Fínix MG no Musicbox: ele chegou para mandar na city

[TEXTO] Paulo Pena [FOTOS] Tiago Gonçalves

Se uma quinta-feira no Musicbox, por si só, não se apresenta como motivo suficiente para sair de casa (ainda mais se acompanharmos os últimos desenvolvimentos epidémicos), a presença de Fínix MG em nome próprio tem de falar (e falou, de facto…) mais alto. Foi com a deixa de “falar mais alto” que Fínix subiu ao palco. Mas já lá vamos: as portas ainda nem se abriram… 

A noite de 5 de Março prenunciava ares de Janeiro e os ventos do Tejo assediavam quem se aventurasse pela zona costeira do centro da capital. Ainda assim, as camadas em excesso não se afiguravam aconselháveis: Think Music na rua cor-de-rosa espera-se sempre inflamável. 

A cargo de rkeat estava o papel de elevar a temperatura da sala, tarefa essa que, com o catálogo escolhido pelo produtor, não tinha como falhar. BPMs a subir, coração a acelerar e o corpo a movimentar-se às ordens das batidas: o aquecimento estava feito. Era hora de ver o protagonista em ebulição. “Eu tinha depressão tipo Cobain” – assim entrou Fínix para apresentar Robert Johnson



O rapper surgiu pela porta do palco, pronto a celebrar o seu mais recente projecto em forma de álbum, o primeiro longa-duração com o selo da TM em 2020. Se a deixa era “falar mais alto”, Fínix, auxiliado por um dos grandes pilares desta label, benji price, rapidamente se acostumou às luzes e câmaras e a conquista dos metros quadrados que lhe pertenciam naquela hora foi feita sem pudor. O ligeiro nervosismo sentido a princípio dissipou-se com o calor e Fínix, que não é propriamente novo nestas andanças, foi revelando o conforto do piso que o suportava, como quem volta a andar de bicicleta sem apoios — para quem o acompanha de perto sabe que é mais provável encontrá-lo a participar num dos concertos de um dos seus colegas, algo que deverá mudar depois do lançamento do seu primeiro álbum.

Com breves passagens por Níveis, o sumário da noite concentrava-se necessária e inevitavelmente em Robert Johnson. O único featuring do álbum foi devidamente destacado, com a presença de Prettieboy Johnson, mas houve ainda espaço para medicar a plateia com um rebuçado de “Dr. Bayard”, fornecido por Sippinpurpp em conjunto com o protagonista da noite. 

O concerto unia cada vez mais o público a Fínix numa comunhão incandescente, e o rapper ia baixando a guarda à medida que o à-vontade o aquecia, notando-se isso principalmente pelos “toques” com ginga angolana que ia exibindo. O “terror dos mosh pits” teve direito ao seu e, conforme o showcase se desenrolava, foi ganhando a confiança do público, mas, mais importante, a sua própria pareceu sair redobrada.

Foi uma actuação em constante crescendo que culminou nos píncaros da consagração auto-proclamada: “vou mandar na city – Bruce Wayne”. No fim, só havia uma certeza e era retirada de uma letra do MC: “hoje eu tou ok amanhã não sei”. Não deixem estas noites para amanhã…


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