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Fotografia: Direitos Reservados

Os diferentes espectros da música negra.

Sexta-feira farta: novos trabalhos de Teyana Taylor, Roy Ayers, SAULT, Molero, John Legend e Smokepurpp

Fotografia: Direitos Reservados

Feliz Juneteenth, porque o dia 19 de Junho não é uma efeméride qualquer. Foi, em 1864, o dia em que o estado norte-americano do Texas concedeu a adiada liberdade aos indivíduos que mantinha como escravos – uns estimados 250 mil.

No 154º aniversário do começo da emancipação negra – ainda longe, como temos percebido ao longo do tempo, do esperado –, há nova música para a celebrar. Roy Ayers regressa; Teyana Taylor proclama-se livre e feliz; os misteriosos SAULT formulam um rico tratado sobre a negritude. Há ainda Smokepurpp, John Legend, e o venezuelano Molero.


[Teyana Taylor] The Album

De 22 minutos para 1 hora e 17 minutos: Teyana Taylor escolheu o Juneteenth para lançar o sucessor de K.T.S.E. (2018). Após uma reedição cancelada do disco de estreia, produzido por Kanye West, reinvestiu essa mesma energia, prometendo passar a estar de corpo e alma nos seus próximos projectos.

A polímata traz com The Album uma mensagem de libertação e catarse – algo que já anunciavam os primeiros avanços, “Made It” e “We Got Love” – num dia de emancipação negra. Ao seu lado, tem gente como Lauryn Hill, Erykah Badu, Missy Elliott; é preciso dizer mais?


[Roy Ayers] Jazz Is Dead 002

Começou no post-bop, foi um dos parteiros do jazz-funk e deverá ter a discografia recordista em fontes de samples. Roy Ayers é um dos vibrafonistas mais icónicos da história da música, desde “Running Away” até “Everybody Loves the Sunshine”.

A culpa do seu regresso aos álbuns de estúdio é de Adrian Younge e Ali Shaheed Muhammad (dos A Tribe Called Quest), fundadores do selo discográfico Jazz Is Dead. Em Março, chegou-nos aos ouvidos uma compilação colaborativa com artistas como Marcos Valle ou João Donato; daqui em frente, um LP para cada lenda, e o primeiro é de Ayers.


[SAULT] UNTITLED (Black Is)

Não sabemos bem quem são os SAULT, um colectivo que funde o psicadélico com o funk, apenas como pontos de partida. Depois dos aclamados álbuns 7 e 5, contudo, é seguro admitir que a anonimidade não prejudica o sucesso. Na NPR, Marcus J. Moore descreve o novo disco como “uma colecção robusta de funk, soul, spoken word meditativa e cantos de protesto que apresentam o espectro completo da Negritude.”


[Molero] Ficciones del Trópico

A Holuzam, editora nascida na loja de discos Flur, volta a dar cartas a partir do estrangeiro (depois do português Pedro Magina, sediado em Barcelona, ter editado Olímpia). Em rigor, Ficciones del Trópico é o seu primeiro título internacional, e não apenas pelo título: trata-se da estreia do venezuelano Molera.

Uma floresta sintética, para estimulação prolongada, alberga “oito temas/ficções em volta da interpretação de Molero às interpretações ocidentais/europeias, sobretudo do século XIX, sobre a Amazónia”, como nos conta a Holuzam, que vai no seu quinto lançamento desde que a pandemia fechou o mundo.


[John Legend] Bigger Love

John Legend tem um disco novo e o Rimas e Batidas esteve na festa de lançamento – bastou apanhar um voo na companhia Zoom. O mítico Raphael Saadiq é o produtor principal de Bigger Love, disco onde o r&b tem banda larga: desde a soul suada de Voodoo à pop veraneante em parceria com Koffee (a artista mais jovem a ganhar um Grammy para Melhor Álbum Reggae). Apenas vozes femininas se juntam a Legend neste LP, entre as quais Rapsody e Jhené Aiko.


[Smokepurpp] Florida Jit

De Flórida para o mundo, eis Smokepurpp já no seu segundo álbum…? EP? Digamos projecto. O passado mês de Dezembro trouxe-nos Deadstar 2, sequela à sua mixtape de 2017; o novo trabalho traz à mesa Lil Pump, Denzel Curry ou Rick Ross, envoltos numa teia de hip hop com veia de Miami.

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