PURO L sobre OHME: “O meu foco sempre esteve na palavra”

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Já se colhem frutos de 2019: PURO L acaba de lançar a série OHME no YouTube, que vai servir de plataforma para a apresentação de novos temas. O rapper promete um novo episódio musical ao primeiro dia de cada mês e, nesta primeira amostra da rubrica, ThePlanBeats e André Areias são quem assina a concepção do instrumental.

L faz parte de uma escola de MCs que surgiu no norte de Portugal durante a década passada. Inicialmente, o percurso de Daniel Silva foi trilhado com temas soltos, alguns deles apresentados num formato inovador, como foram os casos de “A Prova” e “Viagem no Tempo”. Em 2015, L estreou-se nos discos a solo através de O Último Mortal e formou uma parceria com Dekor em Old Fashion, lançado no final de 2017.

Com o arranque de OHME, o rapper consegue agora uma nova forma de expor a sua música, aliando som e imagem numa receita que impede potenciais distracções, com a força da palavra enquanto elemento principal. E L não vem sozinho nesta aventura, reservando alguns dos episódios futuros de OHME para os seus homies, chamados a confirmar os seus dotes ao microfone perante uma audiência maior do que aquela a que estão acostumados.

O Rimas e Batidas aproveitou a estreia de OHME para falar com Daniel Silva acerca do conceito desta sua aposta para 2019.

 



Vamos começar pelo título: descodifica-me o significado deste “OHME”.

“OHME” de…

“Home”: A série é filmada no meu novo “Ohme studio”, em minha casa.

“Homie”: Porque é talvez o projeto onde procurei envolver mais… Homies! Nos últimos anos tenho tido o gosto de me cruzar com muita gente talentosa que, de uma forma ou de outra, deram o seu input nestas OHME Sessions. Desde a conceção das músicas, ao design do projeto, passando pelos próprios convidados. Todos os envolvidos são bons amigos, ou pessoas com quem fiz questão de colaborar pelo respeito que tenho pelo trabalho deles.

“Oh…me!”: As OHME acabam por ser uma extensão de mim e da minha personalidade. Abro a porta de minha casa e faço o que eu quero, como quero, com quem quero. É a minha cena… A nossa cena… A nossa música.

Tens lançado muita música nos últimos anos, inclusive dois trabalhos mais longos — um álbum e um EP. Como é que nasce esta ideia da série?

Por um lado nasce da vontade de voltar a fazer o que fazia antes dos álbuns. Gravar músicas soltas e lançá-las online. Acaba por ser frustrante trabalharmos num álbum em que algumas das músicas podem ficar “esquecidas” por não serem singles ou não terem videoclipe. Nasce também do cansaço de fazer esses mesmos videoclipes. O meu foco sempre esteve na palavra. Gosto de sentir que as pessoas ouvem o que eu tenho para dizer, faça ou não sentido para elas. O bom deste conceito é que não há distracções. Há um beat, as minhas palavras e a minha interpretação dessas mesmas palavras. É, sobretudo, isso que enquanto consumidor de música me interessa, e é esta a proposta das OHME Sessions.

É um projecto ao qual te vais dedicar a 100% ou a tua discografia enquanto rapper — no sentido mais “tradicional” da palavra — vai continuar a gerar frutos em paralelo com o OHME?

É possível que a minha discografia venha a ser enriquecida com o que estou a fazer nas OHME Sessions, uma vez que boa parte dos temas serão exclusivos. A seu tempo veremos no que pode resultar.

Explica-me em que é que se baseia o conceito da série.

O objectivo da série é colocar, literalmente, o foco nos MCs e na forma como sentem aquilo que escrevem. Por outro lado, é um desafio a quem participa de mostrar skills. O áudio final é captado live, posteriormente misturado/masterizado, o que não deixa espaço a fracas performances… Nem a respirações feitas fora de sítio!

Vai ter uma “narrativa”, que evolui de episódio para episódio?

Não. Vai ter rap que flui de episódio para episódio, e alterações de decoração do espaço que se alteram ao ritmo do meu fraco gosto enquanto designer de interiores [risos]. O conceito pode evoluir em muitas direcções e para muita coisa. De momento, cada episódio tem um fim em si mesmo.

Na sinopse que me enviaste, falas dos teus “homies”, o que me dá a entender que não és o único personagem do OHME, certo? Quem mais vamos poder ver e ouvir ao microfone?

A série terá um novo episódio todos os meses, a cada dia 1. Alguns dos episódios são temas a solo, outros são colaborações com rappers ou produtores, outros são inteiramente entregues a artistas convidados. Todos têm talento e a seu tempo saberão quem são os que vão ocupar o lugar do mic e de outras máquinas mais.

Ao nível da produção, é uma vertente que também vai merecer destaque em algum dos episódios? Que beatmakers te acompanham nesta jornada?

No tema do primeiro episódio tenho o gosto de trabalhar com o ThePlanBeats. Descobri-o através da assinatura do e-mail que me enviou para comprar uma cópia do Old Fashion e lancei-lhe de imediato o convite para fazer parte desta viagem. É um nome a ter em conta na nova escola de beatmakers e muito pouca gente está a par. Como ele há muitos. Tenho também o gosto de ter a magia do Areias nas teclas, que é um daqueles casos de pessoa que respeito enquanto músico e que convidei para o projecto apesar de nunca nos termos cruzado pessoalmente. Também não será a única vez que algo deste género acontecerá. É esperar para ouvir!

 


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