NERVE: “O meu ano ainda não acabou”

[TEXTO] Gonçalo Oliveira [FOTO] Sebastião Santana

NERVE vai apresentar AUTO-SABOTAGEM pela segunda vez em Lisboa na companhia de Notwan. O concerto está marcado para o dia 29 de Dezembro, no Musicbox, e, segundo o próprio, também servirá para testar algumas novidades.

AUTO-SABOTAGEM sucedeu a ‘Trabalho & Conhaque’ ou ‘A Vida Não Presta & Ninguém Merece a Tua Confiança’, e trouxe-nos NERVE no seu registo mais solitário de sempre. Trancado no seu covil, Tiago Gonçalves tratou de assinar toda a produção, escrita, gravação, mistura e ilustração do seu mais recente projecto, apenas contando com alguns toques finais de DWARF, na masterização, e Notwan, que tocou saxofone em quatro dos seis temas.

A visita de NERVE ao Musicbox vai assinalar a segunda vez que AUTO-SABOTAGEM se ouve ao vivo em Lisboa —apresentou o projecto no Lux Frágil em Junho. Para aqueles que marcaram presença nesse gig, não pensem que já viram tudo. “Haverá daquilo que é bom: música nova, tanto minha como do Notwan”. Palavra de “Sacana Nervoso”.

Em conversa com o Rimas e Batidas, Tiago Gonçalves fez um pequeno balanço de 2018 e apontou algumas das novidades que espera trazer ao seu núcleo de seguidores em 2019. E, apesar de já só restarem 12 dias para terminar o ano, o aviso fica dado: “O meu ano ainda não acabou.”

 



2018 foi um ano especial para ti, que puseste cá fora mais um disco. Que balanço fazes destes últimos 12 meses?

Sim, 2018 foi um ano importante. Editei um EP totalmente produzido por mim e apresentei-o perante um Lux praticamente esgotado, modifiquei o modelo de espectáculo que mantinha há já algum tempo ao melhorar a componente visual (luz e vídeo) e ao convidar o Notwan para me acompanhar no palco, actuei em vários pontos do país onde ainda não tinha tido oportunidade, como Caldas da Rainha, Viseu, Aveiro, entre outros. De ano para ano, venho constatando que o meu público cresce, de forma gradual e orgânica, à antiga. Este ano fiz também algo que estava por fazer há imenso tempo por desleixo meu, que foi distribuir digitalmente os meus projectos anteriores, que estão agora disponíveis no Spotify, iTunes, etc. Finalmente, também este ano, levei a cabo um projecto que tinha há muito tempo: um website meu que serve não só como plataforma para quem quer saber mais sobre o meu trabalho, mas também como loja online sem intermediários entre mim e quem já acompanha o projecto e quer apoiar. Consegui anunciar um novo modelo de t-shirt e, com tempo, tenciono lançar com mais frequência vários modelos com outras ilustrações minhas, assim como outros artigos de merch. Quanto a música nova, aqui que ninguém nos lê, o meu ano ainda não acabou.

O AUTO-SABOTAGEM já vai com mais de meio ano de vida e é aquele que sucede ao teu mais aclamado projecto até então, o T&C/AVNP&NMTC. Como é que tem sido a recepção do público ao disco, tanto ao nível do projecto em si como da forma como o apresentas em palco?

A recepção tem sido positiva. Nesse aspecto, sou um gajo mimado. Tinha determinados objectivos – adequados ao formato de EP e não de álbum – e têm sido alcançados. Passei a mensagem que queria, que não é nem será “popular” mas eu sabia isso. No processo, reuni mais um punhado de músicas que me dão gosto tocar ao vivo e esse novo material foi útil para dinamizar o espectáculo, assim como para apresentar escrita e produção mais apuradas e para mostrar a minha visão sobre alguns temas que ainda não tinha explorado de forma aprofundada. Restam pouquíssimas cópias físicas da primeira edição deste EP e deverão acabar antes do novo ano. Talvez venha a reeditar um dia. Talvez inclua instrumentais, se o fizer.

Dia 29 de Dezembro apresentas-te no Musicbox e aposto que será o último gig que tens marcado para este ano. Ligas a estas coisas da transição entre anos? Preparas algo fora da tua rotina de espectáculos para esta data?

É uma aposta vencedora, a tua. Vai ser o segundo espectáculo em Lisboa desde a edição do AUTO-SABOTAGEM e do novo formato ao vivo com o Notwan. Antes desta, só aconteceu no Lux e haverá muita gente que não teve oportunidade de ver. Em todo o caso, mesmo para quem viu o primeiro, haverá daquilo que é bom: música nova, tanto minha como do Notwan.

Planos para 2019: que caminho traças para o projecto NERVE para os 365 dias que se seguem? Há por aí algo que andes a planear riscar da tua checklist?

Mais música, não necessariamente um álbum ou EP ou o que seja. Música nova, só. Vão sair algumas colaborações que já estão prontas há algum tempo e a ideia é trabalhar com mais pessoal entretanto. Quero reeditar o ENPTO, que já devia ter sido reeditado este ano. Fez uma década em Janeiro… Teria sido bonito. Além de lançar música nova, quero actuar mais, quero lançar mais merch, criar outros projectos e alimentar os que já existem, como o website. Acho que as coisas se encaminham para que, com o passar do tempo, não necessariamente em 2019, NERVE se torne uma espécie de marca que abrange não só a música. Podes não gostar da ilustração mas gostar da música ou não gostar da música mas gostar das sessões de poesia (?) ou dos livros (?) ou odiar tudo e, nesse caso, ter muita coisa para odiar. Logo se vê.

 


NERVE // AUTO-SABOTAGEM

Gonçalo Oliveira

Gonçalo Oliveira

Filho bastardo do jazz e da soul que encontrou no hip hop uma nova forma de abordar linguagens musicais perdidas no tempo. Não tem uma música favorita porque Jimi Hendrix e J Dilla nunca trabalharam juntos.
Gonçalo Oliveira

Latest posts by Gonçalo Oliveira (see all)