00:NEKYIA: “A nossa missão assenta no apoio à cooperação e colaboração de diversas linguagens e expressões artísticas”

[TEXTO] Vasco Completo [FOTO] Filipa Pinto Machado

O recém-criado colectivo 00:NEKYIA lançou a primeira compilação, HYMN, no dia 5 de Janeiro. Englobando 27 nomes nacionais e internacionais numa amálgama estilística em que a experimentação tímbrica é chave, o projecto contém quase duas horas de música bem representativa de uma intenção visivelmente partilhada pelos fundadores do colectivo: Afonso Arrepia Ferreira, Pedro Menezes e Teresa Cristina.

Desde o ambiente ao noise, entre os vários espectros que podem constituir a electrónica, 00:NEKYIA congrega diferentes “linguagens e expressões artísticas”. Amanhã, dia 12 de Janeiro, o colectivo reúne-se no DAMAS: o evento de entrada livre terá performances de Concrete Fantasies, HRNS com Swan Palace e DRVGジラ.

Ao Rimas e Batidas, os três fundadores falaram sobre as suas intenções para o projecto, o estado actual da electrónica e da arte contemporâneo e a curadoria deste tipo de empreendimentos.

 



Que ideia está por trás da criação deste colectivo?

O colectivo surgiu da vontade conjunta de três criativos em materializar uma visão artística actual e a par do panorama de arte contemporânea que se observa internacionalmente. Pretendemos apoiar e gerar produções nacionais e internacionais de destaque no universo de performance experimental, em todas as suas vertentes.

Este vosso hino é tão diverso e abrangente, contando com 27 artistas diferentes. Qual é então a premissa de 00:NEKYIA?

HYMN reflecte a nossa vontade de ultrapassar o que são considerados formatos “normativos” do que um álbum, ou um colectivo pode concretizar. Pretendemos com esta compilação reunir um conjunto de vozes distintas e individuais e agir como um foco nuclear onde nela se congregam, como uma só unidade abstracta, optando por uma relação simbiótica e removida do indivíduo em favor de um todo. A nossa missão enquanto 00:NEKYIA assenta no apoio à cooperação e colaboração de diversas linguagens e expressões artísticas, para que exista uma maior permeabilidade entre práticas e artistas contemporâneos.

Podemos ver que tencionam relacionar-se, enquanto colectivo, física e directamente com o vosso público. Que tipo de eventos têm planeados para os próximos tempos?

Neste momento, para além de projectos em progresso que (ainda) não podemos nomear, temos anunciado um concerto no DAMAS em Lisboa, que nos aceitou receber para um showcase de artistas da compilação, trazendo novidades e diversos formatos de performance. Concrete Fantasies vem de Madrid para apresentar o seu novo álbum takecareofyourbelongings, fortemente inspirado pelos momentos que experienciou em Lisboa, e que explora a relação entre a paisagem urbana e a natureza por ela modificada. HRNS e Swan Palace vão colaborar em exclusivo, num momento de energia crua, entre a estética fria mas esperançosa de HRNS, um coro de auto-tune, e as melodias que rompem pela fisicalidade sonora de Swan Palace. DRVGジラ vai encerrar a noite com um DJ set inspirado na corrente perdida de witch house e trap alternativo, assim como faixas originais ao longo do set. Está marcado para dia 12 de Janeiro às 22 horase a entrada é livre.

Qual é o vosso papel no colectivo?

O nosso papel enquanto fundadores passa principalmente pela direcção criativa, futuramente comissão e/ou curadoria de projectos, dependendo do formato de evento que pensamos concretizar, e do tipo de apoio e oportunidades que nos apresentarem.

A vossa expansão dar-se-á noutros formatos artísticos – apostando no lado visual, por exemplo – ou o som constitui o vosso principal fim?

00:NEKYIA irá sempre envolver som como elemento comum, pois é deste que partimos, e nele que nos relacionamos e procuramos inspiração. No entanto, vamos relacioná-lo com múltiplas formas de expressão artística. O nosso ideal é criar uma plataforma internacional viável para o intercâmbio entre a arte sonora experimental, digital, plástica, visual e outras.

Como vêem o panorama da produção electrónica em Portugal? 

A produção artística portuguesa é certamente influenciada pela falta de apoios e de incentivos à mesma. Os poucos apoios existentes são mal divulgados, e de difícil acesso, sendo raras e espaçadas as bolsas existentes, com critérios vagos ou sujeitos a uma avaliação de vertente tradicional. Em comparação com a variedade de apoios e bolsas de financiamento existentes para artistas em países como a Alemanha ou Bélgica, é difícil sustentar a produção cultural alternativa em Portugal, caindo um pouco na disponibilidade individual, social e financeira para a realização da mesma. Estes parâmetros limitadores afectam principalmente as populações mais carenciadas e minorias, não oferecendo oportunidade de diversificação nem incentivo para abrir as portas necessárias à criação e exploração criativa que vemos surgir noutros países europeus. É graças à dedicação e constante esforço de associações culturais existentes como a Galeria Zé dos Bois, OUT.RA, Gnration, entre outras, que se continua a incentivar, apoiar e divulgar práticas artísticas diversas e enriquecedoras que nos encorajam a continuar.

 


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