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5 performances a não perder no Lisb-On

Começou o ano passado com Dâm-Funk, Moodymann, Carl Craig ou Roy Ayers e prossegue este ano com Nicolas Jaar, Todd Terje, Jazzanova, Nina Kraviz e Michael Mayer, entre outros. O Lisb-On aposta na música de dança e suas variações e escolhe um recanto escondido do Parque Eduardo VII para fazer valer os seus argumentos. O cartaz é todo excitante, incluindo eu e o Rui Miguel Abreu (director desta vossa publicação) a passar discos (respectivamente, no primeiro e segundo dias) mas, reduzindo tudo aos dedos de uma mão, estes são nomes que marco a bold na edição deste ano. De Portugal à Austrália, Noruega ou Alemanha, entre estreias absolutas e regressos reinventados, deep house, techno, pop electrónica, uma orquestra jazz soul e múltiplas formas de música de dança, a oferta é bastante diversa. Marquem na agenda os dias 5 e 6 de Setembro.

 


https://www.youtube.com/watch?v=tLZQy0hpawU

 

[ANDRAS & OSCAR]

Andras Fox e Oscar Key Sung são australianos e têm ambos vidas musicais próprias. Andras Fox, em particular, é um pequeno génio com gosto pela electrónica mais retro, grava boogie funk e lounge/chill out como Andras Fox e new age como Art Wilson, é inventivo, prolífico e tem sentido de humor refinado. Já Oscar Key Sung é um cantor extraordinário que tem criado buzz na liga do novo R&B. Juntos unem as partes comuns e fazem deep house com assomos de soul, jazz e easy listening – dois EPs e um álbum(Café Romantica, editado o ano passado) atestam bem sobre as suas virtudes na pista de dança e fora dela. A coisa parece resultar tão bem ao vivo como em disco, pelo menos a julgar pela atuação no Boiler Room Melbourne, o ano passado. É a primeira vez que tocam em Portugal e também não é muito vulgar apanhá-los na Europa. Não há como falhar, são do mais quente que há.

 


 

[TODD TERJE]

O norueguês Todd Terje não é uma estreia, tem de resto bastantes seguidores por cá – mais ainda desde que convidou Bryan Ferry para fazer a versão de “Johnny & Mary” de Robert Plamer -, mas está anunciado como live e isso não é assim tão vulgar. Terje tem gravado sob vários disfarces mas o nome inspirado em Todd Terry, um dos grandes da cena house de Nova Iorque nos anos 1990, prevalece acima de todos os outros. Terje é um dos elementos da realeza nu disco escandinava e um mago a fazer reedits e remisturas, cultiva géneros passados com disco ou prog, mas aproxima-os de house e techno, baralha e volta a dar e raramente falha no propósito festivo. É também conhecido pela ironia, presente das fotos de promoção aos videoclipes. Este para “Delorean Dynamite” é irresistível (mesmo para quem não percebe norueguês).

 


 

[JAZZANOVA & PAUL RANDOLPH]

Os alemães Jazzanova são um nome de culto em Portugal desde os anos 1990, mas, desta vez, apresentam-se em formato banda com o cantor Paul Randolph na linha da frente do palco, e isso é novidade absoluta em Lisboa (embora já tenha acontecido a Norte). Prevê-se que jazz e soul sejam dominantes, até porque essas são linguagens naturais para os Jazzanova que, com esta formação, têm feito o circuito dos festivais de jazz (nos últimos anos tocaram em Montreaux e no North Sea Jazz Festival, por exemplo). Referência extra para Paul Randolph, cantor de Filadélfia a viver em Detroit, que já gravou para a Mahogani Music de Moodymann e trabalhou com Carl Craig na Innerzone Orchestra (deu voz ao maravilhoso “People Make The World Go Round”).

 


 

[PALMS TRAX]

Jovem DJ e produtor (e skater!) britânico a viver em Berlim, Palms Trax ou Jay Donaldson, tem skills especiais. Já assinou uma excelente remistura para Photonz (“Osisis Resurrected”) e Sean Dixon e a sua cotação não pára de subir. Lançou o primeiro EP, Equation, na Lobster Theremin – foi aliás o primeiro lançamento da editora londrina – e o último, In Gold na holandesa Dekmantel. Faz house e techno respeitando as fórmulas clássicas, mas mantém uma identidade própria, o que colou a si o dístico techno renovator, como lhe chamam no artigo de apresentação do Sónar, onde também toca este ano. É o momento certo para o ver antes de ficar gigante.

 


 

[MIRROR PEOPLE & THE VOYAGER BAND]

O cartaz do Lisb-On tem vários projetos portugueses a merecer sublinhado – a estreia de Fandango, por exemplo, a nova aventura de Gabriel Gomes e Luis Varatojo -, mas os Mirror People de Rui Maia são os eleitos por serem um dos nomes que melhor tem conjugado os verbos que importam na pop electrónica piscando o olho ao disco e punk funk sem desviar a atenção no presente. Apesar de ter uma agenda de concertos bastante intensa este Verão, a formação que vai apresentar-se no Lisb-On (baixo + bateria + sintetizadores + voz ) é especial e a experiência deverá ser única e irrepetível, pelo que é recomendada atenção redobrada.

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