Aires: “Não vi forma mais genuína de trabalhar do que algures entre a ironia e a vénia”

[TEXTO] André Forte [FOTOS] Pedro Jafuno

O regresso aos discos de Aires, produtor, sonoplasta e experimentalista originário da Madeira, acontece já esta semana — e o disco está, na verdade e em modo de antecipação, já disponível aqui no Rimas e Batidas —, e não poderia ter melhor embalo.



O produtor assegurou, recentemente, uma actuação no mítico MadeiraDig e, não muito depois, fez a primeira parte da nórdica Puce Mary na Galeria Zé dos Bois, em Lisboa. Seguindo-se ao LP Naturalismo, de sons mais duros e frios, este novo Modernidade Líquida vem na ressaca dos sentimentos partilhados entre a cultura mainstream de hoje e a urgência do disco anterior.

“O disco é propositadamente muito diferente dos anteriores, apesar do processo ter sido igual ao Naturalismo: foi tudo gravado ao vivo e misturado em tempo real durante a gravação. É um disco muito mais subtil e menos agressivo porque senti que já tinha explorado tudo o que queria no noise em lançamentos passados e estava na altura de tentar outras texturas, mais melódicas”, conta-nos Aires, sublinhando que “queria fazer faixas mais simples, mais directas, com elementos auto-referenciais.”

São quatro faixas de texturas brilhantes e saturações vívidas, editadas uma vez mais com o selo do próprio colectivo de electrónica experimental Colectivo Casa Amarela, ou simplesmente CCA, num registo de transformação e retransformação de sons — com a natureza auto e meta-referencial de Modernidade Líquida a informar a composição e “as peças que compõem a quarta-faixa fazem cameos na segunda e na terceira, e vice-versa”, conforme explica o produtor — e propositadamente irónico –, “tentei mesmo trabalhar ao máximo a auto-citação, porque não vi forma mais genuína de trabalhar do que algures entre a ironia e a vénia.”

Esta não será a única novidade CCA deste ano: estão a preparar uma compilação e a devida ronda de festas de lançamento, a acontecer ainda no primeiro semestre deste ano, firmando assim a posição de porta-estandartes das tendências experimentais insulares. Epíteto que, de resto, Aires recebe com um “talvez”, ou, literalmente, “não sei se podemos falar de uma cena experimental madeirense, apesar de terem sempre existido alguns músicos a trabalhar estes registos. O CCA — que é como quem diz, eu, a Mafalda Melim e o Rui P. Andrade — já não está na Madeira mais que umas semanas por ano, mas ainda assim tentamos criar um espaço para este género musical.”

Modernidade Líquida tem lançamento previsto para 31 de Maio.


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