5 motivos para não perderes o NOS Alive

Começa hoje, no Passeio Marítimo de Algés, a nona edição do festival NOS Alive. O evento tem vindo a tornar-se, ao longo dos anos, uma das principais referências nos cartazes de Verão pela escolha ecléctica de artistas que passam pelos vários palcos.

No universo do hip hop, recordamo-nos do concerto dos norte-americanos Beastie Boys, em 2007, quando actuaram no fecho da primeira edição do então chamado Optimus Alive – ainda antes de editarem The Mix-Up. No mesmo ano, e no mesmo dia – 10 de Junho – Sam The Kid apresentava no palco principal o seu último disco de originais, Pratica(mente) com os colegas com quem viria a formar, pouco tempo depois, os Orelha Negra. Pelo Alive já passaram outros nomes do hip hop nacional, como Boss AC ou Nigga Poison, mas outro dos grandes concertos de hip hop a passar por Algés foi, em 2013, o dos norte-americanos Jurassic 5 – uma estreia e um concerto único em Portugal dos cinco MC de Los Angeles.

O hip hop vai conseguindo ter algum espaço num festival com um cariz mais roqueiro – no sentido lato – mas que sabe sempre oferecer boas doses quer de rimas quer de batidas – a electrónica é uma marca constante nos cartazes. Em 2015, não temos figuras de proa do hip hop, mas saltam alguns nomes à vista. Uns mais conhecidos, outros nem por isso. Mas aqui ficam cinco sugestões para a edição deste ano do NOS Alive – aquelas que, se andarem pelo recinto – não devem mesmo perder.

 


https://www.youtube.com/watch?v=xiQw8fqFh3M

 

[YOUNG FATHERS]
(9 de Julho, às 18h50 – Palco Heineken)

De forma meio surpreendente, o grupo de Alloysious Massaquoi, Kayus Bankole e ‘G’ Hastings foi o vencedor deste ano do importante prémio Mercury, atribuído àquele que é considerado o melhor álbum do ano editado no Reino Unido, com Dead. Os escoceses, até então uns perfeitos desconhecidos para muitos, começaram a ter ouvidos mais abertos à sua volta. Este ano já editaram White Men Are Black Men Too, que veio confirmar o interesse crescente nos Young Fathers: três vozes, percussão analógica e muitos sintetizadores, sequenciadores e caixas de ritmo a pintar o cenário para melodias entre o hip hop experimental – na senda de Shabazz Palaces ou Flying Lotus – mas a piscar o olho às influências do electro-rock britânico.

 


 

[THE PRODIGY]
(10 de Julho, às 00h30 – Palco NOS)

Podem não ser novidade para muitos dos festivaleiros, mas energia e big beat não falta ao colectivo de Essex. Para quem ficou a ver o concerto de Mumford And Sons, imediatamente antes, é uma boa forma de despertar e ganhar balanço para o resto da noite. Os ingleses The Prodigy têm disco novo, The Day Is My Enemy, mas para uma plateia gigante as malhas mais antigas, sobretudo do clássico de The Fat of The Land, serão, certamente, as mais celebradas.

 


 

[AZEALIA BANKS]
(11 de Julho, às 00h05 – Palco Heineken)

A estreia de Azealia Banks em Portugal aconteceu há um par de anos, noutro festival de Verão (Super Bock Super Rock). Na altura tocou entre as Anarchicks e Johnny Marr e, no backstage, saudou de forma atrevida Alex Turner, vocalista dos Arctic Monkeys. Desta vez, no Alive, no último dia, a rainha do witch hop aparece depois da negritude dos The Jesus & Mary Chain, a uma hora mais propícia para as batidas do seu hip hop electrónico, pujante, mexido e provocador, com toques de garage e drum ‘n’ bass. Depois de mixtapes e EPs, Azealia Banks apresenta o seu primeiro longa-duração: Broke With Expensive Taste é o disco que, certamente, vai pôr o passeio marítimo a tremer.

 


 

[CHROMEO]
(11 de Julho, às 3h – Palco Heineken)

O electrofunk da dupla canadiana formada por P-Thugh e Dave recebeu a convocatória para fechar a edição deste ano. O mais recente disco, White Woman, aprofundou ainda mais o lado das canções e o concerto, com a ajuda de um lado visual que os Chromeo também gostam de cultivar e explorar e que promete fazer soltar as ancas dos festivaleiros até de manhã.

 


 

[PALCO NOS CLUBBING]
(Dia 10)

Quem visitar este palco, a partir das 19h20, pode perfeitamente correr o risco de sair de lá só às tantas. DJ Kamala vai fazer sets de animação dos intervalos entre as actuações de Capicua (20h50) e, depois, às 23h25, dos Batida– muita atenção a este espectáculo do colectivo liderado por Pedro Coquenão aka Mpula: há poucas semanas passou por Glastonbury, de onde trouxe bastantes elogios. Por cá já vamos conhecendo a música e a estética dos Batida, mas numa altura em que tanto se discutem os direitos cívicos em Angola e a liberdade de expressão, vale escutar e ver o que o colectivo tem para dizer. À 1h55 começa a actuação de Moullinex– Luís Clara Gomes, da editora Discotexas, apresenta as sonoridades disco-funky do seu mais recente Elsewhere.

Bruno Martins

Sou jornalista desde 2003. O hobbie da música vem de garoto e há um bom par de anos que cruzo tudo em papéis. Tudo se mistura nesta mixtape cheia de scratches que é a vida.