5 momentos que fazem de Classe Crua um disco obrigatório

[TEXTO] Moisés Regalado [FOTO] Sebastião Santana

Aviso à navegação: não serve esta lista para elucidar sobre o maior valor de certos temas ou apontamentos sobre outros, mas antes para, partindo de algum lado, descobrir o que faz deste um dos projectos essenciais da nossa história recente.

A audácia de Beware Jack na hora de pegar no caderno não é exclusiva desta ou daquela canção, nem a genialidade de Sam The Kid enquanto produtor se prova apenas pela destreza com que coseu as vozes de AMAURA aos samples escolhidos para “Fisgas”, só que há nestes momentos algo de sumário e incontornável, um reflexo perfeito do caminho traçado pelas rimas e batidas de Classe Crua.


[A perícia de Beware Jack]

“Eu não curtia 2Pac, curtia BIG (…)/ Tens que perceber que o meu rap é New York sem tiros/ L.A. sem Bloods e Crips”. Estas até podem parecer declarações como quaisquer outras (e por escrito até serão), mas são apenas algumas das dicas em que Beware Jack  mostra como se faz. O equilíbrio é invejável, entre o que se diz e a maneira de se dizer — pausas e silêncios incluídos –, sem nunca esquecer que o flow é o último passo da escrita.


[A produção de Sam The Kid]

Classe Crua é, quase por definição, intemporal, com cartões-de-visita como “Chakras” ou “Fisgas” (um dos melhores beats na discografia recente de Sam, muito graças à presença de AMAURA, tão certeira como o mais bem sacado dos samples). Saudades de Beats Vol. 1? Certamente que sim, mas a conclusão desta “Classe Crua”, homónima ao disco, serve como cura para todos os males. Assim se procura a perfeita repetição.


[A participação de Chullage]

As dúvidas sobre o seu momento de forma não se dissipam assim que Chullage começa a rimar, mas, à medida que a estrofe ganha forma, facilmente se percebe que as palavras do MC da Arrentela serão dignas de várias repetições — vantagens de quem nunca viveu refém das dezasseis barras. A entrega, não sendo a mesma de outrora, acaba por surpreender dentro da diferença, e, na verdade, chega a fazer lembrar certos momentos passados, como o seu verso no primeiro álbum de Valete


[A proximidade]

Há aqui uma saudável abundância de takes picados, respirações presentes e toda uma dose de realidade que se junta à magia da música orquestrada pelo duo que liga Chelas a Odivelas. As preces e os desabafos, as histórias e as referências canábicas, as punchlines e o activismo de Beware Jack nunca deixam de conviver lado a lado nos mesmos textos, sem qualquer tipo de amarras e sempre à boleia de uma sinceridade desarmante.


[Sam — e Mariño — no microfone]

Como é bom ouvir Sam The Kid no seu registo de sempre, porém beneficiando do brilho de 2019 em dose certa. “A Minha Praia” é o hit óbvio, mas “Memorabília” merece as mesmas atenções, não só por causa das exímias prestações de Beware e Samuel, mas também porque não é todos os dias que José Mariño, pilar da cultura, volta ao imaginário nacional da cena hip hop.


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