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Texto: ReB Team
Ilustração: João Pereira
Publicado a: 16/04/2020

O encontro “quarentinesco” de veteranos culminou em oito temas novos.

Karlon e Madkutz fizeram um álbum Em 5 Dias

Texto: ReB Team
Ilustração: João Pereira
Publicado a: 16/04/2020

Muitas iniciativas têm rolado na esfera digital nesta época de isolamento, mas, até ao momento, poucos são aqueles que já se dedicaram a editar um trabalho discográfico inteiramente criado nestas condições. Na esfera do hip hop português, Karlon e Madkutzderam-nos o seu contributo nesta matéria, um álbum criado (e intitulado) Em 5 Dias.

Segundo o autor de Griga, o cruzamento entre os dois criativos foi “simples” e “saudável”, confessando que já era “mega fã” dos beats do produtor “e dos trabalhos que fez com outros MCs”. Na óptica de Kutz, que se notabilizou ao lado de nomes como NGA e Royalistick, a pandemia veio acelerar o processo de unirem esforços em estúdio, mesmo que à distância: “Tinha visto há pouco tempo no ‘Vamos Por Partes’ referente ao tema do Karlon na compilação Mechelas do Samuel que ele era um artista workaholic. Essa é uma das qualidades que mais gosto num artista, puxa muito por ti. Já tínhamos falado há uns bons anos na possibilidade de fazermos uma faixa para um disco dele, mas acabou por não acontecer. Neste disco, parece que o COVID-19 veio criar esta parceria em falta.”

Obedecendo a todas as normas de distanciamento social, rapper e beatmaker recorreram a um procedimento “clássico” nos dias de hoje. “Enviei vários beats e em menos de nada tinha a faixa gravada no Google Drive”, confessa Kutz, que se desfez em elogios ao mais recente parceiro: “O Karlon respira música, é incrível. Nunca tinha visto um MC a trabalhar a este ritmo e com tanta fome de microfone, especialmente com o tempo de carreira que ele tem. Normalmente vamos acalmando, mas ele não. Quer mais e mais e puxa por ti.”

E quanto ao conceito do que ficou registado neste Em 5 Dias? “100% liberdade criativa para ambos os lados”, explica o produtor, que comparou a metodologia por si utilizada neste álbum com o que fez num dos projectos colaborativos mais emblemáticos do seu catálogo. “Vejo este disco da mesma forma que vejo o NGA Vs Madkutz – 1º Round — nesse disco eu tirei as medidas ao NGA. Aqui foi a mesma coisa, deu para tirar as medidas ao Karlon”, alguém com quem tenciona vir a “fazer mais projectos” no futuro.

Como forma de notar as diferentes nuances que escutamos em cada faixa, o pioneiro do rap crioulo deixou-nos algumas notas sobre quatro dos temas que surgem no alinhamento deste novo LP: “Temos a ‘Catarina’, que é sobre uma rapariga que vive no mundo da ilusão. Há um [tema] sobre um puto revoltado, que começa a fumar droga e a cagar para a escola, foge de casa… O ‘Grita Kumi’ é um tema de manifesto, uma certa forma de meter ‘ordem’ no hip hop, entre aspas porque eu não sou nenhum Deus para meter ordem em ninguém nem existe uma ordem certa no hip hop, cada um faz o que bem lhe apetece. O ‘Homi e Ruin’ também é um grande tema, um dos meus favoritos deste trabalho, e fala sobre o estado do homem.”


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