7 Dias, 7 Vídeos

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Era digital, informação à velocidade da luz. Vídeos e músicas a soçobrar pelas plataformas virtuais. Novidades emaranhadas entre si, confusão sónica, sentidos desorientados. Quem nos guia? Por onde vamos? Para onde vamos?

7 Dias, 7 Vídeos é o resgate audiovisual semanal no terreno do hip hop. Filtragem de qualidade, barreira contra a poeira que nos cega com tanto novo, com tanto por onde espreitar e escutar.

 


 

[SEAN PRICE FEAT. ILLA GHEE] “Figure More”

Primeiro videoclipe póstumo do colosso nova-iorquino que nos deixou aos 43 anos de idade no início do mês de Agosto. Faz parte do alinhamento da mixtape Songs In the Key of Price, trabalho editado semanas após o desaparecimento do MC.

Sean Price deixou um grande legado de rimas entre álbuns a solo e acompanhado pelos Boot Camp Clik, mixtapes e participações, e foi um dos MCs mais underrated da sua geração.

Em “Figure More” temos a possibilidade de ouvir uma vez mais a sua voz arranhada a debitar rimas de grande peso no seu estado mais cru. Egotrip de contornos violentos, a fazer justiça à sua longa discografia.

Illa Ghee, companheiro de Brooklyn, é o seu braço direito neste tema que conta com a produção de Alchemist.

 


 

[PLANET ASIA & DJ FRESH] “Twist One”

Incansável no que toca ao rap, Planet Asia lança mais um projecto para juntar à sua vasta colecção. Desta vez com DJ Fresh na produção, a dupla editou em Julho mais um volume de The Tonite Show, uma das boas edições deste ano proveniente da costa oeste americana.

Fresh orquestra o beat com drum kits típicos do disco e uma linha de sintetizador bem ao estilo West Coast, recuperando sonoridades que vemos presentes em grupos como Isley Brothers ou Earth, Wind & Fire.

Em cima deste manto de sons, Planet Asia doseia uma boa quantidade de realness pelas suas linhas, que nos soam a clássico com a entrada do refrão. “I gotta get a copy of this one, twist one”

 


 

[GILLY MAN GIRO] “Out Of My Mind”

Viramos a página para o hardcore num tema para os ravers. Não pela sonoridade, mas pelos conteúdos que Gilly Man Giro debita sobre a batida sombria com pequenos pormenores melódicos que parecem retirados de um filme de terror. Drogas, álcool, violência e mais drogas. Num louco cocktail depressivo e paranóico que nos faz perder a cabeça para lados mais obscuros, retirando-nos a sanidade por momentos.

O clipe gira em torno de imagens de raves e ruas escuras, sempre com um ambiente de fundo que nos remete para o abuso e a mistura de substâncias psicotrópicas que deixam o MC neste estado quase acabado.

 


 

[STATIK SELEKTAH FEAT. ACTION BRONSON & JOEY BADA$$] “Beautiful Life”

Aposta muito forte de Statik Selektah que nos oferece um vídeo bastante bem dirigido e com uma escolha de MCs invejável. Bronson e Joey dão vida ao seu instrumental que remonta para um nu-funk de se lhe tirar o chapéu, com boas linhas de baixo e teclas e um loop de bateria carregado de groove. Tudo elementos dignos de uma banda completa, aqui, pelas mãos de um só homem.

Falam do que bom a vida tem para nos oferecer e o vídeo deixa-nos com vontade de fazer parte desta festa. É mais um tema com sabor a Verão que nos deixa com água na boca, já que o nosso tem sido estranho.

 


 

[HOZAY] “Nobody Loves Me Like My Baby”

The Rhyme Cellar é o próximo projecto do MC de Bristol, de onde surge este tema como o escolhido para ser apresentado ao público sob a forma de vídeo. Em jeito de egotrip com alguma comédia à mistura, é desta forma que Hozay se apresenta com o novo trabalho num single onde reina a soul music, graças ao sample de Jimmy Gilford, tanto na voz do refrão como nas trompetes que se fazem ecoar pelo resto da faixa, dando um paladar diferente ao do restante rap que tem sido feito em terras de sua majestade.

 


 

[HARRY SHOTTA FEAT. P MONEY & SPYDA] “Back 4 More”

Rap com origem na fusão entre o trap, o drum’n’bass e o grime, que nos faz olhar para este tema como objecto de estudo. Harry Shotta e P Money trazem a escola do flow underground inglês num instrumental rápido carregado de frequências baixas provenientes dos fortes 808s que fazem sentir-se nos nossos ouvidos. Uma construção típica do trap instrumental mais chegado à bass music pela pujança que transmite com todos os seus elementos.

O refrão é entregue a Spyda que nos faz lembrar velhas malhas clássicas de drum/jungle graças à sonoridade jamaicana que a sua voz nos transmite acompanhada de kicks e snares ajustados nos tempos ao milésimo de segundo.

O último EP de Harry Shotta tem o mesmo nome deste single e foi editado no inicio do presente mês.

 


 

[VITAL FEAT. WEBSTER & JINX TOUCHWOOD] “#Wait”

Numa altura em que alguns dos grandes e velhos nomes do grime se vão desviando das suas rotas para explorar campos mais pop, vão surgindo novos elementos nesta saga prontos a dar a voz ao manifesto, ginasticando palavras em flows exóticos.

Instrumental minimal sem parecer cansativo, abre ainda mais espaço aos MCs para se destacarem nos versos, e com sucesso. São três nomes a ter em atenção para os próximos tempos.

Gonçalo Oliveira

Gonçalo Oliveira

Filho bastardo do jazz e da soul que encontrou no hip hop uma nova forma de abordar linguagens musicais perdidas no tempo. Não tem uma música favorita porque Jimi Hendrix e J Dilla nunca trabalharam juntos.
Gonçalo Oliveira

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