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Fotografia: Direitos Reservados

Podem comprar a compilação no Bandcamp da editora.

001_RESISTANCE da Troublemaker Records: é imperativo continuar a resistir e mudar

Fotografia: Direitos Reservados

Foi num ambiente familiar, de trocas de ideias, histórias e projectos, que nasceu, em 2018, a Troublemaker Records, uma editora independente lisboeta de artistas queer e POC (people of colour). Com o objectivo de ser “um porto seguro para artistas únicos e genuínos que nem sempre tiveram oportunidade de expor o seu own self, seja pela sua orientação sexual ou pelo tom de pele”, e de, ao mesmo tempo, criar um movimento nacional que olhe para o r&b de uma forma fresca e diferente, NESS, Herlander, Killian, PHOEBE e Odete vão festejar o segundo aniversário da editora com 001_RESISTANCE, uma compilação composta exclusivamente por artistas POC, que inclui alguns dos músicos mais progressistas e dinâmicos de Lisboa, exploradores de estilos que vão desde o hip hop e r&b ao funk e deconstructed club.

A ligação entre estes artistas aconteceu quando se aperceberam que todos partilhavam uma batalha com crises existenciais, seja “ao crescer numa church household e não poder mostrar quem amas, ao ser mixed e crescer a negar a sua negritude por racismo interno, ao crescer e não reconhecer-se no corpo em que nasceu, ao ser-se abandonado por quem estava destinado dar amor condicional e tudo isto, sendo queer e um outsider para o resto da sociedade”. Estas experiências, aliadas à explosão de manifestações que aconteceram por todo o mundo, onde se exige justiça e igualdade, feitas por pessoas que se recusam a tirar os seus pés das ruas até que as suas demandas sejam cumpridas, criaram o ambiente de união e a vontade de contribuir para esta mudança que motivou a existência desta compilação, composta por artistas como Cigarra, Dead Flying Things , Drvgboy, FABZ, Herlander, Killian, NESS, Oseias, PHOEBE e Tita Maravilha. “A resistência e a mudança têm sido atrasadas com toda a urgência que tem vindo building up desde todos os acontecimentos e vídeos que têm vindo à tona, não só em Portugal como noutros países. Todos vimos um de nós, um irmão, um primo nas faces das vidas que têm sido perdidas há milhares de ano”, afirma a editora, acrescentando ainda: “nós, como artistas, temos de nos unir e mostrar que somos mais do que as caixas invisíveis que nos categorizam.”

A data de lançamento, 19 de Junho, coincide (sem coincidência alguma) com o dia em que o Bandcamp vai doar 100% da sua comissão de qualquer compra na plataforma à NAACP Legal Defense Fund, uma das principais organizações americanas que luta pela justiça racial. Portanto, na compra desta compilação, é possível ajudar não só artistas nacionais como também todo o movimento que tem tentado libertar a sua comunidade das mãos da opressão sistémica institucionalizada.


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