Branko e convidados: um Terreiro do Paço quente a aplaudir esta Nova Lisboa

[TEXTO] Alexandra Oliveira Matos [FOTOS] Luis Almeida

É difícil descrever o que aconteceu este sábado, dia 29 de Dezembro, no Terreiro do Paço, em Lisboa. Primeiro, porque foi uma noite que talvez sintetize todo um 2018 de incríveis conquistas para esta (agora apelidada…) Nova Lisboa. Segundo, porque mais do que um conjunto de instrumentos a debitar uma batida com que abanamos o corpo, esta nova capital é algo que se sente. Que se apreende pelos sorrisos, pelos vultos dançantes de todas as idades, pelas palmas que celebram com reconhecimento aqueles que em palco se unem para dar tudo.

A noite punha-se fria sobre uma capital agitada na semana que separa o Natal e o último dia do ano. Centenas de pessoas passeavam pela Praça do Comércio iluminada por uma árvore de natal bem grande e um palco preparado para agitar Lisboa antes e depois do bater das doze badaladas de 31 de Dezembro para 1 de Janeiro. No camarim, no edifício onde tanto sobre Portugal se decidiu, já estavam Branko, PEDRO, Carlão e Cachupa Psicadélica. Faltavam Dino D’Santiago, Sara Tavares e, sem anúncio, Mayra Andrade. Nomes que há vários anos fazem qualquer multidão dançar, mas que nos últimos tempos têm ganho uma força renovada e merecida. “A periferia só está agora a ocupar o centro da cidade com orgulho” — disse Sara Tavares em entrevista — e faz todo o sentido, acrescentamos. Branko e convidados não tardaram em estar todos juntos para os últimos retoques. Calmos, como se aquele concerto fosse uma rotina.

Às nove e meia em ponto, PEDRO começou a aquecer o ambiente com uma playlist bem conhecida de todos aqueles que não perderam uma Na Surra no B.Leza ou as excursões da Enchufada ao Porto. No canto esquerdo do palco, o autor de “Na Quebrada” e de tantas outras este ano mostrou durante meia hora os seus skills cada vez mais apurados na arte do DJing. Logo a seguir, Luís Gomes, que tão bem conhecemos por Cachupa Psicadélica, entrou de guitarra eléctrica para os primeiros acordes de “Paris – Marselha”, música em que colabora para o álbum Atlas de Branko e que, com três anos, não deixou ainda de parecer fresca. O anfitrião da festa entrou depois da introdução com um sorriso feliz e uma camisola quente que não tardou em tirar, tal era o calor que emanava dos, não sabemos quantos, milhares que ocupavam a praça. Sem convidados em palco, o culpado desta festa foi mostrando as produções que lhe conhecemos enquanto apelava às palmas, aos braços no ar e à dança com palavras de celebração ao microfone. E quis até dar a conhecer uma música nova que homenageia o espaço que em Lisboa uma vez por mês recebe o colectivo que encabeça. “B.Leza” é o título da faixa que sampla a amplamente conhecida “Na Ri Na” de Lura e que, cremos, antecipa o álbum que verá a luz do dia em 2019.

Dino D’Santiago foi o convidado que se seguiu. Dono de um álbum considerado por muitos um dos melhores de 2018, cantou a celebrada “Nova Lisboa” e “Nôs Funaná” com um ritmo acelerado e ainda mais electrónico que não lhe conhecíamos. Entre as duas músicas ainda satisfez o público com o refrão da tão pedida “Como Seria”. Muito aclamado por todos, Carlão — o homem que ensinou a Branko que não existe distinção entre géneros musicais, esclareceu o host — cantou “Contigo” e “Os Tais”. “Branko trouxe mais cor a Lisboa”, quis sublinhar aquele que há mais de uma década vemos dar-nos música. E nós assentíamos enquanto víamos nos ecrãs laterais do palco pessoas de todos os tons de pele e de todas as idades cantar de cor “ah ya bebé, somos os tais”. Sara Tavares entrou em palco depois, encasacada, mas pronta para sacudir o frio com “Coisas Bunitas” e a tão bela “Ter Peito e Espaço” remisturada por Branko. Sempre em tom de festa, todos deixaram desejos de ano novo para aqueles que dali não arredavam pé. Ainda assim, o concerto não estava feito sem que João Barbosa desse a todos “Reserva pra dois”. “A música que de certeza me trouxe até aqui”, refere enquanto chama Mayra Andrade debaixo de aplausos. No backstage multiplicaram-se depois sorrisos e abraços. A missão estava, e bem, cumprida.

Uma noite quente, contradizemo-nos agora. Ainda embalados nas batidas, talvez também imersos no espírito das festas que encerram o ano, mas com certeza conhecendo o caminho que fez Branko neste 2018 que agora termina. João, se unir Lisboa e arredores — Portugal até — em torno de uma sonoridade era uma resolução para 2018, então podes riscá-la da lista. Conseguiste!

 


Alexandra Oliveira Matos

Alexandra Oliveira Matos

Questionar é o verbo pelo qual orienta o olhar. Licenciada em jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social, mestre em continuar a aprender.
Alexandra Oliveira Matos