VULTO.: “COLÓNIA CALÚNIA está a ser a melhor experiência artística pela qual já passei”

[TEXTO] Gonçalo Oliveira [FOTO] Direitos Reservados

Sem que nada o previsse, VULTO. lançou um novo tema através do seu canal no YouTube. “ARRE, TANTOS FUTURISTAS EM 2K18” antecede YARIKATA, o álbum de instrumentais que se propõe a lançar por COLÓNIA CALÚNIA.

O produtor não tem tido mãos a medir nos últimos tempos. Já não falta muito para que o vulcão entre em erupção e se solidifique em vários projectos sólidos com o carimbo COLÓNIA CALÚNIA, o colectivo que fundou em 2016 teve um bom arranque neste ano, somando três edições no catálogo virtual que aloja no Bandcamp.

“ARRE, TANTOS FUTURISTAS EM 2K18” foi o tema escolhido por VULTO. para dar o sinal de alerta. YARIKATA, o seu próximo LP de batidas, será o primeiro de uma série de lançamentos com o seu cunho. LISTA DE REPRODUÇÃO, de L-ALI, e BESTA, o primeiro álbum de Tilt, são dois dos projectos nos quais o Homem Sombra assina por baixo, responsável pelas batidas nas quais os dois MCs vão alinhar.

Em conversa com o Rimas e Batidas, VULTO. falou-nos sobre o seu actual momento de forma e dos projectos que se avizinham no futuro do colectivo COLÓNIA CALÚNIA. Um segredo para quem navega de momento neste mar: o beat de “ARRE, TANTOS FUTURISTAS EM 2K18” serviu, em primeiro lugar, para uma interessante remistura de “Panda”, de Desiigner, que, segundo o produtor, talvez “veja a luz do dia”.

 



Se antes o lado experimental era completamente assumido, com diferenças óbvias de uma faixa para a outra, hoje já podemos afirmar que encontraste o teu cunho sónico, uma espécie de zona de conforto. Percorrendo rapidamente o teu trajecto, como avalias a metamorfose das tuas produções?

Honestamente acho que o cunho sempre lá esteve. Simplesmente eu, como artista, estava mais disperso e com uma intenção menor de realmente ter uma linha mais fixa de produção ou sonoridade. Não há uma grande metamorfose mas sim um afunilar de intenções artísticas.

No entanto, o lado instrumental da tua obra tem diminuído com o tempo. O que difere no teu processo de criação quando trabalhas a solo?

Nada difere. Sempre trabalhei muito pelo feeling da cena e seja para onde vou deixo-me ir, sem medo de onde vou chegar.

COLÓNIA CALÚNIA arrancou bem o ano e já soma três edições no catálogo digital. Que balanço fazes de todo o trabalho que tem saído desde o CAFÉ e, em especial, nestes últimos meses?

COLÓNIA CALÚNIA está a ser, sem dúvida, a melhor experiência artística pela qual já passei. O prazer de veres a crescer algo que imaginaste a nascer e começar a dar os próprios passos é mesmo gratificante. Isto para não falar que aprendi mais sobre música, pessoas e até sobre a vida no geral, do que no resto do tempo todo em que estive mais metido no meu buraco, a produzir sozinho ou num registo menos colaborativo.

Também tu vais dar a cara pelo grupo em alguns desses lançamentos. O que podes adiantar sobre o teu álbum e os projectos que preparas com o Tilt e o L-ALI? Em que fase se encontram?

Posso dizer com orgulho que daria a cara por todos os projectos em COLÓNIA CALÚNIA, mesmo aqueles que não têm a minha participação. O trabalho com o L-ALI (LISTA DE REPRODUÇÃO) ‘tá quase quase, mesmo na recta final. O álbum com o TILT (BESTA) não tanto na fase final mas nitidamente a caminhar para tal. Para quem me chateou a cabeça durante anos, em como devia sair para a rua com só coisas minhas — instrumentais, beats ou músicas, como quiserem chamar-lhes –, fiquem descansados que ‘tá pronto. YARIKATA é o meu álbum de instrumentais que, honestamente, melhor representa a fase de produção em que estou neste momento e está para muito mais breve do que se possa imaginar.

Vamos poder escutar “ARRE, TANTOS FUTURISTAS EM 2K18” em YARIKATA?

Este lançamento é algo separado de COLÓNIA CALÚNIA. É um instrumental mais “antigo”, que acabou por nunca ver a luz do dia e que, para o fazer, me pareceu que precisasse de uma apresentação mais “séria”. Daí o suporte visual, que não é tanto um videoclipe mas mais algo para onde olhar enquanto ouvimos o tema (algo que já tenho vindo a fazer noutros casos).

 


Gonçalo Oliveira

Gonçalo Oliveira

Filho bastardo do jazz e da soul que encontrou no hip hop uma nova forma de abordar linguagens musicais perdidas no tempo. Não tem uma música favorita porque Jimi Hendrix e J Dilla nunca trabalharam juntos.
Gonçalo Oliveira