“O Woner fazer música por estar de coração partido é um meme”

[TEXTO] Vasco Completo [FOTO] Direitos Reservados

Woner lançou anteontem o seu novo projecto, Chora Por Mim, Fode-te Romance/ Odeio-te. O artista voltou a apostar no formato EP depois de, no ano passado, ter lançado FLANELA, trabalho marcado por uma sonoridade mais experimental e “suja” em que predominavam as alterações de pitch nas vozes e batidas. Ainda disponibilizou Myspace Cringe 2006​-​2010, que, tal como podemos ler no seu Bandcamp, compilava faixas de uma mixtape que não chegou a sair, primeiras músicas em que gravou em beats seus, tracks com os seus amigos e esboços para uma beat tape que também não viu a luz do dia.

“Erro 03/08” dá o mote para Chora Por Mim, Fode-te Romance/ Odeio-te e Woner explora a sua dor da maneira que sabe: transformando-a em música. Mais inspirado em Lil Peep e a sua crew Goth Boi Clique, o músico português apresenta uma sonoridade mais acessível na qual a melodia é central, mas sem descurar a sua marca de autor: escrita directa e tendencialmente pessimista que ocupa um espaço muito particular e solitário em território nacional. Tal como o spleen estaria para Baudelaire ou o desassossego para Bernardo Soares, a fuga, a morte e o sexo estão para Woner.

Woner também tem um álbum na calha – Príncipe das Trevas é o seu título. Depois de alguns percalços  com o seu computador — perdeu alguns esboços de música que tencionava lançar –, este EP serviu para convencer-se “que ainda estava a fazer música”.

 



Tanto o título como a capa deste EP são bastante sugestivos. O que podes falar sobre este Chora Por Mim, Fode-te Romance/ Odeio-te?

Foi novamente a forma mais eficaz que arranjei para tentar lidar com esta fase má em que me encontro. O Woner fazer música por estar de coração partido é um meme. Sempre quis que quem errasse comigo chorasse por mim, mandar foder o romance por me atrair tanto, e ter o direito de odiar… No entanto, resta-me apenas a vontade patética, descontrolada e avassaladora de querer voltar o tempo atrás e passar pelos bons e maus momentos de novo com esta pessoa.

O registo deste EP tem a guitarra menos alterada mas parece mais presente que no anterior FLANELA. Trabalhaste da mesma maneira, usando samples, ou tocas também?

Neste não toquei em nada nem produzi. Mas no meu próximo álbum, Príncipe das Trevas, já toco alguma coisa e tenho produtores de topo. Está a ficar incrível.

Dá para ver também que apostaste numa sonoridade mais melódica e directa, sendo que anteriormente usavas muito o pitch-down. Estas alterações vêm de alguma intenção ou influência, ou foi uma direcção tomada de forma mais instintiva?

Estava a precisar de fazer uma pausa. Tive um problema com o meu computador e perdi grande parte dos projectos que andava a fazer e os álbuns que ia lançar este ano. Seguir esta linha foi a forma de me enganar a mim próprio e convencer-me que ainda estava a fazer música. Resultou, consegui manter a minha sanidade. Curiosamente as pessoas gostaram mais deste Woner, talvez por ser mais acessível. A influência é obviamente desta new wave GBC [Goth Boi Clique]. Mas yo, depois do próximo álbum vou voltar à minha cena dark, já tenho saudades de escrever a sério. Para já, vou continuar nesta wave, acabar o meu álbum e focar-me em participar com artistas underground que estão a aparecer cheios de talento.

Só tiveste uma participação neste EP, do Hellbae. Como é que surge esta colaboração? 

That’s the homie! Acho que foi o primeiro registo vocal dele. Estávamos em situações parecidas e foi a forma de combater isso. Quero sempre os meus G’s comigo. Perfeito sempre que pudermos ser pro-activos e ficar longe da junkie life. S/o Hellbae!

Revelaste numa publicação no Facebook que tinhas sido obrigado a apagar os teus vídeos do YouTube. Sentes que isso bloqueou parte do teu processo criativo neste trabalho?

Sinto que bloqueou muita coisa em muitos trabalhos que tenho vindo a fazer. Foi um atentado à arte absolutamente nojento e repreensível. Duvido que filmes de terror ou drama estejam a ser retirados dos cinemas com base na possível convicção jurídica de que o guionista ou realizador possam ser malucos. Arte é arte.

O que te tem impedido de apresentar mais a tua música ao vivo?

Um misto de desinteresse por parte de quem organiza festas e desorganização da minha. A verdade é que também não me encontro bem de saúde, vejo-me a ficar débil a um ritmo assustador. Temo não ter tempo para fazer as coisas como tinha idealizado. Este ano foquei-me mais em aparições. Cantei uma música quando o Lord D veio cá, outra com o Cripta quando ele, o Fonseca e o Jota vieram cá, vou no próximo dia 21 cantar uma ou duas músicas no concerto do Palazzi em Almeirim, o DJ Nobita (Rudolfo) e o Ghost Wavvves foram passando músicas novas minhas em vários sets, etc. Mantive o nome vivo sem pôr a minha saúde em risco. No próximo ano talvez volte a dar concertos no meu clássico registo teatral.

 


Woner: “FLANELA é um EP que já queria ter feito há algum tempo”

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