“Ambientes escuros, rimas cruas e meios tóxicos”: Amon e Stone Jones mostram o primeiro avanço de Cão

[TEXTO] Gonçalo Oliveira [ILUSTRAÇÃO] Bern’s

As rimas são de Amon e as batidas de Stone Jones. A dupla tem, neste momento, um novo EP em mãos — Cão sairá em breve pela Blckout Records — e partilhou hoje o primeiro single.

Possivelmente a parceria mais pesada da Linha da Azambuja depois de Holly Hood e Here’s Johnny, o que faz algum sentido visto que o background destes quatro nomes se desenrolou exactamente no mesmo circuito. Stone Jones é, aliás, o elo de ligação entre a Superbad e os Top Dogs, grupo em que milita Amon.

MC e produtor não são estranhos um para o outro em estúdio, tendo chegado a dividir um curto projecto em 2016 — falamos do venenoso segundo volume de 2X2, a última edição a constar no Bandcamp de Stone Jones. Mais participativo na cena rap nacional, os últimos meses viram Amon dosear os seus versos entre um projecto a solo, EM PONTO, e outro ao lado dos seus Top Dogs, A Missão.



Em Cão, a matilha reduz-se a apenas dois nomes. “De início a ideia não foi fazer um EP”, começa por explicar Jones ao ReB. “A cena foi acontecendo normalmente. Eu fui mandando beats ao Amon e quando demos por nós tínhamos uns quantos sons gravados e achámos que fazia sentido fazer um projecto”. Ao MC coube o papel de traçar o ADN deste rafeiro mutante: “Eu penso que, tanto a nível da sonoridade como das letras, podem estar à espera de uma espécie de seguimento daquilo que fizemos no projecto anterior do Stone Jones, o 2X2, mas de uma forma mais polida em ambos os aspectos. Ambientes escuros, rimas cruas, meios tóxicos…”

“Rip Off”, o primeiro avanço deste disco, tem dedadas de Here’s Johnny na mistura, masterização e produção adicional e foi apresentado junto de um videoclipe creditado a Mica.LRecorder & Jacob Oduwole. Segundo a dupla, este é “um tema forte e que reflecte bem o ambiente sugerido no EP.”

O single marca também o nascimento da Blckout Records, a “marca” criada por Amon e Stone Jones para facilitar a entrega dos seus trabalhos — “Assim a música pode vir toda do mesmo sítio, em vez de termos cada um o seu canal”. Na calha da label estão mais algumas releases projectadas para este ano, “quem sabe até com outros possíveis intervenientes.”


Gonçalo Oliveira

Gonçalo Oliveira

Filho bastardo do jazz e da soul que encontrou no hip hop uma nova forma de abordar linguagens musicais perdidas no tempo. Não tem uma música favorita porque Jimi Hendrix e J Dilla nunca trabalharam juntos.
Gonçalo Oliveira