Pedro, O Mau sobre FALSA: “É muito genuíno e desafiante”

[TEXTO] Gonçalo Oliveira [CAPA] Pedro, O Mau

Pedro, O Mau acaba de lançar FALSA, o seu novo EP de instrumentais, na plataforma Bandcamp.

Importa sublinhar o espírito DIY de Pedro Carvalho, que assina novamente o artwork para uma obra sua. Os samples ficam arrumados no disco rígido, recorrendo apenas àqueles que são essenciais para compor o lado rítmico dos seus beats. A ausência de técnica na teclas não se nota em FALSA, já que a prática leva à perfeição e Pedro tem insistido neste registo mais melódico em projectos como LISTA DE REPRODUÇÃO ou MONRÓVIA, ambos editados este ano através de COLÓNIA CALÚNIA. “Acho que já há algum tempo que tenho vindo a deixar cada vez mais o sampling de lado, e a procurar desenvolver os meus próprios loops”, explicou ao ReB. “Tenho gostado de experimentar com o teclado. Sou muito básico tecnicamente, por isso é um trabalho muito genuíno e desafiante.”

 



A gestão do material que cria, guarda e edita é fruto de “um processo contínuo”. O ritmo frenético ao qual desenvolve novos instrumentais permite-lhe não só distribui-los pelos vários artistas com quem colabora, mas também arquivar os “restos” para mais tarde compilar em projectos em nome individual — em Abril deu-nos quase 50 minutos de música quando editou YARIKATA pelo colectivo que fundou em 2016. “Vou tendo material que acho que se enquadra junto, e acabo por fazer grupos de músicas que penso serem mais coesas a nível de mood.”

E se muitas vezes as mutações de um artista passam por absorver a sonoridade de outros intérpretes, como inspiração para os seus próprios trabalhos, o mesmo não se passa com Pedro, O Mau, que prefere focar-se em desenvolver as suas próprias técnicas e estéticas no laboratório. “Sei que soa mal dizer que acho que não há assim ninguém que me esteja a inspirar propriamente nos últimos tempos. Gosto muito de algumas cenas que tenho ouvido por aí, claro. Mas tenho andado mais focado em perceber o que eu quero sonicamente, e menos no que se anda a passar à minha volta no geral. Se calhar inspiro-me na minha vida.”

FALSA é o segundo trabalho do ano em nome próprio. Mas a teia criativa do produtor estende-se por muitas outras galáxias: além dos já referidos trabalhos de COLÓNIA CALÚNIA que contam com o seu cunho, também o pudemos ouvir em lançamentos no Bandcamp de VULTO., a remisturar o seu próprio legado na página de Pedro, O Mau ou num formato mais experimental através das demonstrações e ensaios que assina num misterioso Tumblr. No final da semana passada, testou xtinto pela primeira vez numa produção sua. “Gostei da sonoridade dele enquanto rapper e achei que poderia fazer cenas interessantes com o input dele”, revelou à nossa redacção. A parceria vai manter-se, para já apenas para perceberem até onde conseguem caminhar juntos: “Estamos a experimentar coisas mas nada a pensar no futuro. Mais a tentar a perceber onde é que nos entendemos melhor.”

 


Entre VULTO. e benji price, eis que surge o promissor xtinto

Gonçalo Oliveira

Gonçalo Oliveira

Filho bastardo do jazz e da soul que encontrou no hip hop uma nova forma de abordar linguagens musicais perdidas no tempo. Não tem uma música favorita porque Jimi Hendrix e J Dilla nunca trabalharam juntos.
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