Os 5 melhores vídeos internacionais de 2018

[TEXTOS] Alexandre Ribeiro e Luis Almeida [ILUSTRAÇÃO] Riça

Em 2018, a cultura negra (à boleia do trap, primordialmente) venceu. Os dois primeiros lugares da lista são ocupados por artistas de elite da música, e não só, norte-americana que partilham algo crucial para compreender o impacto dos seus videoclipes: a vontade de utilizar o sub-género movido a graves e ad-libs, elementos que dão nova vida às suas formas de cantar e rimar. De seguida, o inevitável A$AP Rocky e a novata Tierra Whack trouxeram inovação com visuais absolutamente estrondosos e groundbreaking, complementando a grandiosidade e opulência dos vídeos de Childish Gambino e Beyoncé & Jay-Z.

Para o fim fica Rosalía, a espanhola que se assumiu como a grande estrela internacional da música pop do ano passado: para além das canções — o mais importante nisto tudo –, a artista deslumbra também nas produções visuais.

Ao contrário do que pode acontecer com muitas das escolhas nas diferentes listas de melhores do ano, esta selecção sabe a clássico e intemporal: daqui a 15 anos, “This Is America” poderá ser dissecado nas escolas como forma de interpretar os Estados Unidos da América de 2018 e “Whack World” servirá de modelo para todos os criadores da era digital que cresceram nas redes sociais.

 


[CHILDISH GAMBINO] “This Is America” (1º lugar) / Realização: Hiro Murai

Provavelmente o videoclipe que gerou mais conversa, memes, análises e paródias do ano. Childish Gambino surgiu em Maio com um vídeo poderoso repleto de referências à black art, uma série de dicas sobre o que é ser negro na América. É uma obra com diversas camadas, começando pelas danças “toscas”, mas “memeables” do primeiro plano.

Gambino leva-nos pelo caminho leve e divertido da black culture, mas não nos deixa esquecer a violência e o crime, revelando o caos e a destruição no segundo plano. Tecnicamente exímio, Hiro Murai realiza este clipe como realiza um episódio de Atlanta. Não quer ser espampanante, quer passar uma mensagem realista, com cores sóbrias, e por isso prende-se maioritariamente nos cinzas e apenas se destacam duas cores, o castanho dos corpos e o vermelho do sangue.

“This Is America” é, sem dúvida, uma música forte, mas o videoclipe eleva-a e transforma os seus sons meio caóticos numa mensagem clara que merece ser analisada vezes sem conta. Afinal de contas, Gambino e Hiro Murai têm muito a dizer…

 


[THE CARTERS] “APES**T” (2º lugar) / Realização: Ricky Saiz

Se há alguém com possibilidade de alugar o Louvre para um videoclipe, esse alguém é o casal Carter. Beyoncé e Jay-Z juntaram-se para um álbum surpreendente e, claro, a parte visual não poderia ficar para trás. Num misto de arte clássica, representada pelos quadros e esculturas presentes no museu, e arte moderna, nas poses, coreografias e guarda-roupa, este videoclipe é uma verdadeira homenagem ao mundo artístico. Numa clara analogia à evolução artística ao longo dos séculos, os Carters colocam-se no mesmo nível da arte dos grandes mestres, mostrando claramente que o seu poder mediático vai muito para além da música. Realizado por Ricky Saiz, o vídeo tem uma iluminação que faria inveja a Leonardo Da Vinci, planos que rivalizam com qualquer quadro do Renascimento e, ainda assim, consegue ser moderno o suficiente para impressionar tanto ou mais que qualquer outro videoclipe feito em 2018. Deixem passar a realeza.

 


[A$AP ROCKY] “A$AP FOREVER” (3º lugar) / Realização: Dexter Navy

A$AP Rocky e Dexter Navy juntam-se mais uma vez para um videoclipe bombástico. A dupla que nos trouxe o psicadélico videoclipe para “L$D”, em 2018, surgiu com algo igualmente repleto de efeitos impressionantes que complementam na perfeição o tema. “A$AP FOREVER” é uma ode à crew de Rocky e por isso o cenário principal tinha que ser Nova Iorque. Numa viagem estonteante pela cidade e pelos locais que caracterizam o grupo, Dexter leva-nos a conhecer a Mob e até o interior de Rocky. A viagem é alucinante, com planos rápidos e transições que nos transportam por poucos frames entre vários cenários, mas sem nunca perder o fio à meada. Navy voltou a demonstrar que é um realizador a ter em conta, com um estilo único que parece sempre elevar a fasquia quando se junta a Rocky, colocando todos os entusiastas do vídeo a coçar a cabeça para tentar desvendar os segredos daquelas transições.

 


[TIERRA WHACK] Whack World (4º lugar) / Realização: Thibaut Duverneix e Mathieu Léger

Esqueçam os “15 minutos à Benfica”: a partir de agora, “15 minutos à Tierra Whack” é a expressão que devem usar quando quiserem dizer que alguém conseguiu “destruir” tudo nesse espaço de tempo. A artista aproveitou-se das ferramentas que tinha, neste caso o Instagram, para lançar 15 canções de um minuto, uma maneira de usufruir da sua incapacidade de se focar muito tempo numa determinada coisa. A partir desse momento, a rapper de Filadélfia criou (ou celebrizou, pelo menos) toda uma nova maneira de olhar para a duração das canções e de um disco, dando ainda uma aula sobre como fazê-lo nas redes sociais. E o conceito não é uma gimmick para disfarçar a menor qualidade das faixas: Flying Lotus que o diga

 


[ROSALÍA] “Malamente” (5º lugar) / Realização: CANADA

Um videoclipe que “brinca” com o tradicional e o moderno. A nível técnico, a escolha do formato 4:3 com cantos redondos faz lembrar filmes caseiros antigos, contrastando com o feeling e look de um clipe moderno. Não arrisca muito, mas impressiona nos pormenores dos planos e nas mensagens que esses escondem. A aposta em cores naturais não rouba a atenção ao que realmente importa, não necessitando de espalhafato para se tornar num dos vídeos mais falados do ano.

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Escolhas de: Alexandre Ribeiro, Miguel Santos, Luis Almeida, Miguel Alexandre, Ricardo Farinha, Vasco Completo, Alexandra Oliveira Matos, Moisés Regalado, Manuel Rodrigues, Gonçalo Oliveira e Rui Miguel Abreu.

ReB Team

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