua letra e um drum kit renovado.

Atitude e garra no microfone por parte da jovem londrina na companhia de Kent Jamz dos Overdoz, entre rimas e cantorias, numa viagem calma pelas ruas de Hollywood.

O tema faz parte do alinhamento do seu último EP, enquanto o álbum A Curious Tale of Trials + Persons vai encontrar-se à venda já no próximo dia 18.

 


 

[FASHAWN] “100 Bars”

100 barras de mestria. É esta a prenda que Fashawn tem para nós como aperitivo para a sua tour europeia que, infelizmente, não passa por Portugal. Já passaram alguns meses desde a edição de The Ecology e o MC californiano mostra que não tem andado apagado ao pegar num beat do Jay-Z como se fosse dele. Tanto apetite por microfone, ninguém fica indiferente a toda esta entrega que culmina na grande qualidade das rimas que emprega no instrumental.

 


 

[JEVON] “Dark Matter”

O grime continua a ser um dos pontos fortes da cena underground do Reino Unido. Neste tema temos Jevon numa estrada que cruza o estilo criado nos subúrbios ingleses à nova moda da bass music e do trap, entre um modo agressivo onde o beat usa e abusa dos graves, até chegar à parte final mais calma e cantada. Muita é a evolução por estes lados. Combinação de géneros musicais, experiências novas, é tudo uma questão de criatividade e vontade em explorar novos trilhos sonoros.

 


 

[DIRTY DIKE] “Isleham Swamp (Prod. Joe Corfield)”

A espera por um dos álbuns mais aguardados de rap britânico está quase no fim, Sucking On Prawns In The Moonlight já se encontra em pré-venda, tendo estreia marcada para dia 21 de Setembro. Este é o segundo single que Dirty Dike coloca a rodar nas suas redes sociais para nos manter a par de toda a situação.

Um tema que salta fora do percurso que o rapper tem feito até aqui, onde dá asas à introspecção e esquece o egotrip e o funny rap por uns momentos.

Espera-se o melhor Dirty Dike de sempre neste próximo registo e a lista de convidados é também muito apelativa, com mais um posse cut no alinhamento onde vão entrar MCs como Ocean Wisdom ou Lee Scott.

 


 

[PROTON] “Don’t Slip (Prod. Dollar Bin)”

Conexão Europa – América, com o MC londrino a alinhar num beat vindo de Manhattan. Grime no seu estado natural, com sonoridades de influência asiática, que nos faz esquecer que tem mão americana por detrás da produção. Proton traz o flow acrobático a que este estilo musical nos habituou, deixando rastos por onde passa, numa corrida lado-a-lado com o instrumental onde o vencedor é o ouvinte que se delicia com todos estes conteúdos.

Gonçalo Oliveira

Gonçalo Oliveira

Filho bastardo do jazz e da soul que encontrou no hip hop uma nova forma de abordar linguagens musicais perdidas no tempo. Não tem uma música favorita porque Jimi Hendrix e J Dilla nunca trabalharam juntos.
Gonçalo Oliveira

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