1980 disponibiliza Vol. 2 de Lyfers e oferece mix exclusiva ao ReB

[TEXTO] Rui Miguel Abreu [FOTO] Maria Louceiro

 

A 1980, plataforma editorial comandada por Nave Mãe e Tugalife, acaba de apresentar o segundo volume da compilação Lyfers contando, desta vez, com o contributo de gente como Ondness, Octa Push, Vulto, L-Ali e Mind Safari, entre outros projectos, num total de 11 novas faixas que antecipam algumas das pistas que esta dupla pretende explorar até ao final do ano. Frederico Mendes, aka Nave Mãe, responde a partir do Porto a algumas questões lançadas pelo ReB e esclarece intenções e planos para o presente e futuro imediatos. Ao mesmo tempo, Nave Mãe descola mais uma vez para nos oferecer um set exclusivo que funciona também como mapa para nos orientar através do universo da 1980. Set e tracklisting mais abaixo.

 

Lyfers Vol. 2 está na rua. Fala-nos desta nova compilação: o que se encontra por lá reunido?

Este segundo volume da Lyfers reúne um conjunto de conceitos que fomos amadurecendo desde que nos propusemos a criar esta compilação. No primeiro volume tínhamos um conjunto de temas avulso para editar ou oferecer, num início de actividade da editora, mas continuamos a receber faixas incríveis e chegamos à conclusão que tínhamos ali material para uma uma boa compilação que abrangia um pouco de tudo aquilo de que gostamos, para além de ter temas incríveis e que nos surpreenderam.
Neste segundo volume, o processo foi mais pensado, já procurámos a faixa certa para o momento certo na história e também fomos procurados o que aumentou o nosso leque de escolha. Posso dizer-te que estamos muito contentes com o resultado, temos uma paleta que mistura cores de Ondness com L-Ali e Vulto., Bababa com Octa Push, Slunk com Missing Link. Tem tudo para ficar um quadro para a posteridade.

Como tens sentido a 1980 a evoluir? É hoje uma editora diferente do que era quando nasceu primeiro na vossa cabeça?

Sim, sem dúvida. Eu e o Tugalife começamos o selo 1980 como uma forma de editarmos algumas coisas que andávamos a fazer e que estavam guardadas por cada um de nós se identificar menos com o que se passa no panorama musical actual (nada contra, uma questão de gosto pessoal, apenas e só). Com o passar do tempo fomos chegando à conclusão que conhecemos pessoas incríveis a fazer música incrível que queremos que chegue ao maior numero de pessoas (nem que sejam quatro ou cinco) e que, além de mostrar um pouco do nosso ADN, esperamos que também inspire gerações futuras. Esta é a 1980 e agora temos o triplo das ideias do que quando começamos e vamos usá-las para os próximos tempos.

 


“A 1980 não sendo uma editora focada 100% em musica electrónica, também não deixa de o ser. E estarmos a marcar presença nesta época de inspiração nacional dá-nos um enorme prazer.”
– Frederico Mendes, aka Nave Mãe

 


A música electrónica nacional atravessa um momento vibrante. Isso é também um desafio?

Claro que é, e concordo plenamente com essa afirmação. A grande prova disso é a rádio/ plataforma Quantica onde convergem quase todos os projectos nacionais interessantes da actualidade e onde se consegue ouvir uma variedade e qualidade nunca antes testemunhada no nosso país. A 1980 não sendo uma editora focada 100% em musica electrónica, também não deixa de o ser. E estarmos a marcar presença nesta época de inspiração nacional dá-nos um enorme prazer.

Como definirias o som da 1980? Já lhe adivinhas uma identidade?

Esta é sempre uma pergunta difícil de responder porque a possibilidade de resposta é demasiado ampla. Eu acho que temos vários pontos em comum que se foram mantendo desde o início da criação da editora, são pontos que nos acompanham desde que nos conhecemos (finais dos noventas) e a que podemos chamar uma mistura num enorme caldeirão de cidades como o Porto, Londres, mais precisamente Brixton (daí vem o nosso sotaque Portogeez) e depois aquelas eternas referências como Nova Iorque e Detroit. Temos vários pontos em comum com tudo aquilo de que gostamos e queremos transformar isso numa linguagem só nossa.

Planos para este ano de 2016? Há mais edições físicas a caminho?

O maior objectivo para 2016 é mesmo o conseguirmos uma sustentabilidade para lançarmos com regularidade edições físicas dos nossos projectos. Temos em agenda já para o próximo mês o EP de estreia do Non Gravity Area chamado Universal Gravitation e também as estreias em EP dos User_145, da one-man band Hai e dos nativos de Brixton, Slunk. Temos também o EP do Mind Safari e possivelmente a concluir o ano o terceiro volume da Lyfers.

O que se vai passar nesta apresentação de sábado, 16 de Janeiro, no Desterro, em Lisboa?

Vai ser a primeira apresentação oficial deste novo volume da Lyfers, num dos sítios que para mim é das maiores montras do que mais interessante se anda a fazer no underground do nosso pais, com um live act do Ondness acompanhado por um b2b all night long entre mim e o Non Gravity Area. Venham, porque vai ser quente de certeza.

 

Tracklisting de Sureshots and Upcoming Releases da 1980 por Nave Mãe

1 – User_145 – Heat of the moment [Forthcoming 1980]
2 – Tugalife – Wednesday [1980]
3 – Slunk – For the G¥s [1980]
4 – Bababa – Theo [1980]
5 – Miguel Torga – Piscina [1980]
6 – Unfixed & Broken – I just want [1980]
7 – Mind Safari – Smoke Poetry [1980]
8 – Non Gravity Area – Youngest Journey [1980]
9 – JosÈ Acid – Untitled 4 (Photonz Remix) [1980]
10- Unfixed & Broken – Your Woman (Shcuro Remix) [1980]
11- Non Gravity Area – Medicine (Omar Lidl Remix) [Forthcoming 1980]
12- Deestant Rockers – Detroit Dub [1980]
13- Non Gravity Area – Call [Forthcoming 1980]
14- Mind Safari – Sands of Time [Forthcoming 1980]
15- XNOIR – 1984 [1980]
16- L-Ali & VULTO. – Estranho Lamento [1980]
17- Slunk – Frank Ocean [Forthcoming 1980]

Rui Miguel Abreu

Rui Miguel Abreu

Crítico musical desde 1989, Rui Miguel Abreu escreve atualmente para a Blitz e integra a equipa da Antena 3. De vez em quando também gosta de tirar o pó aos discos e mostrá-los em público.
Rui Miguel Abreu