Christoph de Babalon sobe ao palco da ZDB este sábado

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A Galeria Zé Dos Bois, em Lisboa, recebe Christoph de Babalon este sábado, num evento que também tem o lisboeta Enkō no cartaz.

Numa era em que as reedições fazem mais sentido do que nunca, seria inevitável o nome de Christoph de Babalon vir à superfície após If You’re Into It, I’m Out Of It ter tido direito a uma segunda vida, duas décadas após a sua edição original. O segundo álbum do produtor alemão foi carimbado pela Digital Hardcore Records e regressou no ano passado às prateleiras pela mão do seu criador através da sua Cross Fade Enter Tainment, tendo chamado a atenção da Pitchfork e Resident Advisor, que não pouparam nos elogios ao LP que funde drum’n’bass, breaks, noise e dark ambient.

Na descrição do evento, Bruno Silva, músico e programador, traça o percurso e o ADN musical do alemão:

“Alvo de uma bem necessária reedição já este ano, If You’re Into It, I’m Out Of It reencarna no corpo o espectro de 1997 com um valente sentido de timing e sincronismo nestes tempos desesperados que reclamam a herança do darkcore, illbient e assombrações rave na conjura de editoras como a Blackest Ever Black, Opal Tapes ou as Test Pressing Series dos Demdike Stare. Carta fora do baralho já por si bem disfuncional da Digital Hardcore Recordings, aquele que Thom Yorke considerou o ‘álbum mais ameaçador da minha colecção’ terá soado tão anómalo e enquadrado no zeitgeist do seu tempo ao lado do punk digital dos Atari Teenage Riot, do breakcore de Bomb 20 e do estertor breakbeat/gabber de Ec8or quanto nos dias hoje, capaz de sacar royalties a gente como Raime ou Haxan Cloak. A confluência natural do agora, onde nomes como Wolfgang Voigt ou Deathprod surgem num mesmo espaço de diálogo com Xenakis ou Source Direct, com profecia na geminação do ambientalismo pesaroso de ‘Opium’ paredes meias com as batidas quebradas e pedaços de realidade crispados de ‘What You Call Life’ – jungle, musique concrete e drone em movimentos esquinados.

Fiel a essa condição de alienado, desde logo patente no título do álbum, Babalon recatou-se para ir reaparecendo pontualmente com discos como A Bond With Sorrow na Tigerbeat6 ou o split com Kid 606 na FatCat, longe de qualquer foco de atenção histriónico, sempre nesse seu mundo, fora de cenas. Uma existência na sombra que recolhe agora e com justiça a devida atenção, nesta fase de reaproveitamento e reavaliação constante de todos os passados, alimentada pelos elogios rasgados da Resident Advisor ou da Pitchfork e continuada, como se nada fosse, por Babalon com o lançamento de Exquisite Angst pela A Colourful Storm, recolha de pedaços esquecidos do produtor alemão captados entre 1993 e 1998. Da série de recuperações prementes no meio de tanto rehash vazio e inconsequente.”

Mais activo desde o final da década passada, Christoph de Babalon começou a reciclar o seu próprio material e a assinar edições com regularidade — desde que inaugurou o catálogo no Bandcamp, em 2015, juntou, até ao momento, onze lançamentos. Hectic Shakes, o novo projecto que tem em mãos e do qual já foi revelado “Harakiri”, sai no dia antes da sua apresentação ao vivo na ZDB.

 


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