Wiki // No Mountains In Manhattan

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[TEXTO] Moisés Regalado

Se discutir o melhor MC branco da actualidade ainda fosse (já foi?) um tópico decente, Wiki estaria na linha da frente para suceder a Eminem ou Aesop Rock. Não sendo aceitável, resta considerá-lo um dos melhores rappers em actividade. Num universo paralelo em que Manhattan parece ter montanhas, Wiki é um Mr. Mef, ainda com palito, que a espaços manifesta um ODB que nunca morreu. “I’m from New York when Wu-Tang was rising”, disse o próprio em “Seedy Motherfucker”, de 2015.

Este era o disco que faltava para começar o balanço anual. Não é rap nem trap. Tem os tempos de um, a estética de outro e o inverso. De facto, poucos minutos chegam para que se abandone semelhante avaliação e se mantenha o foco nas dicas debitadas sem folclore. Nada que surpreenda quem acompanha a cara pouco bonita do colectivo Ratking desde Wiki93.

 



Mas No Mountains in Manhattan também é grime. Skepta assim disse, depois de o convidar para a versão norte-americana do tema “That’s Not Me”, acrescentando que o rótulo depende sobretudo de uma energia que identifica em Wiki. A estética não se aproxima minimamente mas as pistas são várias, sejam elas exteriores à música ou parte integrante da mesma. Ouvidos e absorvidos os flows, não há como lhes colar qualquer prefixo adjectivante (fast ou slow, por exemplo).

Havendo projectos em que os instrumentais impedem o intérprete de sobressair, como um dia aconteceu descaradamente em Kingdom Come, de Jay-Z, aqui é o oposto que se observa e escuta. Não que as faixas se resumam a “bombo, tarola e rima” mas o elemento voz reclama todas as atenções – esqueçam-se as pausas, para respirar ou por decisão técnica. Nada que assuste quem já tenha vibrado com Illmatic pelos mesmos motivos, não sendo possível levar a comparação mais longe devido à diferença abismal de… produção.

 



O passeio em altitude por que Wiki se move e nos guia mostra-se solitário durante quase todo o percurso. Discretamente acompanhado por Evy Jane, Lakutis, A.C.A.B. e Slicky Boy, só graças aos versos de Ghostface Killah e Your Old Droog se percebe que há mais sombras em comunhão com a deste jovem. Se, ouvindo os seus trabalhos, parece fruto de uma escola alternativa, apenas será porque as referências mainstream com que cresceu representam agora uma sonoridade e uma atitude próximas do estatuto de minoria. Mas Wiki também já é clássico.

 


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