2º Festival Rimas e Batidas: celebrar uma cultura

[TEXTO] Rui Miguel Abreu [FOTO] João “Lagarto”

Foram dois dias de emoções intensas para a alargada equipa Rimas e Batidas: César Furtado, Bruno Martins, Gonçalo Oliveira, Ricardo Farinha, Amorim Abiassi Ferreira, Jorge Vitorino e João “Lagarto” trataram de muito do que viram por aqui – do cartaz e outros materiais gráficos aos textos e fotos e vídeos que deram conta do que aconteceu no Musicbox e na Underdogs/Montana; Bernardo Marques coordenou a operação Vhils que se traduziu na angariação de 1050 euros para a Associação Nacional dos Doentes com Lúpus; lá longe, mas à distância de um click na janela de chat do Facebook, Ricardo Miguel Vieira e Alexandre Ribeiro também deram preciosa ajuda editorial, mantendo a pressão ideal de novos conteúdos na revista; depois, da família próxima, houve contribuições inestimáveis de Fátima Mineiro e Edgar Matos. Todos muito importantes para que, no primeiro dia do nosso segundo ano de vida, tudo se erga risonho à nossa frente.

Claro que o principal neste Festival foram os artistas: Beware Jack a comandar um trio de mestres da MPC – Praso, Tayob e Bambino – sob o olhar atento de Hugo Rafael que deu assim início a um ambicioso documentário sobre uma das mais icónicas ferramentas da história do hip hop; os colectivos da Monster Jinx, da Mano a Mano, da Famillibizno e da We Many a fazerem do palco um espaço de grandes entregas, de grandes descargas de energia, de grandes perfomances; e ainda Pro’Seeds, vindos directamente do Porto, mais o não anunciado Improvisível, os ORTEUM, os “extras” Landim, Eida, Skil, Dynamite, ou Xkisitu, que foi enorme no espaço da Montana/Underdogs…

E por falar em espaço da Montana: são necessários agradecimentos ao Freddy que serve os melhores bagels de Lisboa e arredores, ao gigante DJ Glue que foi insuperável, ao mestre Vhils, à Marina Rei – a festa em que apagámos a vela do nosso primeiro aniversário lotou por completo aquele espaço em frente ao Rio, em pleno Cais do Sodré, ali onde a cidade parece ter ainda mais luz. Entregámos a serigrafia de Vhils, devidamente numerada e assinada, a Paulo Valente que se sagrou vencedor do leilão que durante mais de um mês estacionou no topo do nosso mural de facebook. Com banda sonora de mr_mute e nitronious a festa não podia ter corrido melhor. Um agradecimento especial ao Vira Copos da Ericeira que nos cedeu o combustível para que a festa corresse ainda melhor: vinho, hip hop das melhores colheitas e um bolo decorado com o nosso cartaz! Tudo certo. Outros agradecimentos: à First Bounce – que nos forneceu um par de t-shirts alusivas ao génio de Dilla que presenteámos entre concertos – e à equipa técnica do Musicbox que garantiu som de primeira qualidade a todas as actuações.

Faltam aqui dois agradecimentos especiais, às duas plataformas que nos permitiram fazer este festival acontecer: a Carhartt, que pelo segundo ano consecutivo apoia financeiramente o nosso festival, acreditando no que pretendemos fazer, e reforçando assim a sua óbvia ligação á música até porque uma das suas linhas de design é uma homenagem à Detroit que foi a cidade que viu nascer o génio de J Dilla. O outro agradecimento claro tem que ir para a Antena 3 que desde o início nos tem ajudado a amplificar o nosso sinal. Sem estas cruciais alianças, nada disto aconteceria.

A verdade, há que assumi-lo, é que já estamos de cabeça na terceira edição do Festival: as ideias não páram de surgir e algo há-de acontecer, certamente. É para isso que trabalhamos todos os dias. Enorme honra ver a “marca” Rimas e Batidas mencionada por tantos artistas em palco. Enorme honra ver os ecos destas duas noites nas redes. Enorme honra, sim, e enorme responsabilidade. O respeito que devotamos a todos estes artistas traduz o respeito que sentimos por toda esta cultura. Essa é a principal mensagem que procurámos transmitir ao escolher a figura de J Dilla como farol, como inspiração para este evento. Outros faróis e inspirações hão-de surgir no futuro, de certeza. Mas este foi importante neste momento.

Se a memória não me falha, abaixo encontram um dos últimos sons que se ouviu no fecho com chave de ouro que a We many de Dj Ride e Holly protagonizou ontem no Musicbox. “Shine On” diz a Cris Williamson no sample que Dilla imprimiu forte nnos meus ouvidos. Parece-me ser uma mensagem adequada: continuar a brilhar. É isso que fazem os faróis, não é?


 

 

Rui Miguel Abreu

Rui Miguel Abreu

Crítico musical desde 1989, Rui Miguel Abreu escreve atualmente para a Blitz e integra a equipa da Antena 3. De vez em quando também gosta de tirar o pó aos discos e mostrá-los em público.
Rui Miguel Abreu

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