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Publicado a: 07/12/2017

Karlon sobre “En Fazi Di Tudu”: “Trabalhar com o Sam The Kid é sempre um privilégio”

Publicado a: 07/12/2017

[TEXTO] Alexandra Oliveira Matos [FOTO] Direitos Reservados

Sam The Kid já nos habituou ao lançamento mais ou menos regular de novos sons com a sua marca de produção e rimas de rappers que tão bem conhecemos. Desta vez, o beat, com um toque de paragens mais orientais, ganha dimensão e mensagem no crioulo de Karlon. Não é a primeira vez que o rapper de origem cabo-verdiana passa pela TV Chelas. Vimos a sua entrevista na rubrica Na Mira, da plataforma online de Sam The Kid, e recordamo-nos do som do colectivo Nigga Poison com as rimas de Samuel Mira e Valete.

Fomos conversar com Karlon para compreender este “En Fazi Di Tudu”, que ganha uma extensão visual com realização e edição de Pedro Esperança. Um som que fala na pressa de consumar relações sem ponderar consequências (para os menos entendidos em crioulo é possível ler as legendas no vídeo no YouTube) e que nos revela, uma vez mais, a coragem do rapper em ser fiel à sua realidade e às suas histórias. Aproveitámos para perguntar se vem por aí um álbum conjunto, mas quanto a isso Karlon pediu que esperássemos.

 



A história é verídica? É  a tua?

Em algumas partes é verídica e não diria que é a minha, mas sim nossa. Eu já passei por isso e tenho amigos que já passaram pelo mesmo em algumas partes que relatei.

Qual foi a mensagem que quiseste transmitir?

No fundo, a mensagem que queria transmitir é no sentido de as pessoas terem mais calma antes de terem uma relação. Por norma nas relações quando somos imaturos não nos damos ao luxo de nos conhecermos um ao outro, homem e mulher, e nós os homens temos sempre tendência a conhecer uma rapariga e partir para o acto sexual no primeiro dia. Da maioria das vezes que isso acontece nunca vai terminar bem, sem esquecer que às vezes não há prevenção nem o uso do preservativo. No que me rodeou sempre foi ver raparigas e rapazes a perderem os seus objectivos por terem um filho não planeado e essa dica “ah, aconteceu” no meu vocabulário actual já não faz sentido. Deveriam educar as crianças desde cedo, sem tabu. Mas também a culpa não é só do homem, a mulher também alinha, numa de engravidar para prender o homem. São coisas da minha geração, de quando era mais novo.

E de quem foi a ideia de fazer a música? Tua ou do Sam the Kid? Como surgiu?

O Sam convidou-me para fazer uma música. Fui à casa dele, mostrou-me uns beats, ouvi esse beat, identifiquei-me e ele, à medida que eu ia ouvindo, ia colocando ingredientes. Somos muitos amigos desde 2001, falamos muito sobre nós e partilhamos experiências de vida. No dia a seguir, ele enviou-me o beat, estava no meu estúdio em casa e surgiu a ideia espontânea. O refrão não foi escrito, cantei directo. Estilo de improviso era o que me estava a pedir. Não gosto de forçar a escrita nos beats e como fluía em 45 minutos já estava a letra pronta e enviei ao Sam. Ele adorou. Depois convidei a minha cunhada para uma vozes adicionais. Por norma, eu quando escrevo é como se estivesse a improvisar consoante o estímulo que vai reagindo em  mim.

Como é trabalhar com o Sam? Já não é a primeira vez que fazem algo juntos, em Nigga Poison, por exemplo, ele rimou no som “Força vai em frente”.

Sim, trabalhar com ele é sempre um privilégio porque traz sempre coisas frescas e tem sempre enriquecido o nosso movimento hip hop. Na altura, o Intakto tinha enviado o beat, o Praga tinha feito o refrão, que ficou espectacular e motivante tanto letra como flow, e eu tinha sugerido que o Sam e o Valete participassem. Dei lhes o toque, gostaram bué e fizemos.

E esta música com o Sam, é solta ou vêm aí mais?

Aguardem pelo futuro!

 


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