Chelsea Reject: uma artista em construção numa cidade em obras

[TEXTO] Alexandre Ribeiro [FOTOS] Hélder White

 

Talento, energia e skill: Chelsea Reject tem os três e não tem medo de o mostrar. Musicbox bem composto para a estreia da MC de Brooklyn, Nova Iorque e Lisboa em obras a servir de metáfora para o potencial de Chelsea: o projecto parece prometedor, mas existe muita matéria a rever antes de tirar conclusões precipitadas.

 


improvisivel


O warm-up para a noite foi comandado por Andrezo para uma sala sem alma-viva, contando pouco mais de uma mão-cheia de presentes enquanto as colunas libertavam música com costela hip hop e bass a picar nos máximos, ouvindo-se nomes como Notorious B.I.G, 50 Cent, Drake ou Fetty Wap.

Antes de deixarmos entrar a nova coqueluche do histórico local de nascimento de rappers como Jay-Z, AZ, Big Daddy Kane ou Biggie, Improvisível tomou conta do único palco do Musicbox e transformou a sala num laboratório onde a técnica se sobrepõe ao produto final. Loops, beatbox, rimas e batidas são fundidos numa fórmula que tem tanto de impressionante como de previsível.

 


chelsea reject musicbox


O DJ de Chelsea Reject é uma das armas secretas do espectáculo e foi o primeiro a entrar em palco depois da saída de Improvisível. Chance The Rapper foi a escolha do DJ para aquecer o público e, depois da apresentação de Rainner Brito, o organizador do evento da noite passada, Chelsea Reject entrou sem pedir perdão e deu um pontapé para a frente numa noite que girou à volta da última mixtape da MC, CMPLX.

O talento está lá, disso não existe qualquer dúvida. Acerta na batida, rima em contra-tempo sem nunca perder a orientação e o knowledge é parceiro dos instrumentais que podem tanto soar a criações de estetas da Internet como Kaytranada ou a produtores com uma sonoridade mais clássica como DJ Premier.

 


chelsea reject musicbox 2


Não só de elogios se faz esta reportagem ao concerto de ontem. Chelsea Reject apresentou-se sozinha e isso por vezes trouxe-lhe dissabores: muitas vezes o silêncio caiu entre o público – um hype man ajudaria nisso – e mandou o DJ “skip the tune” porque esqueceu-se da letra – um hype man para vir em seu auxílio? Não estragou a noite, mas são pormenores que lá mais para a frente irão fazer a diferença entre ser uma MC mediana ou uma artista acima da média. Sem tentar puxar o futebol para o assunto, mas Renato Sanches é o paralelo perfeito para Chelsea Reject: duas pérolas cheias de qualidades com bastantes arestas para limarem no seu “jogo”.

Posto isto, “Need This”, “Everything’s Change”, “Viibes” e “So High” – todas presentes em CPMLX – foram os três pontos altos da noite, juntamente com o DJ, exímio no scratch e sempre a tentar puxar pelo público. “Just keep it movin’ like you ain’t being intrusive, they yellin’ bullshit i’m tryna make a movie”, rimou em “So High”. Sem nunca ser convincente na escala máxima, a verdade é que Chelsea nos mostrou um filme prometedor na noite passada. Vamos todos querer conferir a sequela.