GROGNation: “Depois de termos trabalhado a primeira vez com o Sam The Kid, nunca deixámos de o fazer”

[TEXTO] Gonçalo Oliveira [FOTO] Direitos Reservados

Os GROGNation acabam de lançar “Pescoço”. O tema, que saiu com vídeo realizado por T.Zimmermann, pertence ao próximo EP do grupo de Mem Martins, que será todo produzido por Sam The Kid.

Na altura em que o hip hop em Portugal começou a dar os primeiros sinais de se estar a tornar num género consensual entre o grande público, os GROGNation assumiram-se como parte importante na renovação. Depois das mixtapes Segunda Vaga e Dropa Fogo, o colectivo formado por Nasty Factor, Papillon, Harold, Prizko e Neck começou a preparar em estúdio aquele que viria a ser o seu primeiro trabalho de originais. Entre os produtores que apoiaram o quinteto na estreia estava Sam The Kid, o mais respeitado artesão das palavras e das batidas no circuito nacional.

“Depois de termos trabalhado a primeira vez com o Sam The Kid, nunca mais deixámos de o fazer”, sublinharam os GROGNation ao ReB, revelando ainda que a invenção de um trabalho em parceria veio da cabeça do autor de Pratica(mente). “Esta ideia surgiu na altura em que íamos fazer precisamente o Sem Censura“. “Distante”, “Buzz” e “Shot’s de Grog” foram os três temas que integraram o primeiro LP do colectivo e que criaram uma ponte sónica que ligava Mem Martins a Chelas.

Com o plano de um trabalho a meias em stand-by, os GROGNation voltariam a receber a ajuda de STK no disco Nada É Por Acaso, mais concretamente na batida de “Circo”, retribuindo o favor no ano seguinte com versos para preencher a programação do “Canal” de Samuel Mira no YouTube, integrando mais tarde a compilação Mechelas.

O projecto colaborativo já está ao virar da esquina e “Pescoço” entra agora em rotação nas plataformas digitais como single de apresentação, uma faixa que o grupo vê “como parte de um todo e não como uma amostra do que o todo é”.



O que para muitos pode ser uma meta de final de carreira, para vocês soa mais como um regresso à casa de partida, já que o Sam The Kid foi um dos primeiros produtores a dar-vos a mão. Como foi voltar ao Quarto Mágico para ver o mestre novamente em acção?

Depois de termos trabalhado a primeira vez com o Sam The Kid, nunca deixámos de o fazer, tanto que no nosso último trabalho ele participou, e nós participámos de seguida na compilação da TV Chelas. Não houve um regresso, mas sim uma continuidade, só que desta vez de uma maneira diferente.

Desta vez o Sam vai assinar a produção de um projecto vosso na íntegra, algo que só tinha acontecido no Na Via, quando o Factor deu conta do recado. Como é que surgiu esta ideia?

Esta ideia surgiu na altura em que íamos fazer precisamente o Sem Censura, o nosso primeiro trabalho de originais. Foi a convite do STK, só que na altura já estávamos com o projecto em mãos, e ele participou nas músicas “Distante”, “Buzz” e “Shot’s de Grog”, mas ficou prometido que iria acontecer quando as duas partes tivessem 100% viradas para fazer acontecer. E assim foi.

Do ponto de vista técnico, que vantagens encontraram em estar a trabalhar apenas com um produtor?

O produtor consegue estar mais envolvido no produto geral e na construção do mesmo, bem como permite ter uma maior coesão e ligação na sonoridade.

Os temas que vão constar no EP foram criados lado a lado com o Sam ou vocês recolheram os beats e fecharam-se no vosso estúdio a delinear as rimas?

O STK foi estando a par sempre. Aconteceram as duas coisas, ideias debatidas em conjunto e outras fechámo-nos e criámos à nossa maneira. Mas o STK sempre teve opinião.

“Pescoço” é o primeiro resultado desta parceria. O que decidiram retratar neste tema e que ingredientes é que ele contém, e que vos levou a achá-lo como uma carta de apresentação fiel a todo o projecto?

É sempre ingrato assumir o primeiro avanço de um disco como uma carta de apresentação fiel de todo o projecto. O EP tem um conceito geral, que faz com que as músicas se interliguem, mas as músicas em si são diferentes, são temas diferentes e houve um certo cuidado em variar a nível instrumental. Preferimos ver esta música como parte de um todo e não como uma amostra do que o todo é. O “Pescoço” foi uma das primeiras músicas a estar finalizada. Adorámos o resultado final e achámos que isso era um ingrediente bom o suficiente. A música faz-nos abanar a cabeça.

O que é que podem revelar sobre o EP?

Iremos revelar tudo ao seu tempo. Mas tem convidados.

Recentemente cruzaram-se com o Samuel na celebração épica do hip hop nacional no Altice Arena. Ainda na ressaca desse evento, como foi para vocês representar uma cultura com uma história tão vasta? Que pontos destacam dessa noite que irá, também ela, ficar registada nos “manuais” da nossa cultura?

Foi, sem dúvida, uma noite muito bonita e que vai ficar guardada na memoria de todos nós, não só por ter sido no sítio onde foi, mas principalmente pelo simbolismo da noite e pelo ambiente que se viveu. Foi uma honra termos participado. O ambiente no backstage estava muito agradável e notou-se claramente que há um grande respeito entre todos os artistas, desde os mais novos aos mais velhos.


Gonçalo Oliveira

Gonçalo Oliveira

Filho bastardo do jazz e da soul que encontrou no hip hop uma nova forma de abordar linguagens musicais perdidas no tempo. Não tem uma música favorita porque Jimi Hendrix e J Dilla nunca trabalharam juntos.
Gonçalo Oliveira

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